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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Exu o senhor do destino

Exu o imenso Infinito 



É um Orixá indispensável dentro do culto, sem ele não existe Orixá, pois é ele que serve de mensageiro entre os Deuses e os seres humanos. Exu é o guardião das casas, dos templos das cidades e das pessoas. Toda vez, que for fazer algo a algum Orixá deve ser feito primeiro oferendas à Exu. Ele pode ser considerado o mais humano dos Orixás,  nem mau, nem bom. Exu foi criado da mesma matéria divina da qual os seres humanos foram criados. Como Orixá, diz-se que ele veio ao mundo com um porrete chamado Ogó, que  teria a propriedade de transporta-lo, ele representa também toda a fertilidade que é consagrada a ele. Mensageiro dos homens aos Orixás. Elemento dinâmico, caminha entre o Céu ( Orum ) e a Terra ( Aiê ), sempre levando mensagens dos filhos aos orixás. Exu é único, e como único tem o poder de transformar tudo a sua volta. Exu está a frente da evolução do mundo, participando de tudo ao seu redor. Todo ser humano possui seu Exu individual, como tem seu Orixá. Exu é responsável pela comunicação, pela evolução, pois está associado  a atividade sexual, que assegura  a continuidade da espécie humana. Como é ligado a evolução, também é ligado ao destino das pessoas, e com isso pode circular livremente entre todos os elementos da terra. Ele também representa o feminino e o masculino. Exu, por ser o senhor dos caminhos, pela responsabilidade que ele tem, é o primeiro a ser cultuado em qualquer ritual. Somente ele tem o poder de abrir ou fechar os caminhos, conforme for tratado. Tanto pode trazer coisas boas, como má, pelo fato de estar sempre no caminho. A presença de Exu é necessária, pois somente ele transporta as oferendas e somente ele pode fazer aceita-las ou não. Se não agraciado no início de qualquer ritual, pode haver um desequilibro, o que faria que ele fechasse os caminhos e liberasse forças negativas para castigar quem não o tratou direito, pois ele pode punir ou proteger. Mas bem tratado, ele somente semeia o bem, fertilidade, saúde, harmonia. Seu local consagrado para adoração é a encruzilhada (orita), aonde todos os caminhos se cruzam, para poder observar e a partir daí, controlar todos os caminhos. A rosa dos ventos o representa pois ela representa todas as direções do mundo. Diz-se que Exu nasceu com uma lamina sobre a cabeça. Isso por sinal, é dito em uma de suas saudações;

"Sonsô obé ko lori eru" ( A lâmina é afiada, ele não tem cabeça para carregar fardo) 
Exú é considerado a terceira cabaça da existência, muito embora ele seja considerado como o primeiro Orixá a pisar na Terra, Oxalá é a primeira cabaça da existência e Oduduá é a segunda cabaça.
Exu é um Orixá de grande importância entre os Iorubás. Por ser muito corajoso e esperto, é considerado maior do que os outros Orixá, e nunca é esquecido por seus cultuadores que, a fim de aplacar sua ira, fazem-lhe as oferendas de alimentos sempre em primeiro lugar. Pode ser maldoso a qualquer momento, sendo por isso chamado de Buruku (qualificação maligna). 
  

É comum oferecer a Exu, entre outros, bodes (Òbúko), azeite-de-dendê (Epò Púpà), galos (Àkùko), caracóis (Ìgbín), acaçá e Obí. Sobre sua imagem (Ère) colocam-se azeite-de-dendê (Epò Púpà) e sangue de animal ( Èjè), simbolizando seu banho por essas substâncias. Èsù é inimigo de alguns Òrìsà. A fim de incitá-lo à maldade contra alguém, coloca-se sobre sua imagem (Ère) um óleo denominado adí e um bilhete contendo o nome da pessoa contra quem se pratica o feitiço. Pessoas pedem também fecundidade a esse Orixá. Conseguindo-a, dão a seus filhos nomes que incluem o de Exu, tais como Exu-Tossim (É bom cultuar Exu), Exu-Bií (Nascido de Exu) etc. Exu possui também outros nomes, como Elegbara, Elegbá, Legbá. Os Iorubá acreditam que ele sempre carrega um objeto chamado Agongo Ogo, com o qual realiza suas maldades. A imagem de Exu é feita de um conjunto de pedras (Iangui). Fazem-lhe sacrifícios para mantê-lo em frente de casa, mas sua imagem jamais é mantida no interior do lar, sob pena de amaldiçoar a família. 

As cidades onde se cultua Exu são: Ondo, Ilesa, Ijebu, Abeokuta e Ekiti. Há cem anos atrás costumava-se sacrificar seres humanos em homenagem a Exu, pratica hoje abandonada.

Reza para Exu
Este ADURA é para pedir proteção a Exu e abrir nossos caminhos. Este Adurá é tão simples e lógico que é bom memorizá-la e fazer dela nossa oração diária, bastando para isso rezá-la mastigando pimenta da costa 9 (nove) se for homem e 7 (sete) se for mulher. Faça esta oração e depois cuspa para frente a pimenta mastigada na boca.

