VENHA JOGAR BUZIOS
CONSULTE COM "O CATIÇO" SEU TRANCA RUA. Estamos no bairro Floresta em Belo Horizonte- M.G.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Mediunidade no Candomblé
Todos nós adeptos do Candomblé ou de alguma outra religião de matriz africanas, pertencemos ao grande rol dos que se denominam ESPIRITUALISTAS.Nesse contexto, o que queremos aqui propor, é que não só no Espiritismo Kardecista ou na Umbanda o médiun está propondo uma edificação moral e uma evolução no caminho da sua espiritualidade.Também nós no Candomblé estamos diariamente trabalhando nossa mediunidade, isso inclui também aqueles que não entram em transe , como Ekejis, Ogáns, Olosayin entre outros (tais como aqueles que se denominam médiuns doutrinadores no Kardecismo e Cambonos na Umbanda).Todos nós formamos uma grande corrente da qual a espiritualidade faz uso para poder evoluir concomitantemente com nós outros.Ao yawó, muzenza ou vodunci, que pensa que candomblé é só ritual, está completamente enganado!As questões filosóficas do Candomblé estão presentes aí há milhares de anos, desde antes da chegada dos africanos na América.O Culto a Orunmila (Divindade e Senhor do Destino) talvez seja a que mais aprofunde, nos dias actuais,nesta questão.O culto a Orunmila propôe um profundo conhecimento em Itans (lendas /histórias) baseadas em narrativas de contos e cotidiano dos yorubás no grande continente negro há muito séculos.Muitas vezes essas narrativas e/ou contos versam sobre situações corriqueiras onde os animais (a hiena, o pombo, o antílope etc.) são os protagonistas.Sempre trazendo como pano de fundo uma visão moral de uma determinada situação, que sempre acaba por responder a uma questão por nós indagada.O conhecimento em Ifá (Oráculo divinatório e/ou Orunmila) corresponde ao crescimento moral e ético de cada ser humano, uma vez que essa deidade explica através de seus odus (caminhos kármicos ou dármicos) a missão de cada ser humano nessa existencia.Outro culto importantíssimo no candomblé é o culto ao Orí (Cabeça), sendo essa divindade a principal e primeira a ser cultuada pelos africanos (por ter sido ela quem nos trouxe ao mundo e portanto nos guiará sobre ele).O Orí determinará quais os irunmalés, eboras ou orisás deverão ser cultuados por cada um de nós, mas sempre é o ori quem irá determinar, pois nada será feito nem efetivado sem a permissão deste.Algumas pessoas se iniciam no candomblé, cultuam seus irunmales(orisas) mas não conseguem atingir determinados objetivos, e acabam por culpar a religião pelos seus fracassos,ignorando a realidade de que nem tudo o que queremos nos será dado, pois como já disse o Cristo Ecumênico: "A cada um será dado segundo suas obras".E muitas vezes estamos ainda "colhendo" aquilo que plantamos em nossas vidas passadas, e em prol desta realidade estaremos vivendo um odu iré(positivo) ou ibí(negativo), o que nos é revelado pelo Ifá através de Orunmila.Portanto, não basta apenas raspar a cabeça, adoxar e gritar o urunkò do seu orisa no barracão e pensar que depois disso tudo será um mar de rosas.Muito pelo contrário!Aí é que vai começar a nossa nova caminhada!Orisa é apenas um copo dágua no meio do deserto sob uma pequena árvore para nos refrescar!Mas a caminhada deve prosseguir! E seremos nós mesmos, sempre orientados pelo nosso Orí é quem iremos definir o nosso caminho rumo a um futuro bom ou ruim.Orunmila será sempre o nosso mentor nesta estrada pois é a ele quem sempre iremos buscar para não tropeçarmos em nós mesmos.Os orisas serão sempre os nossos anjos guardiães que estarão sempre prontos a nos inspirarem bons pensamentos e boas ações e o nosso orí será o executor de nossas idéias.Àqueles que não conseguem mudar, que apesar de todos os ritos da iniciação continuam a pensar que o Candomblé é uma religião MÁGICA, que como uma simples varinha de condão irá mudar tudo em suas vidas, eu só posso recomendar-lhes que procurem outra religião porque o candomblé não faz milagres em quem não é santo!Ou seja, como nenhum de nós somos, só nos resta compreendermos que estamos numa seara de entidades ancestrais que ligadas a natureza servem de instrumentos para que possamos "desenvolvermos" mediúnicamente para que quando Olorum nos chame desta vida, possamos dela sair em melhor situação do que quando cá entramos.E para que isso aconteça, precisamos ter antes de mais nada COMPROMISSO ESPIRITUAL! E isso não é nada fácil eu vos garanto!Mas, os oris-burukus(cabeças negativas) eu recomendo que busquem outro caminho, porque "não existe céu baixo para ninguém", nem no Candomblé e nem em religião alguma!
POR: Leonardo d´Ajaguna (Baba Alafandejò).
POR: Leonardo d´Ajaguna (Baba Alafandejò).
Quaresma e Religiões de Matriz Africanas
QUARESMA E RELIGIÕES DE MATRIZES AFRICANAS
POR: BABA Leonardo Cristiane Campos
Há muito as religiões de matrizes africanas (especialmente o Candomblé) romperam com as tradições do catolicismo no Brasil. Um fato ostensivo deste dessincretismo religioso é o rompimento definitivo de muitos terreiros do culto aos orixás com o chamado LOROGUM, em seus calendários religiosos.
Devido a muitos aspectos do sincretismo afro-católico no Brasil, os orixás (deidades do panteão africano) foram cultuados em formas paralelas aos santos do catolicismo, estabelecendo assim uma forma de os escravos enganarem aos seus senhores, dizendo estarem cultuando os santos católicos às suas formas, entretanto estavam mesmo era cultuando seus deuses (orixás, n´kices, voduns etc.).
Esta prática perdurou por muito tempo ainda após a Abolição da Escravatura, até que no ano de 1984, na cidade de Salvador (Estado de Bahia), mães-de-santo famosas promoveram um movimento que repercutiu em todo o país, em prol do reconhecimento do Candomblé como religião, e não como seita, ou parte do folclore brasileiro:
Ao público e ao povo do candomblé: vinte e sete de julho passado deixamos pública nossa posição a respeito do fato de nossa religião não ser uma seita, uma prática animista primitiva. Consequentemente rejeitamos o sincretismo como fruto da nossa religião, desde que ele foi criado pela escravidão. . . Candomblé não é uma questão de opinião. É uma realidade religiosa... (CAMPOS: 2003. P.106).
Tal manifesto ficou conhecido popularmente sob o slogan: Santa Bárbara não é Iansã, que procurava demonstrar ao povo-do-santo e ao leigo em geral, que os santos do catolicismo nada tinham em comum com os orixás, n, kices ou voduns.
Ao mesmo tempo, procuraram demonstrar que o negro/afro-descendente era tão fiel a suas raízes quando realizavam seus rituais nos terreiros de Candomblé como quando iam às missas nas igrejas católicas demonstrando assim sua fé ao cristianismo e também aos seus santos.
Uma dessas rupturas sincréticas logo assumidas, por terreiros antigos da cidade de Salvador e do recôncavo baiano, foi o ato de, durante todo o período da quaresma, cobrir os igbás (fetiches que simbolizam os assentamentos dos orixás no candomblé), seguindo assim um modelo tipicamente cristão, onde as imagens católicas são cobertas de tecidos roxos em respeito ao sofrimento e à agonia da Paixão de Cristo.
Dessa forma, tocava-se o LOROGUM (rito em que os orixás se despedem dos adeptos e neófitos como se partissem para a África, retornando somente no sábado de aleluia.) e mantinham o silêncio e reduziam suas atividades religiosas em muito (apenas jogos-de-búzios, pequenos ebós [trabalhos espirituais simples] e não se iniciava yaôs [noviços] durante todo o período de quaresma).
Hoje o que se percebe na maioria dos terreiros de Candomblé, principalmente nos de nação Nagô (Ketu,Ijexá, Efon) e Gêge (Mahin ou vodun), é um dessincretismo afro-católico em detrimento de uma reafricanização dos cultos, onde sacerdotes e sacerdotisas buscam cada vez mais ritos e semelhanças com os cultos ainda praticados em África Setentrional (Nigéria, Benin etc.), ficando assim cada vez mais distantes das reminiscências do catolicismo.
Outra prática também bastante repudiada por pais e mães-de-santo, é a chamada ROMARIA. Segundo a Yalorixá Stella Azevedo (uma das mais importantes mães-de-santo da Bahia atualmente), mais conhecida como Odé kaiodê (seu urunkò africano), “uma pai ou mãe-de-santo que após os 21 dias de iniciação de seu filho-de-santo, leva-o para assistir a uma missa ou bater paó (louvar) na porta da Igreja, certamente ainda está preso aos grilhões da escravidão”.
POR: BABA Leonardo Cristiane Campos
Há muito as religiões de matrizes africanas (especialmente o Candomblé) romperam com as tradições do catolicismo no Brasil. Um fato ostensivo deste dessincretismo religioso é o rompimento definitivo de muitos terreiros do culto aos orixás com o chamado LOROGUM, em seus calendários religiosos.
Devido a muitos aspectos do sincretismo afro-católico no Brasil, os orixás (deidades do panteão africano) foram cultuados em formas paralelas aos santos do catolicismo, estabelecendo assim uma forma de os escravos enganarem aos seus senhores, dizendo estarem cultuando os santos católicos às suas formas, entretanto estavam mesmo era cultuando seus deuses (orixás, n´kices, voduns etc.).
Esta prática perdurou por muito tempo ainda após a Abolição da Escravatura, até que no ano de 1984, na cidade de Salvador (Estado de Bahia), mães-de-santo famosas promoveram um movimento que repercutiu em todo o país, em prol do reconhecimento do Candomblé como religião, e não como seita, ou parte do folclore brasileiro:
Ao público e ao povo do candomblé: vinte e sete de julho passado deixamos pública nossa posição a respeito do fato de nossa religião não ser uma seita, uma prática animista primitiva. Consequentemente rejeitamos o sincretismo como fruto da nossa religião, desde que ele foi criado pela escravidão. . . Candomblé não é uma questão de opinião. É uma realidade religiosa... (CAMPOS: 2003. P.106).
Tal manifesto ficou conhecido popularmente sob o slogan: Santa Bárbara não é Iansã, que procurava demonstrar ao povo-do-santo e ao leigo em geral, que os santos do catolicismo nada tinham em comum com os orixás, n, kices ou voduns.
Ao mesmo tempo, procuraram demonstrar que o negro/afro-descendente era tão fiel a suas raízes quando realizavam seus rituais nos terreiros de Candomblé como quando iam às missas nas igrejas católicas demonstrando assim sua fé ao cristianismo e também aos seus santos.
Uma dessas rupturas sincréticas logo assumidas, por terreiros antigos da cidade de Salvador e do recôncavo baiano, foi o ato de, durante todo o período da quaresma, cobrir os igbás (fetiches que simbolizam os assentamentos dos orixás no candomblé), seguindo assim um modelo tipicamente cristão, onde as imagens católicas são cobertas de tecidos roxos em respeito ao sofrimento e à agonia da Paixão de Cristo.
