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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Despedida de honra para mãe Hilda Jitolu

Publicada: 21/09/2009 5:24| Atualizada: 21/09/2009 5:17

POR: Lucy Andrade

Um tapete branco iluminou o cemitério Jardim da Saudade, onde filhos, filhas de santo, pessoas ligadas ao candomblé, autoridades e personalidades baianas se despediram da líder espiritual do bloco afro Ilê Aiyê, Hilda Dias dos Santos, a ialorixá Mãe Hilda Jitolu, 86 anos. Mais de 100 pessoas vestidas de branco, entre lagrimas e aplausos, prestaram a última homenagem a Mãe Hilda. O prefeito João Henrique esteve no sepultamento e decretou três dias de luto oficial em Salvador. O governador Jaques Wagner também esteve no terreiro Ilê Axé Jitolu e prestou homenagens a Mãe Hilda. O corpo estava sendo velado desde sábado, dia em que ela faleceu, após 12 dias internada com problemas cardíacos. Os mais próximos permaneceram em vigília durante toda a madrugada. Antes de chegar ao cemitério Jardim da Saudade, os filhos e filhas de santo fizeram o último cortejo em homenagem a Mãe Hilda. Em cerimônia característica do candomblé, Orixás incorporados saíram em cortejo da casa da mãe e seguiram até a entrada do Curuzu, onde a população também se despediu. Na capela do cemitério, a despedida de Mãe Hilda foi marcada por muitas lágrimas e tristeza dos filhos órfãos, que ainda em estado de choque, se questionavam sobre como prosseguir sem o suporte. “Mãe Hilda era a base de nossas casas, era a nossa mentora espiritual. Não sabemos ainda como continuar sem a sua força, sem a sua presença, mas sabemos que sua missão foi cumprida, e que agora em espírito ela irá nos iluminar”, disse a Filha de Santo Telma Menezes Cerqueira.

“Achávamos que ela era imortal. A pergunta que não tem resposta é essa, como vamos fazer sem ela? Temos fé nos orixás e acreditamos que eles nos guiarão e nos ajudarão. Ela é a nossa grande mestra, deixou uma fenda de 76 anos de trabalhos espirituais”, disse em lágrimas a diretora do Ilê Aiyê, Ariani Santana. Ariani também lembrou da época da perseguição da Igreja Católica em relação ao candomblé e de como Mãe Hilda foi forte e sensível para perceber o momento e agir com estratégia. “Quando Dom Lucas, em seu ar de superioridade, fechou as portas da Igreja e disse que não poderíamos participar das missas. Ela, com a sua sabedoria, disse que Igreja tinha poder e que não poderíamos bater de frente, mas ela não se deixou vencer, ela montou um palanque e celebrava os rituais”.

Vovô do Ilê destaca o referencial de força e de luta

Um dos filhos biológicos de Mãe Hilda, Antônio Carlos dos Santos, mais conhecido como Vovô do Ilê, muito abalado, com sua voz mansa e de poucas palavras, disse que ela estava com problemas cardíacos e também contraiu uma pneumonia, o que piorou o estado de saúde.

“Os problemas foram se agravando e aconteceu o que vai acontecer com todos nós, mas não imaginamos como seria sem ela, pensávamos que iríamos sempre estar com ela. É uma perda irreparável, está sendo muito difícil, ela era o suporte de tudo”, emocionou-se Vovô do Ilê.

O prefeito João Henrique, emocionado, disse que toda a homenagem prestada será pequena diante do legado de Mãe Hilda. “Ela era uma referência para a Bahia, para o Brasil e porque não dizer para o mundo. Ela era uma fortaleza de mulher, um referencial de força, de liberdade e de luta pela desigualdade, uma combatente do preconceito. Ela era o símbolo maior do Ilê. Vamos realizar uma homenagem para Mãe Hilda com a presença de autoridades e pessoas de outros estados que não puderam comparecer hoje. E no carnaval com certeza iremos reverenciá-la”, disse o prefeito.

A deputada Lídice da Mata ressaltou que além do trabalho espiritual, onde Mãe Hilda é considerada uma das mães de santo mais respeitadas, ela era uma referência social. “Ela é uma parte da história da cidade, uma mulher guerreira, que enfrentou o preconceito e a resistência em uma época de censura e de repressão, com a sua fé, fundou o seu terreiro e com a sua sabedoria desenvolveu projetos sociais e fundou a Escola Mãe Hilda Jitolu, com o objetivo de preservar os conhecimentos acerca da cultura africana. Então, a Bahia perde muito com a morte de mãe Hilda, mas a sua essência permanece”.

O terreiro está de luto e realizará rituais pelos próximos sete dias. Os projetos com o Ilê Aiyê deverão continuar, mas ainda não se sabe como os trabalhos serão conduzidos a partir de agora.

fonte: http://www.tribunadabahia.com.br

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