"Exu Oni bodê Orum
Oxeturá eni omo iá eni o mo babá
Ti Adi toju bi omo Elegbara iuô la pe loni uá loni i bi omo ti njé
Iá re uara nitori rogbô diã ilê aiê po jojô ogum ni uá
Ogum lehim ilê aiê ogum ojô jumo ogum
Ati iê to mu olomo ki o ma mo omo re to mu ore di otá arauom
To mu eni du ipo omo lakeji to jeki a fé oju mo nkã eni
Auá bebê fum abó re Exu Lalu uá gbô orô ati laroiê
Uá so uá babá njadê lo so uá ti a pá padá uá le uá ki ogum
Aiê ma le riuá gbe se Exu olo na onã ti Exu ba si enikã ki di uá si onã fun
Uá eniti Exu ba si onarê lo segum aiê se uani olussegum ki otá
Ma leri na gbe se eni onã re ba si pereguedê loni alafia babá orô Exu Odara da abó re bouá loni
Axé axé axé."

Tradução 

Exu guardião do Orum
Oxeturá, aquele que não conhece sua mãe, aquele que não conhece seu pai
Mas que recebeu todo  cuidado de Adi, O dinâmico. É você que estamos chamando, venha nos atender hoje assim que o filho atende sua mãe
As intrigas deste mundo estão demais
A guerra está na frente, a guerra está atrás de nós
O  mundo é uma guerra diária A guerra de sobrevivência 
Que fez os pais desconhecerem seus filhos Que fez os amigos virarem   inimigos Que fez pessoas tomarem o lugar dos outros
Que fez com que colocassem olho grande em nossas coisas Nós estamos pedindo a sua proteção Exu, o ouvidor, Venha ouvir nossas palavras e reivindicações
Proteja-nos ao sairmos de casa Proteja-nos ao voltarmos para casa, que a guerra deste mundo não consiga nos vencer Exu o dono dos caminhos
O caminho que Exu abre ninguém é capaz de fechar, venha abrir nossos caminhos
Aquele a quem Exu abrir os caminhos será o vencedor na guerra da vida Faça de nós vencedores Que o inimigo não consiga nos vencer
Aquele que tem seus caminhos abertos Terá saúde, o pai de todas as riquezas Exu o  imprevisto venha a nos proteger hoje com todas as forças axé.


Os 16 Títulos mais conhecidos de Exu
Exu Iangui - O Senhor da Pedra Vermelha “Laterita”
Exu Agbá - O Grande Senhor dos Ancestrais
Exu Igbá Ketá Igba - A Terceira Cabaça
Exu Okotô - O Senhor do Caracol
Exu Obá Babá Exu - O Rei e Pai de todos os Exus
Exu Odara - O Senhor Dos Bons Pedidos, da Felicidade
Exu Ojisé - O Mensageiro dos Orixás
Exu Eleru - O Senhor das Obrigações e Rituais
Exu Enu Gbarijo - O Senhor da Boca Coletiva
Exu Elegbara - O Senhor do Poder Mágico
Exu Bara - O Senhor do Corpo
Exu Onã - O Senhor dos Caminhos
Exu Olobé - O Senhor da Faca
Exu Elegbó - O Senhor dos Ebos e Oferendas
Exu Alafia - O Senhor da Satisfação Pessoal
Exu Odussô - O Vigia dos Odus


Aspectos Gerais



DIA: Segunda-feira. 
DATA: Todos os dias são de Exu.
METAL: Não tem, sua matéria é a terra em seu estado de pureza.
CORES: Preto (ou seja, a fusão das cores primárias) e vermelho.
COMIDAS: Farofa de azeite-de-dendê, ekó (acaçá), carne mal passada.
SÍMBOLOS: Ogó de forma fálica, falo ereto.
ELEMENTOS: Terra e fogo.
REGIÃO DA ÁFRICA: Exu é universal.
PEDRAS: Rubi e Granada.
FOLHAS: Folha de fogo, coração-de-negro,aroeira vermelha, figueira brava, bredo, urtiga.
ODU QUE REGE: Okarã e Ouarím.
DOMÍNIOS: Sexo, magia, união, poder e transformação.
SAUDAÇÃO: Laroié!
A saudação de Exu, Laroiê pode ser traduzida como Pessoa muito falante. Então ao dizermos Laroiê Exú estamos dizendo Exu o falante.

Arquétipo - Exu - Os filhos de Exu possuem uma personalidade imprevisível, impulsivos, misteriosos, provocadores, intrigantes, desconfiados, são inteligentes, compreensivos com os problemas dos outros e bons conselheiros. Não aceitam derrotas, são melindrosos, impacientes, por vezes agressivos, de temperamento difícil, muito vingativos sempre dão o troco. Possuem muita tendência à espiritualidade e mão de feitiço.  

Oriki de Exu

"Eke a pá eleké
Odalê a pá Odalê
Oun ti a ba se nisalé ilé
Oju Olodumare ni to
Difa fun Amokum se alê
To ni oba aye ko ri oun
Bi oba aye ko ri o nko

Oju Olodumare n'uo ô."