Dessa forma, tocava-se o LOROGUM (rito em que os orixás se despedem dos adeptos e neófitos como se partissem para a África, retornando somente no sábado de aleluia.) e mantinham o silêncio e reduziam suas atividades religiosas em muito (apenas jogos-de-búzios, pequenos ebós [trabalhos espirituais simples] e não se iniciava yaôs [noviços] durante todo o período de quaresma).
Hoje o que se percebe na maioria dos terreiros de Candomblé, principalmente nos de nação Nagô (Ketu,Ijexá, Efon) e Gêge (Mahin ou vodun), é um dessincretismo afro-católico em detrimento de uma reafricanização dos cultos, onde sacerdotes e sacerdotisas buscam cada vez mais ritos e semelhanças com os cultos ainda praticados em África Setentrional (Nigéria, Benin etc.), ficando assim cada vez mais distantes das reminiscências do catolicismo.
Outra prática também bastante repudiada por pais e mães-de-santo, é a chamada ROMARIA. Segundo a Yalorixá Stella Azevedo (uma das mais importantes mães-de-santo da Bahia atualmente), mais conhecida como Odé kaiodê (seu urunkò africano), “uma pai ou mãe-de-santo que após os 21 dias de iniciação de seu filho-de-santo, leva-o para assistir a uma missa ou bater paó (louvar) na porta da Igreja, certamente ainda está preso aos grilhões da escravidão”.
Os orixás do Omolokô são os mesmos do Candomblé?Por quê?

Olhem a opinião de alguns Tatas:
Esse é um comentário de alguém do Candomblé:"tenho visto que muitos umbandista que desconhecem o ritual da omoloko dizem que são desta religião, o pouco que conheço que é quase nada desta religião eu percebi que ela tem vinculo com a naçao no entanto não segue o padrão do que fazemos.
Usando uma avé ou menos bichos, o que faríamos apenas para confirmar o santo eles usam na feitura, diferenciando os rituais e erós da nação, não sei se foi para manter a diferença ou se foi o ponto final que seus fundadores chegaram dentro da religiao africana.
Os nossos ejés vão muito mais bichos e rituais diferem muito dos da omoloko, eu estou na religião desde 1985, no entanto faz mais ou menos 4 anos que descobri esta religiao, talvez porque aqui em sp não existem casas. Ou eu nunca soube que existam.
Mas talvez o motivo do iniciado na Omoloko tenha que mudar igbá e seus anos de santo deve ser pelo motivo dos rituais que deixaram de completar para aquela nação, da mesma forma que eu comecei na angola e fui para o nagò eu comecei do zero há muito tempo atrás, hj eu tenho de 24 anos de santo no nagò."
O que vcs acham???
________________________________
Sim,para mim o que muda são os fundamentos.
Algumas pessoas se confundem do que seja Omolokô. “Omolokô é Umbanda ou Candomblé? “ A resposta só poderia ser uma única: Omolokô não é Umbanda apesar de aceitar em seus rituais o culto a Falangeiros de Orixás. O Omolokô cultua os Orixás com suas cantigas em Yorubá ou Angola, pois como já foi dito anteriormente esse ritual houve forte influência também por estas duas culturas. Porém, como pode-se ver, o ritual Omolokô não poderia ser encaixado no grupo dos Candomblés, pelo principal motivo de que no Omolokô são cultuados, ainda que em situações separadas, os Caboclos, Pretos-Velhos dentre outros, aceitando-se a realização de práticas ritualísticas de Umbanda em um mesmo solo. Há quem defina o Omolokô como “Umbandomblé”, ou como “Candomblé Umbandizado” ou ainda como “Umbanda Candombleizada” [4], porém, definições adaptáveis apenas às casas de Omolokô que fundem seus cultos, uma vez que existem aqueles que não misturam tais práticas.
___________________________________________
Por: Tata N'Ganga Ria N'kisi Gilberto t'Madé ( Odé Karofagi )
A grande questão é que sempre estão colocando o Omolokô omo se Fosse UMbanda, respeitamos muito esta religião, mas não somos.
Temos uma identidade, temos fundamentos , temos cantigas, rezas, formas de cultuar - mos nossos BAKUROS ( sim este é o nome de nossas divindades ) que nos diferenciam e nos fazem pertencer a etnia LUNDA KIOKO ( assim como KETU, JEJE,EFON, etc.. ) - Temos uma similaridade muito grande com a nação Angola, pois nossas raizes estão dentro deste país EX: Angola Muxicongo, Angola Kassange, etc... Podemos dizer que somos Angola Lunda Kioko.
A nossa aproximação com a UMbanda a quem respeitamos e admiramos, começa com o culto as Almas ( Cruzambê ), os Lunda - KIokos tinham uma forma muito parecida de cultuar seus ancestres. Outra particularidade histórica me foi passada por meu pai, que quando da codificação da Umbanda em 1907, acontecia simultaneamente uma perseguição aos Tatas, N'Ginjas,Kissarangombes e este receberam guarida dos UMbandistas e nestya convivência foi se apurando as coisas comuns e se aproveitando, miscigenando. quanto a nom,enclatura dos nomes das divindades, a supremacia yorubana e o aproveitamento dos nomes pela UMbanda foi se aplicando e se universalizando entre todas as religiões de matriz africana. Este resgate das tradições de cada etnia é recente e data mais ou menos de uns 25 anos. Antigamente os grandes zeladores tinham uma convivência de ajuda mútua e também faziam uma troca de conhecimentos. EX: Meu pai TATA TANCREDO, recebeu no morro do EStácio JOãozinho da Gómeia, Tio Zé CRiolo, Tio Zé Pequeno, além de estar sempre junto com o pessoal do ILê Axé Opô AFonjá ( na figura de Mãe Senhora ) que ele homenageou na decada de 60 no Maracanã. Os grandes zeladores de Santo da Nação Lunda Kioko Omolokô eram um tanto quanto arredios, e nós de uma geração mais nova é que resolvemos dar visibilidade à nossa religião. Quanto as questões de fundamentos se são assim ou assados faz parte de nossos dogmas, não cabendo discutir e discorrer sobre preincipalmente em público, mas entre nos zeladores. Quanto a falar que somo desta ou outra nação era preciso criar - se um documento comprobatório de foro legal para que estas falcatuas acabem.
fonte:
http://josedogun77.ning.com/forum/topics/os-orixas-do-omoloko-sao-os
EBÓS

Ebó é um termo africano, do iorubá, que tem várias acepções nos cultos africanos no Brasil, mas as acepções todas têm em comum o fato de tratar-se de uma oferenda, dedicada a algum orixá, podendo ou não envolver o sacrifício animal.
Oferenda votiva
Ebónada mais é do que uma limpeza espiritual, como alguns dizem é uma limpeza da aura, de uma pessoa, de uma casa, de um local de comércio. Transfere-se para os alimentos a energia maléfica que está na pessoa ou no local, com a ajuda de Exú e dos Orixás.
Não adianta só oferecer as comidas, o segredo está nas cantigas, e na receita, algumas podem ser conhecidas mas a maioria faz parte do segredo do Candomblé. Pode-se fazer ebó para abrir os caminhos para emprego, ebó de saúde, ebó de prosperidade, o que varia é a receita. Existem vários tipos de ebós, mas sempre será feito de acordo com o determinação do jogo de búzios merindilogun.
No jogo de búzios define-se a qual orixá será oferecido o ebó, sendo que cada um leva seus ingredientes especiais tais como: o pombo de Oxalá, a batata doce de Oxumaré ou a canjico de Ogun. Há ainda aqueles ebós pra afastar espíritos desencarnados que ainda atrapalhas a vida de algun, o ebó de Egun, e outros para curar traumas e ajudar no esquecimento e superação de experiências ruins, o ebó de susto e para prevenir problemas no futuro.
Não é em todos eles que ocorre a sangria de animais, pois há os chamados ebós brancos nos quais não é permitido qualquer sacrifício e os animais utilizados, geralmente neste caso os frangos e galos são soltos com vida.
Após o ritual do ebó há uma rígida cartilha a ser seguida para que se tenha resultados, e o sacrifício seja aceito, por exemplo: a não ingestão de qualquer tipo de carne vermelha nem tão pouco frutas vermelhas ou ácidas[incluindo seus sucos], a abstinência principalmente de praticas sexuais como também beijos e abraços, fica proibido a ida a velorios, hospitais, cemitérios ou mesmo a passagem sob arames enfarpados ou escadas.
O ritual é largamente praticado em diversas casas e centros religiosos de candomblé e obtém elogios os resultados obtidos por seus praticantes.
Sobre os Ebós e Oferendas
Os ebós são oferendas feitas para Orixás, Odù, Eguns e outras divindades para diversas finalidade, sejam elas feitas para apaziguar algum problema, sejam feitas em forma de agradecimento de alguma graça atingida, por alcançar algum objetivo ou simplesmente como forma de agradar as divindades que ora está sendo cultuado. O princípio do Candomblé se baseia no ebó, nas oferendas propiciatórias obtendo a redistribuição do Axé e mantendo seu equilíbrio vital.
Através da hierárquica, todo ebó a ser ofertado, para que o Orixá tome conhecimento, devemos invocar a energia de outros Orixá, que tem o papel especifico de servirem de interligação entre nós e as divindades, sendo que sem a aceitação desses, os Orixá a qual estamos ofertando os ebós não saberão de sua existência.
Gostaríamos de salientar que na sempre ao fazer tais oferendas ou Ebós, se faz necessária a presença ou orientação de um zelador(a) para que seja colocado o Axé necessário para cada ato. Existem at´s
Ebó para Ògún
Para abrir caminhos, trazer dinheiro, prosperidade
1 inhame do norte assado, 1 alguidar médio, 21 moedas correntes, 21 taliscas de mariwô (folha de palmeira), 1 acaçá branco (bolinho de milho branco misturado com água, envolto em folha de bananeira), 1 acaçá vermelho (igual acaçá branco, porém com farinha de milho amarela), azeite de dendê e mel.
Como Preparar: Asse o inhame na brasa. Se necessário, raspe um pouco para eliminar o excesso de negrume. Colocar dentro do alguidar. Vá enterrando os talos de mariwô e chamando por Ògún, Faça o mesmo com as moedas. Coloque os acaçás, um em cada ponta do inhame. Regue com um pouco de dendê e mel, 1 pitada de sal. acenda uma vela e faça seus pedidos a Ògún. Deve-se colocar no muro, ao lado do portão, ou no chão, na entrada do portão. se você morar em apartamento, coloque dentro de sua casa, atrás da porta de entrada. Deixe 7 dias e após, despachar aos pés de uma árvore frondosa.
Presente a Oxun
Para acalmar a pessoa amada
5 batatas inglesas, mel, azeite doce, açúcar mascavo, 2 velas.
Como Preparar: Cozinhe as 5 batatas inglesas sem casca. Deixe esfriarem. Coloque um pouco de mel, azeite doce e açúcar mascavo em um prato de louça, vá amassando as batatas com as mãos e misturando tudo. Faça isso pensando na pessoa amada. Dê um formato de coração à massa. Acenda 2 velas amarelas de 30 cm ao lado. Ofereça a Òsún Àpáàrà.
Oferendas a Ogun
Material: 1 inhame; Azeite de dendê; Mel de abelhas; 1 palma de dendezeiro (mariwo), pode ser de coqueiro caso não ache o dendezeiro; 1 vela branca.
Modo de fazer: Asse o inhame. Retire os talinhos das folhinhas da palma do dendezeiro. Depois que o inhame esfriar monte-o enfiando os talinhos em toda o corpo do inhame, escreva o nome da pessoa que se deseja ajudar em um prato branco e coloque o inhame em pé sobre o nome, coloque o mel e um pouco de dendê sobre o inhame e os talinhos . Pede-se o desejado à Ogum. Coloque próximo ao portão da casa que se fez a oferenda.
Ebó para Èsù Lonan
Abrir Seus Caminhos, para tirar feitiço, olho-grande, inveja.
1 metro de morim vermelho, 1 alguidar médio, 7 velas brancas, 1 bife de boi cru, 7 moedas atuais, 7 búzios abertos, 1 farofa de dendê, com uma pitada de sal, 7 limões, 7 acaçás vermelhos, 7 ovos vermelhos, 1 obi.
Como Preparar: Abra o morim em sua frente. Acenda as velas. Passe o alguidar pelo seu corpo e coloque-o em cima do pano. Passe os ingredientes no corpo, pela ordem acima. Por último, abra o obi, e leve-o até a sua boca, fazendo seus pedidos. Deixe-o em cima do ebó. Feche o morim. Este ebó tem que ser despachado em rua de muito movimento, onde tenha muitas casas comerciais.
Oferendas a Exú
Material: Farinha; Azeite de dendê; Mel de abelhas; Farinha de milho branco; Fígado, coração e bofe de boi; Cebola; Camarão seco socado; Um alguidar.
Modo de fazer: Faça uma farofa com dendê, uma com mel e uma com água, separadamente. Faça o acaçá branco cozinhando a farinha de milho em água, deixe a massa bem consistente, depois coloque em um pedaço de folha de bananeira e enrole. Deixe esfriar. Corte os miúdos de boi em pedaços pequenos e coloque para refogar com dendê, cebola, um pouco de sal, o camarão e rodelas de cebolas. Coloque as farofas no alguidar sem misturar muito, ponha o refogado de miúdos sobre a farofa e coloque o acaçá no centro. Oferece-se para Exú pedindo o que se quer. Coloque em uma praça bem movimentada.
Ebó Para Caso de Prisão
Escrever o nome do preso em 21 ovos. Quebrar ao redor da delegacia ou presídio, chamando por Exu Tiriri e pedindo o que quer.
Fazer um caruru para sete crianças. Limpar as mãos na roupa da pessoa e despachar na cachoeira.
Se a pessoa ainda não tiver sido presa, limpe as mãos das crianças na roupa e no corpo da pessoa. Depois, despachar a roupa na cachoeira e dar um banho de cachoeira na pessoa.
Ebó Para Yansã - Oyá Onirá
Material Necessário:1 Abóbora moranga4 Búzios abertos4 Noz moscada4 Moedas4 Acarajés4 Metros de fitas vermelha / Branca1 Saco de morim
Maneira de Fazer: Fazer um buraco na abóbora, colocar o resto das coisas, depois de passadas no corpo. Tapar a abóbora, amarrar com fitas. Entregar a OYÁ ONIRA no alto de um morro, às 18:00 ou 24:00 horas, acender e pedir tudo de bom.
Ebó Para Resolver Problemas Difíceis
Material Necessário:2 Acaçás Brancos 2 Ovos Brancos 2 Quiabos 2 Moedas 2 Conchas 1 Oberó
Maneira de Fazer: Passa-se tudo no corpo e coloca-se num Oberó, colocar bastante mel e arriar numa praça e pedir a MEGE ou MEGIOKO que traga tudo de bom e em dobro. Este Ebó tem que ser feito com 2 pessoas, acompanhadas de duas crianças.
Nota: Este Ebó só pode ser feito nas terças-feiras.
Ebó de União
Colocar o nome das duas pessoas dentro de um Obi e enterrar em um pé de planta sem espinhos, colocar bastante mel e fazer os pedidos.
Ebó Para Deixar de Beber
1. Escrever os pedidos na fronha do travesseiro e depois despachar no mar.
2. Sacudir a pessoa com pipocas e um frango numa cova abandonada do cemitério, fazer pedidos e deixar tudo aquilo ali.
3. Torrar a maça de vaca e fazer o pó. Esse pó deverá ser colocado na bebida que a pessoa mais gosta ou comida.
4. Fazer uma infusão de cachaça, camarão pitu e restos das fezes do beberrão. Quando ele beber fará vômitos. Quando vomitar, junte o vômito e enterre numa cova abandonada, acendendo uma vela e fazendo pedidos.
Para Descobrir Um Orixá Que Não Aparece no Jogo
Colocar um Obi com uma moeda corrente dentro de uma folha da costa ( saião ) e colocar 3 noites debaixo do travesseiro da pessoa. Retirar e colocar no meio do jogo de búzios, pedindo à IFÁ e ORUMILA que apresente o Orixá.
Ebó Para Afastar Egun
Material Necessário:9 Ovos Brancos 9 Ecurus 9 Acaçás Brancos Canjica Branca Escaldada 9 Velas Brancas Morim Branco
Maneira de Fazer: Passar tudo pelo corpo e pedir à OYÁ EGUNITÁ para afastar todos os males e Eguns. Em seguida, tomar um banho de Abô e acender 7 velas para Omolu, fazendo os pedidos.
Depois, passa-se um pombo pelo corpo da pessoa e solta-se. Em seguida, a pessoa deverá tomar 7 banhos durante 7 dias seguidos, cumprindo preceito.
Ervas Necessárias:Dandá-da-costa - ralado Saco-Saco Erva D'Oshóssi Aroeira Branca Funcho
Oferendas Para Oxalá - Prosperidade
Local: Dentro de Casa
Horário: Diurno
Dia da Semana: Sexta-Feira
Material Necessário:
01 Tijela branca e 16 Acaçás
Modo de Fazer: Colocar na tijela branca 16 acaçás, pedindo a OXALÁ ajuda e melhoria de vida, colocar em cima do telhado, pedindo que OXALÁ o ajude e leve-o o alto AXÉ.
Ebó Para Atrair Clientes
Local: Terreiro de Candomblé.
Horário: O que lhe melhor lhe convir.
Dia da Semana: Terça, Quarta ou Quinta-Feira.
Material Necessário:
02 kilos de Milho Vermelho - 07 Moedas - 01 Omolocum - 09 Acarajés e 01 Ajebó.
Modo de Fazer: Colocar dois quilos de milho no fundo de uma panela. Colocar sete moedas. Sair pela manhã antes do sol nascer, fazer a volta jogando pela rua, e gritar por OGUN, entrar no,portão, tirar as moedas e colocar no jogo. Arriar um Omolocum para OXUN e nove acarajés para YANSAN, após vinte e um dias dar um Ajebó para XANGÔ, dentro de casa, com nove moedas, colocar no canto do quintal, as moedas colocar no jogo.
Oferenda a Obaluaiê ( Inveja e Olho Gordo )
Local: Terreiro de Candomblé.
Horário: Diurno
Dia da Semana: Sexta-Feira.
Material Necessário:
01 quilo de milho alho 10 orogbôs, 10 moedas correntes e 10 favas de olho de boi.
Modo de Fazer: Fazer do milho alho, pipoca ( flores do velho ), colocar dentro de um Oberó ( aguidá ), colocar 10 orogbô, passando um a um pelo corpo, passar em seguida as 10 moedas, uma uma pelo corpo, em seguida passar as favas de olho de boi, pelo corpo pedindo tudo o que quiser. Colocar tudo dentro do Oberó, em cima as pipocas.
Obs: Esta obrigação tem por finalidade segurar sua casa do mal, dos inimigos e dos invejosos. Afastando-se de sua casa e mais quem estiver prejudicando ou perturbando seu lar.
Oferenda a Oyá Onirá ( Bons Negócios )
Local: Alto de um morro
Horário: Diurno
Dia da Semana: Quarta-Feira.
Material Necessário:
01 abóbora, 04 búzios abertos, 04 nóz moscada, 04 moedas correntes, 04 metros de fita branca, 04 metros de fita vermelha, 01 papel com seu nome e da pessoa com quem quer realizar o negócio e mel de abelha.
Modo de Fazer: Corta-se a abóbora moranga em cima e, coloca tudo dentro do saco, colocando em seguida o saco dentro da abóbora, fecha-se a abóbora e amarra-se com fitas brancas e vermelhas, coloca no alto de um morro e entrega a Yansán Onirá.
Obs: Entrega-se a Yansán pelos caminhos de Obará.
Ebó Para Limpeza da Casa ( Moradia )
Local: Dentro de Casa
Horário: Qualquer um
Dia da Semana: Segunda-Feira.
Material Necessário:
01 Pombo branco e 01 metro de fita branca.
Modo de Fazer: Cava-se um buraco e coloca-se uma tigela com ovos gôros, cobrindo-os com prato branco, cobre-se o buraco com uma tampa. Sempre olhar os ovos, para ver se estouram, remove-los e substituí-los.
Obs: Despachar na encruzilhada. Por dentro do barracão em um canto, uma tigela com 07 ovos bons e água com sal grosso. Quando fizer sete dias, despacha-los em uma encruzilhada aberta, fica-se no meio da encruzilhada e joga-se os ovos para trás de si e sai sem olhar para trás, em seguida, coloca-se novos ovos no local.
Para Conseguir Um Bom Emprego
Um Galo Para Xangô Airá
Local: Pedreira
Horário: 18:00 horas
Dia da Semana: Quarta-Feira.
Material Necessário:
01 frango branco novo, 12 quiabos, 01 cebola, camarão seco, azeite doce e 06 acaçás brancos.
Modo de Fazer: Sacrificar o frango, tirar as tripas e limpar bem o frango com os Axés, depois colocar os miúdos dentro da barriga do frango, junto com os quiabos e a cebola e, bastante camarão. Fazer uns espetos e fechar o frango com eles. Colocar para cozinhar, depois de cozido, passar azeite doce até ficar dourado. Oferecer o galo e os acaçás.
Obs: Para que este trabalho saia, é necessário que se leve um fogareiro para a pedreira e as panelas.
Vinho Para Impotência Sexual
Local: Quintal de Casa
Horário: Qualquer um
Dia da Semana: Qualquer um
Material Necessário:
Mel de abelha, vinho mosacatel, gengibre e raiz de jurubeba.
Modo de Fazer: Ralar a raiz de gengibre e, misturar a raiz de jurubeba, também ralada, adicionar o vinho moscatel e o mel de abelhas, deixar tudo em infusão durante sete dias. Enterrar no fundo do quintal, deixando enterrado durante três meses. Após os três meses retirar o litro e começar a beber um cálice por dia, antes das refeições, mas antes fazer um Ebó.