Tradução



Mentira matará o mentiroso

Traição matará o traidor
Tudo o que você faz em um lugar escondido
Todo poderoso Olodumare está observando
Estas sãos as declarações de Ifá para
Ele é quem usa a roupa da escuridão para roubar
E ele diz que ninguém toma conhecimento
Se os reis mundialmente não o vissem
Todo poderoso Olodumare está olhando para você.

"Exu otá Orixá
Oxeturá ni orukó babá mó ô
Alagogô ijá ni orukó iá mpé ê
Exu Odara, omokunrim Idolofim
O lê sonsô si ori essé elessé
Ko jé, ko jé ki eni njé gbe mi
A ki louô lai mu ti Exu kuró
A ki laió lai mu ti Exu kuró
A sã tum se ossi laini itiju
Exu apatá somo olomo lenu
O fi okutá dipó ió
Loguemo Orum, a nlá kalu
Pa apa uara, a tuka massê sá
Exu massê mi, omo elomirã ni o se."
Tradução
Exu, o que questiona os Orixás
Oxeturá é o nome pelo qual você é chamado por seu pai
Alagogô Ijá é o nome pelo qual você é chamado por sua mãe

Exu Odara, o homem forte de Idolofim
Exu, que senta no pé dos outros.
Que não come e não permite a quem está comendo que engula o alimento
Quem tem dinheiro, reserva para Exú a sua parte
Quem tem felicidade, reserva para Exú a sua parte
Exu, que joga nos dois times sem constrangimento
Exu, que faz uma pessoa falar coisas que não deseja
Exu, que usa pedra em vez de sal

Exu, o indulgente filho de Deus, cuja grandeza se manifesta em toda parte
Exu, apressado, inesperado, que quebra em fragmentos que não se poderá juntar novamente,
Exu, não me manipule, manipule outra pessoa.


"Igbá Exu Lalu
Exu ogá onilu
Atobajaiê, elessó ogum
Orili logum
Alagadá eié
Orokô ni ojô ebô lè
Exu tabirigbongbom
Abonijauá kumo
Exu olafé, asseni bani darô
Exu iuô lo xe babalaô
Ojô metadinlogum lo gbe odô Oiá
Exu ma se mi omo elemirã ni o xe
Exu ma se mi lu enia ma se enia lumi
Ma jeki a rijá re
Iuô lo se iauô, ti fi ko okô re silê
Exu ma se mi, omo elomirã ni o se
Iuô lo se enia to fi binu soku
Iuô lo se enia to di ko sodó
Exu ma se mi, omo elomirã ni o se
Ibukum pupo ni emi fé lodô re
Eu iuô ni ilerá
Abô, egbegá, irê orô bem louô re
Jouô ki ouá fum mi ni nkã uoni
Exu Elegbara, gbo mi kiakiá
Exu ma se mi, omo elomirã ni ki o se
Axé."
Tradução 
Exu eu te saúdo. 
Exu homem forte na cidade, pessoa suficiente para ficar no lado em toda a vida.
Pessoa que tem frutas medicinais.
Você que monta cavalo de banheiro para entrar no quarto, você que tem medicina forte.
Você é uma pessoa que vai embora quando o sacrifício ficou estragado.
Você que acha um bastão para aquele que briga.
Exu, o apitador que dá danos na gente, ainda simpatiza conosco.
Exu, você quem provocou Babalaô e fez ele ficar na casa de Oiá por dezessete dias.
Exu, não me faça mal no filho do outro.
Exu, não me provoca contra qualquer pessoa e não provoca as pessoas contra mim.
Exu, para nada acontecer para os meus filhos.
Exu, para nada acontecer para minha família.
Não deixa ver a sua raiva, você quem provocou o rei para sair do trono.
Você quem provocou a esposa a deixar seu marido.
Exu não faça mal, faça mal no filho do outro.
Eu quero prosperidade de você, Exu, você que é o dono de saúde, proteção,
Promoção, bondade e prosperidade, por favor, me dê tudo isto.
Exu Elegbara (Senhor do poder), me ouve depressa, Exu, não me faça mal, faz mal nos filhos dos outros.
Axé.
fonte: http://obakeloje.webs.com/exueancestralidade.htm