EBÓ
Material Necessário:
10 Velas brancas, 10 acaçás brancos, 10 acarajés, 10 carretéis de linha branco, 02 metros de morim branco, 01 saco de estopa ( linha ) e 04 metros de cadarço
Obs: Passar o Ebó no corpo da pessoa e depois despachar no mar.
Ebó Para Impedir Que Uma Pessoa Faça Mal a Outra
Local: Dentro de Casa
Horário: Qualquer Um
Dia da Semana: Segunda-Feira.
Material Necessário:
Nome da pessoa que quer fazer o mal - 01 cebola, 02 pires virgens e 01 garrafa de pinga.
Modo de Fazer: Coloca-se o nome da pessoa dentro do pires, e em cima do nome coloca-se a cebola, joga-se a pinga em cima e cobre-se com o outro pires, pedindo para que a pessoa esqueça que você existe.
Ebó Para Ocultar Trabalhos e Não Serem Vistos Através dos Búzios
Quando estiver o trabalho, cobre-se a pessoa e o trabalho com 1 metro de morim branco virgem, enquanto o faz. Depois pode aproveitar o pano para outro trabalho qualquer.
Ebó de União de Casal
Local: Quarto do Orixá
Horário: 2 Horas da manhã
Dia da Semana: Segunda-Feira.
Material Necessário:
02 corações frescos, mel de abelha, 04 velas brancas, palha da costa, 02 palitos grandes ( suficientes para atravessar os corações ) e 01 oberó, nome do casal
Modo de Fazer: Abre-se uma das artérias de um coração por cima e, coloca-se o nome dentro. O outro coração fica intacto, junta-se os dois corações dentro do oberó e atravesse-os com os dois palitos separados um mais em cima que o outro. Prepara-se duas cordinhas com palha da costa, amarra-se os dois corações, dando um laço de cada lado, a entrada dos palitos e nas saídas, coloca-se este trabalho no mesmo dia na mata, ao pé de uma árvore, acende-se as três velas e fa-se o pedido ao entregar. Quando estiver fazendo este trabalho acender uma vela no ronkó, além disso, vai tirando as cantigas de Oxóssi.
Ebó de União
Local: Terreiro de Candomblé
Horário: Diurno
Dia da Semana: Sexta-Feira
Material Necessário:
Canjica cozida, 01 tigela branca, mel de abelha, 02 pombos brancos, 16 bolinhos de inhame e os nomes do casal.
Modo de Fazer: Cozinhar a canjica, por na tigela branca, colocar por cima o mel de abelha mais 16 bolinhos de inhame, dentro da canjica os nomes do casal. Matar um casal de pombo, mais mel, acender uma vela de 7 dias.
Ebó Para Resoluções Rápidas
Local: Entrada
Horário: Noturno
Dia da Semana: Segunda-feira
Modo de Fazer: Torrar feijão fradinho no azeite de dendê, colocar em um alguidar ou em folha de mamona, arriar em estrada de barro.
Ebó Para Trazer Uma Pessoa
Local: Casa da Pessoa
Horário: Diurno
Dia da Semana: Segunda-feira
Material Necessário:
01 Pinto novo sem asa, o nome da pessoa que deseja que volte, mel de abelha e uma panela de barro.
Modo de Fazer: Falar no ouvido do pinto o nome da pessoa sete vezes. Colocar no bico o nome da pessoa com bastante mel de abelha, enterrar tudo na panela de barro no quintal de casa e oferecer a Exú. Depois tomar um banho de Erva Doce, alfazema, açúcar Cristal, Nome da Pessoa. Do pescoço para baixo.
Ebó Para Tirar Influências Negativas ( Exú )
Local: Casa da Casa
Horário: Qualquer Um
Dia da Semana: Qualquer um, exceto Sexta-feira
Material Necessário:
03 Ovos, 01 cebola e 02 garrafas de água.
Modo de Fazer: Passar tudo no corpo da pessoa e despachar em uma mata fechada.
Ebó Exú Para Afastar Más Influências ( 1 )
Local: Cemitério
Horário: Meia-Noite
Dia da Semana: Segunda-feira
Material Necessário:
Um galo preto, verduras de todas as qualidades, um pedaço de carne seca, um pedaço de carne de porco salgada, 07 bolinhos de farinha e água com carvão, 07 farofas de azeite-de-dendê, 07 farofas de mel de abelha, 07 velas brancas, 1 metro de morim branco, Duburu, feijão preto cozido, feijão preto torrado, milho vermelho e galhos de aroeira.
Maneira de Fazer: Passar pelo corpo da pessoa todos os ingredientes acima descriminados, obedecendo a mesma ordem. Deixar tudo no local que fizer o Ebó. Levar a pessoa imediatamente para tomar banho de Abô.
Ebó Exú Para Afastar Más Influências ( 2 )
Local: Cemitério
Horário: Meia-noite
Dia da Semana: Segunda-feira
Material Necessário:
Um casal de galinhas brancas. Além de todos os ingredientes acima mencionados. A maneira de fazer é a mesma do Ebó acima.
Oferendas a Odé
Material: 1 milho verde com casca; Milho vermelho em grãos; Coco; 1 alguidar.
Modo de fazer: Cozinhe o milho vermelho e coloque dentro do alguidar, desfie a palha do milho verde deixando apenas o milho descoberto e as palhas desfiadas penduradas, desfiar sem arrancar a palha do milho. Corte o coco em fatias finas e enfeite sobre o milho cozido, coloque o milho verde em pé sobre o coco, apontado para cima e com as palhas escondendo os grãos e o coco que ficarão em baixo. Coloque em cima da casa ou em um lugar alto pedindo à Oxóssi o que se quer.
Oferendas a Ossain
Material: Batata doce; Cebola; Azeite de dendê; 1 alguidar
Modo de fazer: cozinha-se a batata-doce apenas em água. Depois, descasca-se e amassa-se feito purê. Aí, mistura-se num refogado de cebola ralada com azeite de dendê e coloca-se tudo no alguidar. Coloque próximo a plantas e faça seus pedidos.
Oferendas a Obaluaiê
Material: Milho de pipocas; Areia de praia; 1 alguidar; 1vela branca.
Modo de fazer: Este é o prato mais comum oferecido à Obaluaie ou Omolu. Coloque a areia de praia em uma panela e deixe esquentar, depois de quente coloque o milho de pipoca para estourar nesta areia. Quando estiver estourado, coloque o milho no alguidar e está pronta a oferenda, faça seus pedidos à esse grande Orixá.
Oferendas a Xangô
Material: 12 quiabos; mel de abelhas; azeite de oliva; água; 1 tigela branca.
Modo de fazer: Corte os quiabos em rodelas finas, coloque na tigela com água, ponha um pouco de mel e um pouco de azeite por cima e mexa com as mãos até que se forme uma baba viscosa, enquanto estiver amassando com as mãos vá pedindo o que se quer à Xangô, Depois coloque em um lugar alto .
Oferendas a Oxumarê
Material: Feijão fradinho; Milho vermelho em grãos; Cebola; Azeite de dendê; 1 prato colorido.
Modo de fazer: Cozinha-se o feijão fradinho em água. Separadamente, cozinha-se o milho vermelho também em água. Depois, juntar o feijão e o milho, misturar bem e depois colocar num refogado de cebola ralada e azeite de dendê que deverá estar pronto. Coloque no prato e coloque próximo as plantas oferecendo a Oxumarê e fazendo seus pedidos.
Oferendas a Yansã
Material: Feijão fradinho; Camarão seco ralado; Cebola ralada; Azeite de dendê; 1 prato de barro ou louça.
Modo de fazer: Coloque o feijão de molho de um dia para o outro. Descasque o feijão um a um. Triture o feijão e misture com cebola ralada e o camarão seco socado, mexa por um tempo até que se obtenha uma massa firme. Coloque a massa para descansar coberta com um pano e com uma pedra de carvão dentro. Coloque +/- um litro de dendê em uma panela funda e deixe esquentar bem, faça bolos da massa de feijão com uma colher e coloque para fritar. Quando estiverem todos fritos, coloque no prato e deixe esfriar. Ofereça-os para Yansã. Faça seus pedidos.
Oferendas a Obá
Material: Feijão fradinho; Cebola; Camarão seco socado; Azeite de dendê; Farinha de mandióca; 1 Alguidar; Flores e velas coloridas.
Modo de fazer: Cozinha-se o feijão fradinho em água. Depois,mistura-se num refogado de cebolas raladas, camarão seco socado, azeite de dendê e água. Por cima coloca-se a farinha de mondioca, fazendo um pirão e coloca-se no alguidar. Deixe esfriar e enfeite com flores por cima do prato. Coloque nas margens de um rio e acenda as velas coloridas pedindo o que se quer a Obá. Sendo por muitos divindade interligada ao amor.
Oferendas a Oxun
Material: 5 batatas doces brancas; mel de abelhas; velas amarelas; prato branco; fitas coloridas.
Modo de fazer: Coloque as batatas para cozinhar em água até que fiquem bem molinhas. Deixe esfriar e amasse estas batatas com mel pedindo o que se quer. Tenha muita concentração em amassar, depois de amassado, coloque no prato e molde um coração com a massa. Depois enfeite com flores e fitas. Ofereça à Oxum em uma lagoa ou riacho. Esta oferenda é muito eficaz em casos amorosos.
Oferendas a Logun Edé
Material: Milho vermelho; Feijão fradinho; Azeite de dendê; Cebola; Camarão seco socado; 1 Alguidar; 1 inhame; ovos cozidos; coco; mel de abelhas.
Modo de fazer: Cozinha-se o milho vermelho só em água. Separado, cozinha-se o feijão fradinho, também só em água. Refoga-se o feijão fradinho com azeite de dendê, cebola ralada e camarão seco socado. Coloca-se o feijão em uma metade do alguidar e, na outra, o milho vermelho cozido. Frita-se o inhame e coloca-se por cima em fatias, em volta, enfeita-se com ovos cozidos em rodelas, fatias de coco e coloca-se bastante mel de abelhas por cima. Pede-se o que se quer e oferece-se ao Orixá Logun Edé.
Oferendas a Exú
Material: Farinha; Azeite de dendê; Mel de abelhas; Farinha de milho branco; Figado, coração e bofe de boi; Cebola; Camarão seco socado; Um alguidar.
Modo de fazer: Faça uma farófa com dendê, uma com mel e uma com água, separadamente. Faça o acaça branco cozinhando a farinha de milho em água, deixe a massa bem consistente, depois coloque em um pedaço de folha de bananeira e enrole. Deixe esfriar. Corte os miúdos de boi em padaços pequenos e coloque para refogar com dendê, cebola, um pouco de sal, o camarão e rodelas de cebolas. Coloque as farófas no alguidar sem misturar muito, ponha o refogado de miúdos sobre a farófa e coloque o acaça no centro. Oferece-se para Exú pedindo o que se quer. Coloque em uma praça bem movimentada.
Ebónada mais é do que uma limpeza espiritual, como alguns dizem é uma limpeza da aura, de uma pessoa, de uma casa, de um local de comércio. Transfere-se para os alimentos a energia maléfica que está na pessoa ou no local, com a ajuda de Exú e dos Orixás.