segunda-feira, 18 de maio de 2015

CANDOMBLÉ




Candomblé, culto dos orixás, de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas principalmente no Brasil, pelo chamado povo do santo, mas também em outros países como Uruguai, Argentina, Venezuela, Colômbia, Panamá e México. Na Europa: Alemanha, Itália, Portugal e Espanha.
A religião que tem por base a anima (alma) da Natureza, sendo portanto chamada de anímica, foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que foram escravizados e trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus Orixás/Inquices/Voduns, sua cultura, e seu idioma, entre 1549 e 1888.
Diz Clarival do Prado Valladares em seu artigo «A Iconologia Africana no Brasil», na Revista Brasileira de Cultura (MEC e Conselho Federal de Cultura), ano I, Julho-Setembro 1999, p. 37, que o «surgimento dos candomblés com posse de terra na periferia das cidades e com agremiação de crentes e prática de calendário verifica-se incidentalmente em documentos e crônicas a partir do século XVIII». O autor considera difícil para «qualquer historiador descobrir documentos do período anterior diretamente relacionados à prática permitida, ou subreptícia, de rituais africanos». O documento mais remoto, segundo ele, seria de autoria de D. Frei Antonio de Guadalupe, Bispo visitador de Minas Gerais em 1726, divulgado nos «Mandamentos ou Capítulos da visita».
Embora confinado originalmente à população de negros escravizados, proibido pela igreja católica, e criminalizado mesmo por alguns governos, o candomblé prosperou nos quatro séculos, e expandiu consideravelmente desde o fim da escravatura em 1888. Estabeleceu-se com seguidores de várias classes sociais e dezenas de milhares de templos. Em levantamentos recentes, aproximadamente 3 milhões de brasileiros (1,5% da população total) declararam o candomblé como sua religião.[1] Na cidade de Salvador existem 2.230 terreiros registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-brasileiros e catalogado pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, (Universidade Federal da Bahia) Mapeamento dos Terreiros de Candomblé de Salvador. Entretanto, na cultura brasileira as religiões não são vistas como mutuamente exclusivas, e muitos povos de outras crenças religiosas — até 70 milhões, de acordo com algumas organizações culturais Afro-Brasileiras — participam em rituais do candomblé, regularmente ou ocasionalmente[2]. Orixás do Candomblé, os rituais, e as festas são agora uma parte integrante da cultura e uma parte do folclore brasileiro.
O Candomblé não deve ser confundido com Umbanda, Macumba e/ou Omoloko, outras religiões afro-brasileiras com similar origem; e com religiões afro-americanas similares em outros países do Novo Mundo, como o Vodou haitiano, a Santeria cubana, e o Obeah, em Trinidade e Tobago, os Shangos (similar ao Tchamba [3][4] africano, Xambá e ao Xangô do Nordeste do Brasil) o Ourisha, de origem yorubá, os quais foram desenvolvidas independentemente do Candomblé e são virtualmente desconhecidos no Brasil.

Nações

Os negros escravizados no Brasil pertenciam a diversos grupos étnicos, incluindo os yoruba, os ewe, os fon, e os bantu. Como a religião se tornou semi-independente em regiões diferentes do país, entre grupos étnicos diferentes evoluíram diversas "divisões" ou nações, que se distinguem entre si principalmente pelo conjunto de divindades veneradas, o atabaque (música) e a língua sagrada usada nos rituais.
A lista seguinte é uma classificação pouco rigorosa das principais nações e sub-nações, de suas regiões de origem, e de suas línguas sagradas:

Crenças

Candomblé é uma religião "monoteísta"[6], embora alguns defendam a ideia que são cultuados vários deuses, o deus único para a Nação Ketu é Olorum, para a Nação Bantu[7] é Nzambi e para a Nação Jeje é Mawu, são nações independentes na prática diária e em virtude do sincretismo existente no Brasil a maioria dos participantes consideram como sendo o mesmo Deus da Igreja Católica.
Os Orixás/Inquices/Voduns recebem homenagens regulares, com oferendas de animais, vegetais e minerais, cânticos, danças e roupas especiais. Mesmo quando há na mitologia referência a uma divindade criadora, essa divindade tem muita importância no dia-a-dia dos membros do terreiro, como é o caso do Deus Cristão que na maioria das vezes são confundidos.
O Candomblé cultua, entre todas as nações, umas cinquenta das centenas deidades ainda cultuadas na África. Mas, na maioria dos terreiros das grandes cidades, são doze as mais cultuadas. O que acontece é que algumas divindades têm "qualidades", que podem ser cultuadas como um diferente Orixá/Inquice/Vodun em um ou outro terreiro. Então, a lista de divindades das diferentes nações é grande, e muitos Orixás do Ketu podem ser "identificados" com os Voduns do Jejé e Inquices dos Bantu em suas características, mas na realidade não são os mesmos; seus cultos, rituais e toques são totalmente diferentes.
Orixás têm individuais personalidades, habilidades e preferências rituais, e são conectados ao fenômeno natural específico (um conceito não muito diferente do Kami do japonês Xintoísmo). Toda pessoa é escolhida no nascimento por um ou vários "patronos" Orixás, que um babalorixá identificará. Alguns Orixás são "incorporados" por pessoas iniciadas durante o ritual do candomblé, outros Orixás não, apenas são cultuados em árvores pela coletividade. Alguns Orixás chamados Funfun (branco), que fizeram parte da criação do mundo, também não são incorporados.

Sincretismo

No tempo das senzalas os negros para poderem cultuar seus Orixás, Inkices e Voduns usaram como camuflagem um altar com imagens de santos católicos e por baixo os assentamentos escondidos, segundo alguns pesquisadores este sincretismo já havia começado na África, induzida pelos próprios missionários para facilitar a conversão.
Depois da libertação dos escravos começaram a surgir as primeiras casas de candomblé, e é fato que o candomblé de séculos tenha incorporado muitos elementos do Cristianismo. Crucifixos e imagens eram exibidos nos templos, Orixás eram freqüentemente identificados com Santos Católicos, algumas casas de candomblé também incorporam entidades caboclos, que eram consideradas pagans como os Orixás.
Mesmo usando imagens e crucifixos inspiravam perseguições por autoridades e pela Igreja, que viam o candomblé como paganismo e bruxaria, muitos mesmo não sabendo nem o que era isso.
Nos últimos anos, tem aumentado um movimento "fundamentalista" em algumas casas de candomblé que rejeitam o sincretismo aos elementos Cristãos e procuram recriar um candomblé "mais puro" baseado exclusivamente nos elementos Africanos.

Templos

Ilê Axé Opó Afonjá
Os Templos de candomblé são chamados de casas, roças ou Terreiros. As casas podem ser de linhagem matriarcal, patriarcal ou mista:
  • Casas pequenas, que são independentes, possuídas e administradas pelo babalorixá ou iyalorixá dono da casa e pelo Orixá principal respectivamente. Em caso de falecimento do dono, a sucessão na maioria das vezes é feita por parentes consanguineos, caso não tenha um sucessor interessado em continuar a casa é desativada. Não há nenhuma administração central.
  • Casas grandes, que são organizadas tem uma hierarquia rígida, não é de propriedade do sacerdote, nem toda casa grande é tradicional, é uma Sociedade Civil ou Beneficente.
    • Casas de linhagem matriarcal: (só mulheres) assumem a liderança da casa como Iyalorixá.
      • Ilé Axé Iyá Nassô Oká - Casa Branca-Engenho Velho - considerada a primeira casa a ser aberta em Salvador, Bahia
      • Ilê Maroiá Lájié - Mãe Olga de Alaketu - Fundada em 1636 no Matatu de Brotas por Otampé Ojarô
      • Ilé Iyá Omi Axé Iyámase do Gantois - Terreiro do Gantois - Salvador, Bahia
      • Ilé Axé Opó Afonjá - Opó Afonjá - Salvador, Bahia e Coelho da Rocha, Rio de Janeiro
      • Kwe Kpodaba - Asé Podaba - fundado em 1851 - Rio de Janeiro
      • Ilé Omo Oyá Legi - Mesquita, Rio de Janeiro
      • Zoogodô Bogum Malê Rondó - Terreiro do Bogum - Salvador, Bahia
      • Querebentan de Zomadônu - Casa das Minas - fundada +/- 1796 - São Luiz, Maranhão
      • Ile Axé Íyà Atara Magbá - Santa Cruz da Serra - RJ. Fundada e dirigida até hoje por Omindarewa de Yemanja
    • Casas de linhagem mista: tanto homens como mulheres podem assumir a liderança da casa.
A lei federal nº. 6.292 de 15 de Dezembro de 1975 protege os terreiros de candomblé no Brasil, contra qualquer tipo de alteração de sua formação material ou imaterial. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Instituto Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) são os responsáveis pelo tombamento das casas.
A progressão na hierarquia é condicionada ao aprendizado e ao desempenho dos rituais longos da iniciação. Em caso de morte de uma ialorixá, a sucessora é escolhida, geralmente entre suas filhas, na maioria das vezes por meio de um jogo divinatório Opele-Ifa ou jogo de búzios. Entretanto a sucessão pode ser disputada ou pode não encontrar um sucessor, e conduz frequentemente a rachar ou ao fechamento da casa. Há somente três ou quatro casas em Brasil que viram seu 100° aniversário.

No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi, são separados por tipo de iniciação do sacerdócio.

Sacerdócio

Nas Religiões Afro-brasileiras o sacerdócio é dividido em:
FONTE: http://ile-alaketu.webnode.com.br/candomble/