Não adianta só oferecer as comidas, o segredo está nas cantigas, e na receita, algumas podem ser conhecidas mas a maioria faz parte do segredo do Candomblé. Pode-se fazer ebó para abrir os caminhos para emprego, ebó de saúde, ebó de prosperidade, o que varia é a receita. Existem vários tipos de ebós, mas sempre será feito de acordo com o determinação do jogo de búzios merindilogun.
No jogo de búzios define-se a qual orixá será oferecido o ebó, sendo que cada um leva seus ingredientes especiais tais como: o pombo de Oxalá, a batata doce de Oxumaré ou a canjico de Ogun. Há ainda aqueles ebós pra afastar espíritos desencarnados que ainda atrapalhas a vida de algun, o ebó de Egun, e outros para curar traumas e ajudar no esquecimento e superação de experiências ruins, o ebó de susto e para prevenir problemas no futuro.
Não é em todos eles que ocorre a sangria de animais, pois há os chamados ebós brancos nos quais não é permitido qualquer sacrifício e os animais utilizados, geralmente neste caso os frangos e galos são soltos com vida.
Após o ritual do ebó há uma rígida cartilha a ser seguida para que se tenha resultados, e o sacrifício seja aceito, por exemplo: a não ingestão de qualquer tipo de carne vermelha nem tão pouco frutas vermelhas ou ácidas[incluindo seus sucos], a abstinência principalmente de praticas sexuais como também beijos e abraços, fica proibido a ida a velorios, hospitais, cemitérios ou mesmo a passagem sob arames enfarpados ou escadas.
O ritual é largamente praticado em diversas casas e centros religiosos de candomblé e obtém elogios os resultados obtidos por seus praticantes.
Por Pai Jose d' Ogum em 13 fevereiro 2009
fonte: http://josedogun77.ning.com/forum/topics/ebos-e-oferendas
EM TEMPO:
As oferendas estão ligadas às forças sutis da Natureza, aos espíritos elementares e que habitam, quando Superiores, uma mata limpa, uma praia limpa, uma montanha, uma cachoeira etc. Esses elementos estagiam nos 3 Reinos da Natureza (mineral, vegetal e animal). São seres espirituais que ainda não encarnaram nenhuma vez, encontrando-se em estágios variados de qualificação e credenciamento para encarne. São o mais simples dentro da evolução planetária.
Esses Elementares colaboram com a Natureza enquanto evoluem, subordinando-se portanto a certa classe de Espíritos Superiores, situados ao nível de um Orixá. Assim, quando fazemos oferendas a um Orixá ou Entidade afim a este orixá, estamos oferecendo a estes Elementares, que, devido aos elementos radicais usados na oferenda, são atraídos por ela. Como os Elementares detêm altos teores energéticos vitais, em virtude de estagiarem na Natureza e por não terem a mancha do sangue e da carne, vitalizam profundamente o indivíduo que fez a oferenda.
Essas oferendas devem conter os elementos água, fogo, terra e ar.
água - sucos, sumo de ervas, chás, cerveja, guaraná etc
terra - frutos, raízes, fumo, ervas etc
fogo + ar= chamas produzidas pelas velas, incensos, defumações, evaporações, cigarros, charutos etc.
Uma coisa é importante ressaltar: Nenhuma oferenda deve agredir a Natureza, sob qualquer aspecto (daí, também, a Umbanda não trabalhar com sacrifícios). Portanto, não devemos deixar garrafas, lixo, material que a Natureza não absorva etc.
A verdadeira oferenda é uma restituição de energias, o que equilibra o indivíduo e lhe ativa várias funções.
Ao contrário do que muitos pensam, as oferendas não são Obrigações. Nenhum Orixá ou Espírito Superior obriga alguém a oferecer algo.
Também não podemos confundir as oferendas com o ritual de amacy. Amacy é um ritual feito para os médiuns, que só deve ser executado por um Iniciado, com alguns conhecimentos fundamentais e específicos.
Mais um ponto importante: A oferendas não são para os Espíritos COMEREM, mas para que absorvam teores energéticos de suas emanações.
As oferendas em Umbanda nunca devem ser feitas depois das 18 horas, conforme me ensinaram.
O intuito da oferenda também faz diferença - se for para pedidos materiais, deve-se utilizar número par de velas, flores etc; Caso seja pedido espiritual ou de ordem mediúnica, o número deve ser ímpar.
Segundo aprendi, e dentro do que já expliquei, vou fazer um resumo pra vocês:
Oxalá - pão, canjica, azeite, suco de uva (alguns utilizam vinho branco puro), frutas, cravos ou jasmins brancos e vela branca comum. Não é necessário fumo, pois nenhuma entidade desta vibração o aceita ou utiliza.
Já vi, em alguns lugares, colocar tais oferendas em portas de Igreja, o que eu considero um desrespeito à fé alheia. O lugar mais indicado é a beira de um rio, às margens de uma cachoeira, ou na falta destes, na entrada de uma mata ou bosque.
Na Umbanda Esotérica, aconselha-se que seja feita no Domingo.
Iemanjá - ovo cozido, água de coco verde (alguns utilizam também o champanha), perfume (ou essência) de qualquer natureza sobre algodão, flores diversas, velas amarelas. Não se deve jogar a oferenda ao mar. deve-se fazê-la na praia, numa distância conveniente para que as ondas não a destruam. O dia melhor, na Umbanda Esotérica, é a Segunda-Feira. Algumas pessoas gostam de ofertar, pentes, espelhos etc. Não vi nada a favor ou contra este hábito, em meus estudos.
Xangô - batata-doce, espigas de milho verde, postas de coco ou abóbora; cerveja preta ou vinho misturado com leite de coco; fumo na forma de charuto ou cigarro de palha; velas marrons e flores.
Na Umbanda Esotérica, o melhor dia é Quinta-feira (ligado a Júpiter) e as oferendas devem ser colocadas nas cachoeiras ou pedreiras.
Ogum - aimpim, frutas diversas, fumo na forma de charutos ou cigarros de palha, velas na cor vermelha (na Umbanda Esotérica), espada de São Jorge, flores como “crista-de-galo, palmas vermelhas etc, cerveja branca ou vinho misturado com chá preto. O melhor dia seria Terça-feira (ligado a Marte). Os locais de entrega podem ser na mata ou na beira da praia, dependendo se o caboclo trabalha com o mar ou com a mata (Ogum Beira-Mar, Sete Ondas etc trabalham com Mar; Ogum Rompe-Mato, 7 Espadas etc trabalham com Mata).
Oxóssi - mel de abelha, frutas, hortelã, cerveja branca, vinho, fumo na forma de charutos ou cigarros de palha, velas verdes, folhas de bananeira. Melhor dia Sexta-feira (Vênus), e o local é a mata.
Yorimá (pretos-velhos) - tutu de feijão, milho, abóbora, farinha torrada com sal, café amargo ou vinho tinto, flores e frutas diversas, arruda, cachimbo e fumo de rolo, velas brancas ou brancas e pretas (alguns lugares utilizam a vela roxa). Melhor dia é Sábado (Saturno) e o local mais apropriado é na Mata, na base do tronco de árvores frondosas.
Yori (crianças) - cocadas, doces diversos, maçã, amendoim, sucos, refresco de guaraná, manjar branco, velas cor-de-rosa, azuis ou brancas. Rosas, flores diversas e frutas diversas.Melhor dia: Quarta-feira (Mercúrio). Os locais mais indicados são os campos abertos e os jardins floridos.
[2]
Exu - Encruzilhada preferivelmente de terra, uma garrafa de cachaça, 1 vela preta e vermelha, 1 charuto e uma caixa de fósforos: após agradecer a Entidade o que ela lhe tem feito de bom, abra a cachaça, derrame um pouco na terra.Acenda a vela, acenda o charuto, de 3 baforadas, e coloque o mesmo sobre a caixa de fosforos entre-aberta.
Pomba-Gira - Três rosas vermelhas, 1 carteira de cigarrilhas, um garrafa de licor de anis, uma vela preta e vermelha. Procedimento como acima. Atenção a encruzilhada para pomba gira é aquela em T.
E claro que existem outros trabalhos para Exu, mas nao cabe menciona-los aqui. Horário para Exú ao meio dia ou apos as 18:horas. Dia mais que apropriado sexta feira.
Lembrete – Não vá sozinho a encruzilhada, vá com 3 ou 4 acompanhantes.Para isso ao encerrar os trabalhos afaste-se de costas para ele, pedindo a entidade que proteja sua retirada dali.
OBS.: Esse trabalho serve para se pedir coisas, porem como é o primeiro passo é necessário pensar na compensação que se vai dar a Eles quando o que queremos for concedido. Muito cuidado com o que pedir a Exu, às vezes Ele atende além da conta.
FONTES:
[1] Texto retirado do Livro: [red]Mistério e Práticas na Lei de Umbanda – W.W. da Matta e Silva – Mestre Yapacani – Editora Ícone - 1999[2] Vivência do Terreiro
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
"Ode à rainha"

Iemanjá é uma divindade de muitas faces explicitadas em seus muitos nomes. Estas denominações guardam segredos, alguns a sete chaves, o que é chamado "fundamento" do candomblé e não devem ser publicizados na avaliação da yalorixá Stella de Oxóssi do Opô Afonjá.
O mesmo repete o religioso do candomblé e doutorando em História Social, Jaime Sodré. "As qualidades da divindade, como a gente chama no candomblé, são próprias do espaço sagrado", completa Sodré. A música então foi buscar na poesia a forma de saudá-la, nas suas diversas formas de ser, mesmo sem entrar em detalhesJanaína, Marabô, Princesa de Aiocá, Inaê, Sereia, Mucunã, Maria, Dona Iemanjá desfiam Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro na canção Iemanjá, Rainha do Mar.
Oguntê, Kayala, Sogbá, Oloxum completam A Lenda das Sereias de Vicente Mattos, Dinoel Sampaio e Arlindo Velloso, samba-enredo da Império Serrano, que ganhou interpretação também na voz de Marisa Monte. Na Bahia,segundo Pierre Fatumbi Verger, no livro Orixás são sete os tipos de Iemanjá: Iemowô, Iamassê, Euá, Olossá, Ogunté, Asabá e Assessu. Estas definições, de acordo com Fatumbi, são descritas mais detalhamente na cultura religiosa cubana, nos passos do trabalho de Lydia Cabrera, que,na verdade, seriam os sete caminhos para se chegar a uma só divindade.
Em meio a segredos e revelações, o certo é que Salvador sabe bem como celebrar a divindade que parte do seu povo acredita reger um dos seus mais belos bens: o mar. Em praças localizadas em endereços variados Rio Vermelho, Itaigara, Itapuãgradis e outros cenários para a criação livre de artistas, a rainha do mar é saudada.
Tão imenso como o mar é a representação que Iemanjá ganha na sensibilidade de quem aprendeu a vê-la como extensão de um elemento que é infinito. Às vezes, calmo, e em outras turbulento, sensível à criação da vida e capaz de hipnotizar o olhar com a sua beleza ou a sua força.