NAÇÃO KETU



Candomblé Ketu (pronuncia-se queto) é a maior e a mais popular "nação" do Candomblé, uma das Religiões afro-brasileiras.
No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, Bahia. Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs estavam os Yoruba (Iorubá). Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes.
Teve inicio em Salvador, Bahia, de acordo com as lendas contadas pelos mais velhos, algumas princesas vindas de Oyó e Ketu na condição de escravas, fundaram um terreiro num engenho de cana. Posteriormente, passaram a reunir-se num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade de Jeje-Nagô pretextando a construção e manutenção da primitiva Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, atual Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha que, segundo historiadores, efetivamente conta com cerca de três séculos de existência.[1]
No Brasil Colônia e depois, já com o país independente mas ainda escravocrata, proliferaram irmandades. "Para cada categoria ocupacional, raça, nação - sim, porque os escravos africanos e seus descendentes procediam de diferentes locais com diferentes culturas - havia uma. Dos ricos, dos pobres, dos músicos, dos pretos, dos brancos, etc. Quase nenhuma de mulheres, e elas, nas irmandades dos homens, entraram sempre como dependentes para assegurarem benefícios corporativos advindos com a morte do esposo. Para que uma irmandade funcionasse, diz o historiador João José Reis, precisava encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica".
Muitas conseguiram construir a sua própria Igreja como a Igreja do Rosário da Barroquinha, com a qual a Irmandade da Boa Morte manteve estreito contato. O que ficou conhecido como devoção do povo de candomblé. O historiador cachoeirano Luiz Cláudio Dias Nascimento afirma que os atos litúrgicos originais da Irmandade de cor da Boa Morte eram realizados na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, templo tradicionalmente freqüentado pelas elites locais. Posteriormente as irmãs transferiram-se para a Igreja de Santa Bárbara, da Santa Casa da Misericórdia, onde existem imagens de Nossa Senhora da Glória e da Nossa Senhora da Boa Morte. Desta, mudaram-se para a bela Igreja do Amparo desgraçadamente demolida em 1946 e onde hoje encontram-se moradias de classe média de gosto duvidoso. Daí saíram para a Igreja Matriz, sede da freguesia, indo depois para a Igreja da Ajuda.
O fato é que não se sabe ao certo precisar a data exata da origem da Irmandade da Boa Morte. Odorico Tavares arrisca uma opinião: a devoção teria começado mesmo em 1820, na Igreja da Barroquinha, tendo sido os Jejes, deslocando-se até Cachoeira, os responsáveis pela sua organização. Outros ressaltam a mesma época, divergindo quanto à nação das pioneiras, que seriam alforriadas Ketu. Parece que o “corpus” da irmandade continha variada procedência étnica já que fala-se em mais de uma centena de adeptas nos seus primeiros anos de vida.
Essas confrarias eram os locais onde se reuniam as sacerdotisas africanas já libertas (alforriadas) de várias nações, que foram se separando conforme foram abrindo os terreiros. Na comunidade existente atrás da capela da confraria foi construído o Candomblé da Barroquinha pelas sacerdotisas de Ketu que depois se transferiram para o Engenho Velho, ao passo que algumas sacerdotisas de Jeje deslocaram-se para o Recôncavo Baiano para Cachoeira e São Félix para onde transferiram a Irmandade da Boa Morte e fundaram vários terreiros de candomblé jeje sendo o primeiro Kwé Cejá Hundé ou Roça do Ventura.
O Candomblé Ketu ficou concentrado em Salvador, depois da transferência do Candomblé da Barroquinha para o Engenho Velho passou a se chamar Ilê Axé Iyá Nassô mais conhecido como Casa Branca do Engenho Velho sendo a primeira casa da nação Ketu no Brasil de onde saíram as Iyalorixás que fundaram o Ilê Axé Opô Afonjá e o Terreiro do Gantois.

Orixás

Os Orixás do Ketu são basicamente os da Mitologia Yoruba.
Olorun também chamado Olodumare é o Deus supremo, que criou as divindades ou Orixás (Òrìsà em yoruba). As centenas de orixás ainda cultuados na África, ficou reduzida a um pequeno número que são invocados em cerimônias:
  • Exu, Orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
  • Ogum, Orixá do ferro, guerra, fogo, e tecnologia.
  • Oxóssi, Orixá da caça e da fartura.
  • Logunedé, Orixá jovem da caça e da pesca
  • Xangô, Orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
  • Ayrà, Usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô.
  • Obaluaiyê, Orixá das doenças epidérmicas e pragas, Orixá da Cura.
  • Oxumaré, Orixá da chuva e do arco-íris, o Dono das Cobras.
  • Ossaim, Orixá das Folhas, conhece o segredo de todas elas.
  • Oyá ou Iansã, Orixá feminino dos ventos, relâmpagos, tempestades, e do Rio Niger
  • Oxum, Orixá feminino dos rios, do ouro, jogo de búzios, e amor.
  • Iemanjá, Orixá feminino dos lagos, mares e fertilidade, mãe de muitos Orixás.
  • Nanã, Orixá feminino dos pântanos e da morte, mãe de Obaluaiê.
  • Yewá, Orixá feminino do Rio Yewa.
  • Obá, Orixá feminino do Rio Oba, uma das esposas de Xangô
  • Axabó, Orixá feminino da família de Xangô
  • Ibeji, Orixá dos gêmeos
  • Irôco, Orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
  • Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
  • Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira.
  • Onilé, Orixá do culto de Egungun
  • Oxalá, Orixá do Branco, da Paz, da Fé.
  • OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos.
  • Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmila, Orixá da Adivinhação e do destino.
  • Odudua, Orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
  • Oranian, Orixá filho mais novo de Odudua
  • Baiani, Orixá também chamado Dadá Ajaká
  • Olokun, Orixá divindade do mar
  • Olossá, Orixá dos lagos e lagoas
  • Oxalufon, Qualidade de Oxalá velho e sábio
  • Oxaguian, Qualidade de Oxalá jovem e guerreiro
  • Orixá Oko, Orixá da agricultura
Na África cada Orixá estava ligado originalmente a uma cidade ou a um país inteiro. Tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais. Sàngó em Oyó, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ogún em Ekiti e Ondo, Òsun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inisa, Osàálà-Obàtálá em Ifé, subdivididos em Osàlúfon em Ifan e Òságiyan em Ejigbo
No Brasil, em cada templo religioso são cultuados todos os Orixás, diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada Orixá, nas casas menores são cultuados em um único quarto de santo (termo usado para designar o quarto onde são cultuados os Orixás).