Daí que não é supresa ganhar Iemanjá os ares da representação de mãe e rainha, duas boas traduções para o poder feminino. Também ela aparece em forma de sereia, num encontro entre a tradição africana e a européia. Então, acompanhando o coro dos poetas que a celebra com as mais variadas artes, saudações à rainha e mãe: Odoyá!
fonte: a tarde on line
domingo, 1 de fevereiro de 2009
OS AFRICANOS NO BRASIL
Reelese da obra:
“Somos míopes para outras culturas e cegos para nossa própria cultura.” (Claude Lévi-Strauss - antropólogo francês).
A obra traz à tona as tradições, os valores e a cultura dos africanos em nosso país, que desembarcavam de todos os cantos da África, em navios negreiros em condições subumanas.
De uma forma bruta e totalmente traumática, eram retirados de seus lares e trazidos sem direito a nada.
Mas mesmo assim, eles traziam consigo uma bagagem muito valiosa, que ninguém poderia lhes tirar: as diversas tradições e os valores culturais de seus antepassados.
O autor da obra, Raimundo Nina Rodrigues, nascido no Brasil, em Vargem Grande, Maranhão, foi antropólogo, médico, historiador e escritor. Passou mais de 15 anos estudando e praticando a cultura dos negros no Brasil, incluindo culinária, música e religião.
Nina Rodrigues foi pioneiro na assistência médico-legal a doentes mentais e, ousadamente, defendeu a aplicação de perícia psiquiátrica nos tribunais.
Grande parte de seu trabalho foi realizada em Salvador, onde se encontrou.
Realizou inúmeras pesquisas sociais que eram herdeiras diretas da antropologia criminal do médico italiano Cesare Lombroso.
O interesse por seu trabalho foi tão vasto que ele percorreu não só as ruas de Salvador, como também as de outros Estados.
Entrevistou antigos africanos, procurando descobrir a verdade oculta no decorrer dos tempos.
Dedicou parte de sua vida tentando salvar a memória negra brasileira.
Em sua pesquisa, teve mais de 2 mil africanos catalogados à época da abolição da escravatura, dedicou-se à clínica médica voltada ao atendimento dos menos favorecidos, sendo logo intitulado ‘Doutor dos Pobres’.
Nina Rodrigues lamentava a perda do idioma, dos costumes e das tradições dos africanos trazidos ao Brasil.
Mesmo assim, conseguiu destacar a influência do negro na culinária, no linguajar e na música.
Ele também lamentava o estágio civilizatório dos escravos iletrados e fazia referências positivas aos escravos sudaneses que eram islâmicos, sabiam ler e escrever, e que lideraram uma revolta importante em Salvador, em 1835, conhecida como “Revolta dos Malês”.
Embora já tivesse publicado diversos ensaios sobre a cultura negra, foi em “Os Africanos no Brasil” que ele reuniu a parte mais consistente de suas pesquisas sobre os costumes preservados pelos afro-descendentes.
OS AFRICANOS NO BRASIL é uma obra de verdadeiro resgate cultural. Mostra a verdadeira identidade do negro e suas raízes.
É um clássico brasileiro, e como tal, deve ser lido, estudado e apreciado.
Título: OS AFRICANOS NO BRASIL
Autor: Nina Rodrigues
Assunto/Gênero: História / Antropologia
Páginas: 254
Formato: 16x23 cm
Editora: Madras Editora Ltda.
ISBN: 978-85-370-0366-4
Consulte: www.madras.com.br
Para receber estes textos por e-mail, Cadastre-se, envie um e-mail para:
alexandrecumino@uol.com.br com assunto "cadastrar"
Para não receber mais coloque assunto "descadastrar"
--~--~---------~--~----~------------~-------~--~----~
"Umbanda é Religião, portanto só pode fazer o BEM !!!"
Alexandre Cumino
Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no
Grupo "alexandrecumino" em Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para
alexandrecumino@googlegroups.com
Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para
alexandrecumino-unsubscribe@googlegroups.com
Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com.br/group/alexandrecumino?hl=pt-BR?hl=pt-BR
“Somos míopes para outras culturas e cegos para nossa própria cultura.” (Claude Lévi-Strauss - antropólogo francês).
A obra traz à tona as tradições, os valores e a cultura dos africanos em nosso país, que desembarcavam de todos os cantos da África, em navios negreiros em condições subumanas.
De uma forma bruta e totalmente traumática, eram retirados de seus lares e trazidos sem direito a nada.
Mas mesmo assim, eles traziam consigo uma bagagem muito valiosa, que ninguém poderia lhes tirar: as diversas tradições e os valores culturais de seus antepassados.
O autor da obra, Raimundo Nina Rodrigues, nascido no Brasil, em Vargem Grande, Maranhão, foi antropólogo, médico, historiador e escritor. Passou mais de 15 anos estudando e praticando a cultura dos negros no Brasil, incluindo culinária, música e religião.
Nina Rodrigues foi pioneiro na assistência médico-legal a doentes mentais e, ousadamente, defendeu a aplicação de perícia psiquiátrica nos tribunais.
Grande parte de seu trabalho foi realizada em Salvador, onde se encontrou.
Realizou inúmeras pesquisas sociais que eram herdeiras diretas da antropologia criminal do médico italiano Cesare Lombroso.
O interesse por seu trabalho foi tão vasto que ele percorreu não só as ruas de Salvador, como também as de outros Estados.
Entrevistou antigos africanos, procurando descobrir a verdade oculta no decorrer dos tempos.
Dedicou parte de sua vida tentando salvar a memória negra brasileira.
Em sua pesquisa, teve mais de 2 mil africanos catalogados à época da abolição da escravatura, dedicou-se à clínica médica voltada ao atendimento dos menos favorecidos, sendo logo intitulado ‘Doutor dos Pobres’.
Nina Rodrigues lamentava a perda do idioma, dos costumes e das tradições dos africanos trazidos ao Brasil.
Mesmo assim, conseguiu destacar a influência do negro na culinária, no linguajar e na música.
Ele também lamentava o estágio civilizatório dos escravos iletrados e fazia referências positivas aos escravos sudaneses que eram islâmicos, sabiam ler e escrever, e que lideraram uma revolta importante em Salvador, em 1835, conhecida como “Revolta dos Malês”.
Embora já tivesse publicado diversos ensaios sobre a cultura negra, foi em “Os Africanos no Brasil” que ele reuniu a parte mais consistente de suas pesquisas sobre os costumes preservados pelos afro-descendentes.
OS AFRICANOS NO BRASIL é uma obra de verdadeiro resgate cultural. Mostra a verdadeira identidade do negro e suas raízes.
É um clássico brasileiro, e como tal, deve ser lido, estudado e apreciado.
Título: OS AFRICANOS NO BRASIL
Autor: Nina Rodrigues
Assunto/Gênero: História / Antropologia
Páginas: 254
Formato: 16x23 cm
Editora: Madras Editora Ltda.
ISBN: 978-85-370-0366-4
Consulte: www.madras.com.br
Para receber estes textos por e-mail, Cadastre-se, envie um e-mail para:
alexandrecumino@uol.com.br com assunto "cadastrar"
Para não receber mais coloque assunto "descadastrar"
--~--~---------~--~----~------------~-------~--~----~
"Umbanda é Religião, portanto só pode fazer o BEM !!!"
Alexandre Cumino
Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no
Grupo "alexandrecumino" em Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para
alexandrecumino@googlegroups.com
Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para
alexandrecumino-unsubscribe@googlegroups.com
Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com.br/group/alexandrecumino?hl=pt-BR?hl=pt-BR
“Nina Está Maluco!”
Por Alexandre Cumino
“Frequenta Candomblés, deita-se com yaôs e come a comida dos Orixás”, era a afirmação de alguns colegas e críticos sobre Nina Rodrigues e seu interesse pelo negro e sua dedicação à pesquisa de campo. Nina Rodrigues não fala como alguém de dentro, mas sim como alguém que esteve por dentro e expressa o que até então ninguém havia expressado antes.
Médico por profissão, antropólogo por especialização, também exerceu as funções de legista, epidemiologista, clínico, professor, escritor, etnólogo e muito mais...
Incentivado pelos estudos de antropologia criminal, convivendo com republicanos e abolicionistas, tocado pela situação dos menos favorecidos, chamado de médico dos pobres, Nina Rodrigues se encantou com o universo dos africanos no Brasil.
Entre os seus escritos, destaco dois livros de importância fundamental para o estudo da cultura negra no Brasil, um deles é O Animismo Fetichista dos Negros na Bahia, publicado em 1900, e o outro é a presente obra, escrita entre 1890 e 1905, publicada em 1932.
O que temos em mãos neste momento é um estudo fundamental que vai muito além da Antropologia.
Nina Rodrigues foi o primeiro brasileiro a estudar com profundidade a cultura negra de forma multidisciplinar, o que dá ampla visão do panorama que envolvia a questão do negro no imediato momento pós lei áurea.
Seu estudo registra, também, os cultos afros, oferecendo base de estudo para a Sociologia da Religião, a Psicologia da Religião, a História das Religiões, a Teologia Comparada e a Ciências da Religião, entre outras.
Ao ler a obra de Nina Rodrigues, é importante lembrar em que época e condição ela foi escrita: no período final da escravidão em que imperava a visão positivista de Augusto Comte. O Positivismo pregava que a Mitologia havia sido superada pela Religião que, por sua vez, seria superada pela Ciência. Na mesma época, cristãos acreditavam que as demais religiões não cristãs eram deturpações da “religião verdadeira”, e que um dia todos iriam “evoluir” e se tornar cristãos; em virtude disso, eram empreendidas as “missões” com objetivo de converter e salvar as almas.
Nina Rodrigues traz uma visão preconceituosa com relação à raça negra e também a respeito do culto ou da Religião Afro definida como animismo e fetichismo. No entanto, a riqueza desta obra nos faz desconsiderar essa parcialidade, levando ainda em consideração “a viva simpatia” declarada por ele ao “negro brasileiro”.
São poucos os que tiveram acesso à obra deste autor, todavia, desses poucos podemos citar alguns ilustres, como o “pai da Antropologia Brasileira”, Arthur Ramos, autor da obra “O Negro Brasileiro”, 1934, que foi considerada uma continuação do trabalho de Nina Rodrigues. Edson Carneiro, discípulo de Arthur Ramos, também bebeu nessa fonte fecunda, vindo a publicar títulos como: Negros Bantos, Quilombo dos Palmares e Candomblés da Bahia. Pierre Verger, fotógrafo e antropólogo, faz referência a Nina Rodrigues em sua obra Orixás e Notas Sobre o Culto aos Orixás e Voduns, que são consideradas fundamentais para o entendimento dos Cultos de Nação e Candomblé.
Em 1934, é fundada a USP, que traz uma missão de franceses para o Brasil, como colaboradores e professores, entre eles, Roger Bastide, que se destaca nos estudos de Sociologia da Religião. Será ele o primeiro sociólogo a se interessar pelos cultos afro-brasileiros, escrevendo, entre outros, As Religiões Africanas no Brasil e O Candomblé da Bahia, em que também é feito referência a Nina Rodrigues como pioneiro no estudo da sobrevivência religiosa africana no Brasil.