Ritual

O Ritual de uma casa de Ketu, é diferente das casas de outras nações, a diferença está no idioma, no toque dos Ilus (Atabaque no Ketu), nas cantigas, nas cores usadas pelos Orixás, os rituais mais importantes são: Padê, Sacrifício, Oferenda, Sassayin, Iniciação, Axexê, Olubajé, Águas de Oxalá, Ipeté de Oxum,...
A língua sagrada utilizada em rituais do Ketu é o (Iorubá ou Nagô) é derivado da língua Yoruba. O povo de Ketu procura manter-se fiel aos ensinamentos das africanas que fundaram as primeiras casas, reproduzem os rituais, rezas, lendas, cantigas, comidas, festas, esses ensinamentos são passados oralmente até hoje. (ver oralidade)

Hierarquia

As posições principais do Ketu (são chamados de cargo ou posto, em yoruba Olóyès , Ogãns e Àjòiès), em termos de autoridade, são:
O cargo de autoridade máxima dentro de uma casa de candomblé é o de Iyálorixá (mulher - mãe-de-santo) ou Babalorixá (homem - pai-de-santo. São pessoas escolhidas pelos Orixás para ocupar esse posto. São sacerdotes, que após muitos anos de estudo adquiriram o conhecimento para tal função. Existem casos que a pessoa escolhida através do jogo de búzios ainda não estar preparada para assumir o posto, nesse caso terá que ser assistida por todos Egbomis (meu irmão mais velho) da casa para obter o conhecimento necessário.
  1. Iyalorixá ou Babalorixá: A palavra iyá do yoruba significa mãe, babá significa pai.
  2. Iyakekerê (mulher): mãe pequena, segunda sacerdotisa.
  3. Babakekerê (homem): pai pequeno, segundo sacerdote.
  4. Iyalaxé (mulher): cuida dos objetos ritual.
  5. Ojubonã ou Agibonã: mãe criadeira, supervisiona e ajuda na iniciação
  6. Egbomi: Ou Egbomi são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: meu irmão mais velho).
  7. Iyabassê: (mulher): responsável pela preparação das comidas-de-santo
  8. Iaô: filho-de-santo (que já entra em transe).
  9. Abiã ou abian: Novato.
  10. Axogun: responsável pelo sacrifício dos animais. (não entram em transe).
  11. Alagbê: Responsável pelos atabaques e pelos toques. (não entram em transe).
  12. Ogâ ou Ogan: Tocadores de atabaques (não entram em transe).
  13. Ajoiê ou ekedi: Camareira do Orixá (não entram em transe). Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Gantois, de "Iyárobá" e na Angola, é chamada de "makota de angúzo", "ekedi" é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil. (em edição)
 