Podemos afirmar que muitos já ouviram falar da obra de Nina Rodrigues por meio de outros autores, ilustres, o que gera até uma certa curiosidade e aura em torno deste autor, que não deixa a desejar pela profundidade e clareza no discurso.
O material colhido por Nina Rodrigues também serviu para fundamentar o Candomblé como religião.
Hoje os estudos de religião e do que é religião seguem com uma visão mais ampla e inclusiva, na qual foram fundamentais as colaborações de:
Max Müller (1823–1900), fundador da disciplina História das Religiões e pioneiro no estudo comparado das religiões e de Ciência da Religião;
Rudolf Otto (1869–1937), com o estudo do termo Numinoso, ou seja, o Sobrenatural Sagrado;
Émile Durkheim (1858–1917), distinção do Sagrado e do Profano;
Mircea Eliade (1907 –1986), com seu estudo de “História Comparada das Religiões” e suas “Hierofanias”, elementos que compõem o sagrado.
Muitos outros colaboraram nesse sentido, o que importa é que hoje vamos degustar a obra de Nina Rodrigues com muito mais sabor, pois com todos os recursos e tecnologia de que dispomos, aprendemos a dar muito mais valor a quem nada tinha nesse sentido, mas que foi muito mais longe em seus estudos, fruto de dedicação, determinação, e claro, do encanto que a cultura africana exerce.
Muito mais do que dar os parabéns à Madras Editora, na pessoa de seu Presidente Wagner Veneziani Costa, pela publicação desta obra rara, aproveito para agradecer a enorme quantidade e qualidade de títulos afro-brasileiros, em geral, e Umbanda, em específico.
Alexandre Cumino
Presidente do Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca, Sacerdote de Umbanda, Ministrante dos cursos livres de “Teologia de Umbanda Sagrada” e “Sacerdócio de Umbanda Sagrada”, Editor do Jornal de Umbanda Sagrada e Estudante de Ciências da Religião (Faculdade Claretiano).
“Frequenta Candomblés, deita-se com yaôs e come a comida dos Orixás”, era a afirmação de alguns colegas e críticos sobre Nina Rodrigues e seu interesse pelo negro e sua dedicação à pesquisa de campo. Nina Rodrigues não fala como alguém de dentro, mas sim como alguém que esteve por dentro e expressa o que até então ninguém havia expressado antes.
Médico por profissão, antropólogo por especialização, também exerceu as funções de legista, epidemiologista, clínico, professor, escritor, etnólogo e muito mais...
Incentivado pelos estudos de antropologia criminal, convivendo com republicanos e abolicionistas, tocado pela situação dos menos favorecidos, chamado de médico dos pobres, Nina Rodrigues se encantou com o universo dos africanos no Brasil.
Entre os seus escritos, destaco dois livros de importância fundamental para o estudo da cultura negra no Brasil, um deles é O Animismo Fetichista dos Negros na Bahia, publicado em 1900, e o outro é a presente obra, escrita entre 1890 e 1905, publicada em 1932.
O que temos em mãos neste momento é um estudo fundamental que vai muito além da Antropologia.
Nina Rodrigues foi o primeiro brasileiro a estudar com profundidade a cultura negra de forma multidisciplinar, o que dá ampla visão do panorama que envolvia a questão do negro no imediato momento pós lei áurea.
Seu estudo registra, também, os cultos afros, oferecendo base de estudo para a Sociologia da Religião, a Psicologia da Religião, a História das Religiões, a Teologia Comparada e a Ciências da Religião, entre outras.
Ao ler a obra de Nina Rodrigues, é importante lembrar em que época e condição ela foi escrita: no período final da escravidão em que imperava a visão positivista de Augusto Comte. O Positivismo pregava que a Mitologia havia sido superada pela Religião que, por sua vez, seria superada pela Ciência. Na mesma época, cristãos acreditavam que as demais religiões não cristãs eram deturpações da “religião verdadeira”, e que um dia todos iriam “evoluir” e se tornar cristãos; em virtude disso, eram empreendidas as “missões” com objetivo de converter e salvar as almas.
Nina Rodrigues traz uma visão preconceituosa com relação à raça negra e também a respeito do culto ou da Religião Afro definida como animismo e fetichismo. No entanto, a riqueza desta obra nos faz desconsiderar essa parcialidade, levando ainda em consideração “a viva simpatia” declarada por ele ao “negro brasileiro”.
São poucos os que tiveram acesso à obra deste autor, todavia, desses poucos podemos citar alguns ilustres, como o “pai da Antropologia Brasileira”, Arthur Ramos, autor da obra “O Negro Brasileiro”, 1934, que foi considerada uma continuação do trabalho de Nina Rodrigues. Edson Carneiro, discípulo de Arthur Ramos, também bebeu nessa fonte fecunda, vindo a publicar títulos como: Negros Bantos, Quilombo dos Palmares e Candomblés da Bahia. Pierre Verger, fotógrafo e antropólogo, faz referência a Nina Rodrigues em sua obra Orixás e Notas Sobre o Culto aos Orixás e Voduns, que são consideradas fundamentais para o entendimento dos Cultos de Nação e Candomblé.
Em 1934, é fundada a USP, que traz uma missão de franceses para o Brasil, como colaboradores e professores, entre eles, Roger Bastide, que se destaca nos estudos de Sociologia da Religião. Será ele o primeiro sociólogo a se interessar pelos cultos afro-brasileiros, escrevendo, entre outros, As Religiões Africanas no Brasil e O Candomblé da Bahia, em que também é feito referência a Nina Rodrigues como pioneiro no estudo da sobrevivência religiosa africana no Brasil.
Podemos afirmar que muitos já ouviram falar da obra de Nina Rodrigues por meio de outros autores, ilustres, o que gera até uma certa curiosidade e aura em torno deste autor, que não deixa a desejar pela profundidade e clareza no discurso.
O material colhido por Nina Rodrigues também serviu para fundamentar o Candomblé como religião.
Hoje os estudos de religião e do que é religião seguem com uma visão mais ampla e inclusiva, na qual foram fundamentais as colaborações de:
Max Müller (1823–1900), fundador da disciplina História das Religiões e pioneiro no estudo comparado das religiões e de Ciência da Religião;
Rudolf Otto (1869–1937), com o estudo do termo Numinoso, ou seja, o Sobrenatural Sagrado;
Émile Durkheim (1858–1917), distinção do Sagrado e do Profano;
Mircea Eliade (1907 –1986), com seu estudo de “História Comparada das Religiões” e suas “Hierofanias”, elementos que compõem o sagrado.
Muitos outros colaboraram nesse sentido, o que importa é que hoje vamos degustar a obra de Nina Rodrigues com muito mais sabor, pois com todos os recursos e tecnologia de que dispomos, aprendemos a dar muito mais valor a quem nada tinha nesse sentido, mas que foi muito mais longe em seus estudos, fruto de dedicação, determinação, e claro, do encanto que a cultura africana exerce.
Muito mais do que dar os parabéns à Madras Editora, na pessoa de seu Presidente Wagner Veneziani Costa, pela publicação desta obra rara, aproveito para agradecer a enorme quantidade e qualidade de títulos afro-brasileiros, em geral, e Umbanda, em específico.
Alexandre Cumino
Presidente do Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca, Sacerdote de Umbanda, Ministrante dos cursos livres de “Teologia de Umbanda Sagrada” e “Sacerdócio de Umbanda Sagrada”, Editor do Jornal de Umbanda Sagrada e Estudante de Ciências da Religião (Faculdade Claretiano).
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Ações futuras para o povo do axé
Da idéia do babalorixá Sivanilton (Pecê) do Ilê Axé Oxumarê, acolhida pelo Coletivo de Entidade Negras (CEN), surgiu em novembro de 2005 a Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa. Foram anos de muita fé e luta para montar uma atividade política do povo de axé que não ganhasse o caráter lúdico. Todo este esforço foi recompensado este ano com dois gestos significativos e que demonstram amor e respeito de todo o povo do candomblé.
De um lado o CEN despe-se de vaidades e monta a Comissão pela Vida e Liberdade Religiosa, abrindo mão do controle da caminhada para todas as entidades nacionais que tratam da cultura religiosa afro-brasileira. Ao seu tempo, estas entidades reconhecem a importância da atividade para o povo de axé e a consolidam em âmbito nacional a partir de 2009.
Também foi criado um documento que entra para os anais das religiões de matrizes africanas intitulado Carta de Salvador e que é composto de quatro parágrafos, os iniciais copiados abaixo:
"Nós, sacerdotisas, sacerdotes, vivenciadores e simpatizantes da tradição de matriz africana, reunidos nesta cidade entre os dias 20, 21, 22 e 23 de novembro de 2008, para participar da IV Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa e do Seminário Liberdade Religiosa - uma Questão de Direitos Humanos, sobre as bênçãos de Olorum, Nzambi, Mawu Lisa, Deus, vimos de público afirmar que:
Devido à importância político-social que hoje representa a Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa e sua confluência na proposição organizativa das comunidades tradicionais de Norte a Sul, Leste a Oeste do País, decidimos por maioria torná-la oficialmente a Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religiosa, podendo a mesma abrigar todos os segmentos da tradição de matriz africana no território nacional, passando sua organização para o coletivo de entidades signatárias desta carta."
O documento pontua uma agenda nacional para as religiões de matrizes africanas durante o biênio de 2009/10:
"Devido à importância político-social do recenseamento a ser realizado em território nacional pelo IBGE em 2010 e ao fato de nunca ter sido dada a devida importância ao segmento afro-brasileiro, buscando de fato o estabelecimento do perfil qualitativo e quantitativo da nossa população, definimos pela realização de uma campanha de ação afirmativa nacional protagonizada pelas entidades negras representativas da tradição de matriz africana, em parceria com as demais entidades do movimento social negro, elaborada e criada a partir da realidade vivenciada nas comunidades de tradição. Para esta campanha buscar-se-ão as necessárias parcerias com os órgãos governamentais em todas as instâncias.
As organizações signatárias desta carta aberta têm em comum a luta contra toda e qualquer forma de discriminação, de intolerância religiosa e pressuposto do reconhecimento da humanidade do outro e de seus direitos civis e sociais; estando as mesmas unidas pelo mesmo objetivo em todo o território nacional, exigindo do Estado o cumprimento do seu papel, em relação aos seus direitos."
A Carta de Salvador foi assinada pelo CEN, Nafro, Cetrab, Intecab, Monabantu, Fenacab, Cenarab, AFA, Cedrab, Ciafro, Abam, Acoma, Rede Religiões Afro-Brasileiras e Saúde e por mais de 400 autoridades religiosas de terreiros de candomblé de mais de 10 estados do Brasil que participaram do encontro. Ela é fruto da unidade interna.
A Carta surge no momento em que a intolerância religiosa ronda a sociedade brasileira e os terreiros e que a busca de afirmação dos religiosos de matrizes africanas torna-se nítida através de uma série de parcerias com o Estado. Notamos que o axé, o nguzu, a força vital necessitam jorrar em abundância e compreendemos o momento que vivemos.