fonte: http://ile-alaketu.webnode.com.br/candomble-ketu/
 

domingo, 17 de maio de 2015

Iniciação à Ifá

Os passos da caminhada ao sacerdócio na vida de um Babalawo são de grande sacrifício. Com a opção pela vida sacerdotal feita, consulta-se Ifá para que seja indicado o melhor Sacerdote. Sendo aceito, a partir daí, serão providenciados os ritos de iniciação onde ele receberá seu Odú de nascimento e seu Òpèlè Kàrágbá (Òpèlè para treinamento), que “não tem valor litúrgico”, este último servindo somente para o estudo e aprendizado. Ao longo de no mínimo sete anos de aprendizado, o Omo-awo poderá vir a ser um Babalawo se houver adquirido o conhecimento da natureza humana,
nesse período o Omo-awo vai aprender a obedecer a uma hierarquia rígida submetida a seu Sacerdote (Oluwo).
O Omo-awo deverá ser humilde, devoto, paciente, perseverante, incansável, solidário, cooperativo, ético, seguindo a conduta dos mais velhos, aprendendo a ser responsável e desenvolvendo a capacidade comunicativa. É impedido a ele a mentira, o roubo, a ganância, e o adultério.
Durante o período de dois anos, o Omo-awo vai aprender a usar o Òpèlè Kàrágbá (Òpèlè para treinamento). Nesse período ele vai aprender os dezesseis Odùs Principais e, dependendo de sua capacidade de memorização, irá aprender de dois a dezesseis Itans (contos sobre cada um deles). Tendo memorizado os Odùs principais e seus Itans, ele deverá iniciar os estudos e memorização dos Omo Odù, que são as combinações dos odùs principais. Depois de obter o conhecimento devido e estar apto a ser um Babalawo, o iniciado deve se submeter ao ritual de Ipanodú, onde adquire o elemento principal e indispensável para que ele possa iniciar outras pessoas, a cabaça da existência (Igbá-odú) e Opá Osu, tornando-se, assim, um Oluwo Ifá.
O processo de iniciação em Ifá ocorre diferentemente dos processos de iniciação em outros Òrìşá. Essa diferença consiste em que as evocações, acompanhadas dos sons dos ilù (tambores), não induzem ao transe e nem a incorporação, como acontece no culto aos Òrìşá. É fundamental notar que a iniciação em Ifá, se da única e exclusivamente pelo processo de busca de conhecimento, isto significa a tomada de consciência a respeito da própria responsabilidade pelo curso existencial. No processo ocorre; ritos sagrados de conhecimento exclusivo dos Babalawo – ifá que possuam Igba – odù.
Na cerimônia chamada IŞEFÁ, o iniciado passa por alguns sacrifícios (ebó), chamado de Ifá Adawomi (primeiro ritual), para controlar e adequar sua energização antes de entrar na floresta sagrada que chamamos de IGBODU. Depois de alguns dias, ele (a) reconhece seus tabus (Ewo) através do seu odù (destino) e o caminho a ser trilhado (ritual chamado de odú ita). Existem pessoas que apenas iniciam-se a este ritual exclusivamente para melhorar sua espiritualidade e sua vida, deixando de lado os estudos e levando sua história na maior normalidade. Este tipo de iniciado é chamado de awo aşoşe, e existem também aqueles omo awo Ifá chamados awo elegan, o qual Òrìşá Odù permite somente realizar ebó, e não iniciar outrem a Ifá ou Òrìşá. O iniciado que quer passar por treinamento, deve estudar abundantemente. Este awo Ifá passará por muitos testes na vida, e será sempre supervisionado por seu Ojugbonon (o Babalawo de ensinamentos), para que ele não cometa erros durante os rituais a serem realizados.
IŞEFÁ (Primeira mão de Ifá)
Işefá, normalmente muitas pessoas o procuram para ter mais conhecimento sobre a vida e seu pessoal, sendo que o novo iniciado consegue aprender com seu Babalawo a controlar seu caráter, ter mais paciência, saber ver mais o certo e o errado, saber se defender e, principalmente, organizar de uma maneira mais fácil sua vida. O OMO IFÁ, aprende também como cuidar dos ikin (caroços de dendê), de maneira que seu Ifá o permitir.
ITELODU (Segunda mão de Ifá)
O ritual de itelodu é importante para saber o destino de cada pessoa, além de mudar ou concertar o destino do iniciado, este ritual serve de impulso para o iniciado aprimorar por toda sua vida, os seus estudos e suas práticas religiosas. Uma pessoa é um verdadeiro Babalawo, pelo fato de saber responder questões que Ifá permita, e seu Oluwo e Ojugbonon o aprovar através do ritual Odú. O Babalawo treina a vida toda, os itans ifá (corpus literários), rezas tais como oriki, adura, igede, ofó (para fazer medicinas) e utiliza vários instrumentos adivinhatórios como opele ifá (rosário) e ikin ifá (caroços de dendê).
APETEBI e IYANIFÁ
São cargos para mulheres dentro do culto de Ifá. A Apetebi é a esposa do Babalawo, e ela pode ter conhecimento ou não da filosofia de Ifá. Este título só a caberá se ela for casada com um Babalawo, como explica no odù ifá Obara Irete. A Apetebi normalmente além de cuidar do templo, ela deve rezar a Ifá, e às vezes agradá-lo com as nozes de cola (obi) nos Oşe Ifá (semana de Ifá), comidas, bebidas, etc.
A Iyanifá é um título para qualquer mulher que se submete a formação de conhecimento a Ifá, e passa por todas as etapas da iniciação, tal forma que, uma Apetebi também pode se tornar uma Iyanifá se passar pela iniciação e por todo treinamento de Ifá, igual a um Babalawo. A palavra Iyanifá foi derivada de Iyá Onifá, que significa Mãe em Ifá ou sacerdotisa de Ifá. Iyanifá não se designa apenas as mulheres anciãs, mas sim pelo conhecimento dela dentro do culto a Ifá, que é o mesmo seguimento de um Babalawo, ela pode ser jovem. Iyanifá pode, além de tudo mencionado acima para as Apetebi, recitar versos de Ifá a partir dos odùs, permitida a ela também participar de reuniões no templo de Ifá, fechado somente aos sacerdotes, e até mesmo aconselhar um babalawo quando possível em reuniões espirituais. A única exceção aos rituais de iniciação de uma Iyanifá é que ela é proibida de olhar a cabaça da existência(Igba – odù).

sábado, 16 de maio de 2015

Xirê para pais Ogun,Oxossi e ossaem

Na noite do último sábado, 16, o Ilê asé São Miguel Arcanjo ,com zeladoria de Paulo de Oxossi, realizou uma grande festa para homenagear os orixás da caça, das folhas e do ferro.


Foi um noite muito agradável com muito energia positiva que prolongou se por todo o ambiente e que     Abraçou a todos os visitantes,amigos e filhos de Paulo .
Foi abrilhantada ainda mais com  a presença  do ilê asé de Miguel Couto, do estado do Rio de Janeiro, da matriarca iyalorixa Debora de Osun, de vários zeladores da capital mineira.
Pai Paulo agradece a presença de todos e o empenho dos filhos que cada qual contribuiu a sua maneira e possibilidade, para que tudo ocorresse com a mais perfeita ordem.