Os terreiros são os maiores centros irradiadores dos anseios políticos do povo negro em sua essência mais ancestre. São o ponto focal da resistência com suas raízes fortes e vibrantes de onde brotaram os elementos mais significativos das tradições africanas e sua diversidade no Brasil. Agora, continuamos a pedir bênçãos aos ancestrais e às divindades, arregaçar as mangas e trabalhar, pois este é apenas o começo. Que os orixás, inquisses, voduns e encantados para sempre sejam louvados.
FONTE: A TARDE: On Line.
De um lado o CEN despe-se de vaidades e monta a Comissão pela Vida e Liberdade Religiosa, abrindo mão do controle da caminhada para todas as entidades nacionais que tratam da cultura religiosa afro-brasileira. Ao seu tempo, estas entidades reconhecem a importância da atividade para o povo de axé e a consolidam em âmbito nacional a partir de 2009.
Também foi criado um documento que entra para os anais das religiões de matrizes africanas intitulado Carta de Salvador e que é composto de quatro parágrafos, os iniciais copiados abaixo:
"Nós, sacerdotisas, sacerdotes, vivenciadores e simpatizantes da tradição de matriz africana, reunidos nesta cidade entre os dias 20, 21, 22 e 23 de novembro de 2008, para participar da IV Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa e do Seminário Liberdade Religiosa - uma Questão de Direitos Humanos, sobre as bênçãos de Olorum, Nzambi, Mawu Lisa, Deus, vimos de público afirmar que:
Devido à importância político-social que hoje representa a Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa e sua confluência na proposição organizativa das comunidades tradicionais de Norte a Sul, Leste a Oeste do País, decidimos por maioria torná-la oficialmente a Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religiosa, podendo a mesma abrigar todos os segmentos da tradição de matriz africana no território nacional, passando sua organização para o coletivo de entidades signatárias desta carta."
O documento pontua uma agenda nacional para as religiões de matrizes africanas durante o biênio de 2009/10:
"Devido à importância político-social do recenseamento a ser realizado em território nacional pelo IBGE em 2010 e ao fato de nunca ter sido dada a devida importância ao segmento afro-brasileiro, buscando de fato o estabelecimento do perfil qualitativo e quantitativo da nossa população, definimos pela realização de uma campanha de ação afirmativa nacional protagonizada pelas entidades negras representativas da tradição de matriz africana, em parceria com as demais entidades do movimento social negro, elaborada e criada a partir da realidade vivenciada nas comunidades de tradição. Para esta campanha buscar-se-ão as necessárias parcerias com os órgãos governamentais em todas as instâncias.
As organizações signatárias desta carta aberta têm em comum a luta contra toda e qualquer forma de discriminação, de intolerância religiosa e pressuposto do reconhecimento da humanidade do outro e de seus direitos civis e sociais; estando as mesmas unidas pelo mesmo objetivo em todo o território nacional, exigindo do Estado o cumprimento do seu papel, em relação aos seus direitos."
A Carta de Salvador foi assinada pelo CEN, Nafro, Cetrab, Intecab, Monabantu, Fenacab, Cenarab, AFA, Cedrab, Ciafro, Abam, Acoma, Rede Religiões Afro-Brasileiras e Saúde e por mais de 400 autoridades religiosas de terreiros de candomblé de mais de 10 estados do Brasil que participaram do encontro. Ela é fruto da unidade interna.
A Carta surge no momento em que a intolerância religiosa ronda a sociedade brasileira e os terreiros e que a busca de afirmação dos religiosos de matrizes africanas torna-se nítida através de uma série de parcerias com o Estado. Notamos que o axé, o nguzu, a força vital necessitam jorrar em abundância e compreendemos o momento que vivemos.
Os terreiros são os maiores centros irradiadores dos anseios políticos do povo negro em sua essência mais ancestre. São o ponto focal da resistência com suas raízes fortes e vibrantes de onde brotaram os elementos mais significativos das tradições africanas e sua diversidade no Brasil. Agora, continuamos a pedir bênçãos aos ancestrais e às divindades, arregaçar as mangas e trabalhar, pois este é apenas o começo. Que os orixás, inquisses, voduns e encantados para sempre sejam louvados.
FONTE: A TARDE: On Line.
domingo, 18 de janeiro de 2009
OBRIGAÇÕES
Um ano após a feitura, o nascimento no santo , o Yaô deve fazer sua primeira obrigação que tem por significado comemorar esse nascimento e o reforço de seus votos e fidelidade com o Orisá.
São oferecidos um bori e um animal de duas patas.
Os votos serão renovados ao se completar três (03) anos de iniciado. Serão oferecidos um bori e um animal de quatro patas que seja do fundamento do orisá do yaô que está tomando a obrigação.
Aos sete (07) anos de feitura o yaô alcançará a maior idade no santo tornando-se Ebomi (irmão mais velho)e a partir desse momento estará pronto para assumir as funções sacerdotais ,ou seja, tornar-se dono de sua própria casa de Santo. Ele já pode assumir o posto de Babalorixá.
Deká ou obrigação de sete anos, é como se intitula este ritual de passagem.
As obrigações dentro do candomblé, não podem ser adiantas, ou seja, dadas antes do prazo existe a necessidade de ser respeitado o tempo para que sejam realizadas.
Somente a iniciação não assegura que o Yaô, receba o cargo de Ebomi ,ele precisa cumprir todas as etapas descrita anteriormente e mesmo tendo mais de sete (7) anos de iniciado,é necessário que passe por todos os rituais de passagem seguindo a ordem cronológica para deixar de ser um YAÔ e se tornar um Sacerdote.
O Ebomi recebe durante a cerimônia, elementos de fundamental utilidade para que exerça a função sacerdotal, entre estes elementos : Os Búzios e a navalha são importantíssimos para da a ele o direito e assim a obrigação Deká seja completa. Além dos elementos ele passa a ser detentor do fio de grau : RUNGEBE.
Outras duas obrigações são necessárias a este novo Ebomi. As de 14 anos e de 21 anos de santo.
Obrigação de Sete Anos.
A Maioridade dentro do candomblé é atingida quando o adoxu completa os sete anos de iniciado. O Ritual de passagem que se processa é chamado de “OBRIGAÇÃO DE SETE ANOS”( Oyé ou deká). Nesse ritual o adoxu deixa de ser yaô e passa a ser um Ebomi, que quer dizer irmão mais velho, e recebe o seu cargo (OYÉ): seja de sacerdote ,seja de autoridade na comunidade que faz parte.
Um filho de santo quando reconhecido pela comunidade do candomblé como um membro importante pode ser emancipado e assumir essas funções antes de completar sete anos, mas a obrigação não pode ser adiantada. Lembrando sempre que ninguém pode dar o que não tem.
Na obrigação de sete anos, o adoxu recebe uma série de elementos imprescindíveis às funções de um sacerdote,como os búzios, a navalha,as sementes e frutos sagrados os pós de efun,ossun,iorossun, waji,ilu,etc. Tudo é entregue em uma peneira e é o conjunto desses objetos rituais que constitui o DEKÀ.
Quando se trata de um novo Babalorixá , o ideal é que ele receba o Deká em seu próprio terreiro,no dia da inauguração. Então o novo ebomi é apresentado à todos (Egbé) para que se cante o oyé. Todos aqueles que já têm oyé (ijoyé) são convidados a dançar em frente ao novo sacerdote,reverenciando e desejando boa sorte no sacerdócio. Os mais novos são convidados a tomar a benção do “irmão mais velho”.
Completar simplesmente os sete anos de iniciação não assegura a um yaô passar à categoria de ebomi. É necessário que se cumpra todas as obrigações e adquira todos os conhecimentos necessários para se alcançar esse posto.Dessa forma uma pessoa com trinta anos de santo não lhe é assegurada ,mesmo com tanto tempo que foi iniciada, o posto de ebomi e sim ainda é um yaô até o dia que tomar a obrigação de sete (07 ) anos.
Na obrigação de sete anos, o adoxu receberá um fio de contas chamado Rungebe, uma tradição incorporada aos ritos da nação Jeje, grande símbolo de senioridade, o chamado fio de grau. É o único colar que só os ebomis podem usar.
Após essa obrigação de sete anos, é de costume comemorar outras duas: a de 14 e 21 anos de santo.
Mas as obrigações de fato imprescindíveis depois da feitura, são as obrigações de um ano, três anos e sete anos que são sempre comemoradas com grandes Festas.
São oferecidos um bori e um animal de duas patas.
Os votos serão renovados ao se completar três (03) anos de iniciado. Serão oferecidos um bori e um animal de quatro patas que seja do fundamento do orisá do yaô que está tomando a obrigação.
Aos sete (07) anos de feitura o yaô alcançará a maior idade no santo tornando-se Ebomi (irmão mais velho)e a partir desse momento estará pronto para assumir as funções sacerdotais ,ou seja, tornar-se dono de sua própria casa de Santo. Ele já pode assumir o posto de Babalorixá.
Deká ou obrigação de sete anos, é como se intitula este ritual de passagem.
As obrigações dentro do candomblé, não podem ser adiantas, ou seja, dadas antes do prazo existe a necessidade de ser respeitado o tempo para que sejam realizadas.
Somente a iniciação não assegura que o Yaô, receba o cargo de Ebomi ,ele precisa cumprir todas as etapas descrita anteriormente e mesmo tendo mais de sete (7) anos de iniciado,é necessário que passe por todos os rituais de passagem seguindo a ordem cronológica para deixar de ser um YAÔ e se tornar um Sacerdote.
O Ebomi recebe durante a cerimônia, elementos de fundamental utilidade para que exerça a função sacerdotal, entre estes elementos : Os Búzios e a navalha são importantíssimos para da a ele o direito e assim a obrigação Deká seja completa. Além dos elementos ele passa a ser detentor do fio de grau : RUNGEBE.
Outras duas obrigações são necessárias a este novo Ebomi. As de 14 anos e de 21 anos de santo.
Obrigação de Sete Anos.
A Maioridade dentro do candomblé é atingida quando o adoxu completa os sete anos de iniciado. O Ritual de passagem que se processa é chamado de “OBRIGAÇÃO DE SETE ANOS”( Oyé ou deká). Nesse ritual o adoxu deixa de ser yaô e passa a ser um Ebomi, que quer dizer irmão mais velho, e recebe o seu cargo (OYÉ): seja de sacerdote ,seja de autoridade na comunidade que faz parte.
Um filho de santo quando reconhecido pela comunidade do candomblé como um membro importante pode ser emancipado e assumir essas funções antes de completar sete anos, mas a obrigação não pode ser adiantada. Lembrando sempre que ninguém pode dar o que não tem.
Na obrigação de sete anos, o adoxu recebe uma série de elementos imprescindíveis às funções de um sacerdote,como os búzios, a navalha,as sementes e frutos sagrados os pós de efun,ossun,iorossun, waji,ilu,etc. Tudo é entregue em uma peneira e é o conjunto desses objetos rituais que constitui o DEKÀ.
Quando se trata de um novo Babalorixá , o ideal é que ele receba o Deká em seu próprio terreiro,no dia da inauguração. Então o novo ebomi é apresentado à todos (Egbé) para que se cante o oyé. Todos aqueles que já têm oyé (ijoyé) são convidados a dançar em frente ao novo sacerdote,reverenciando e desejando boa sorte no sacerdócio. Os mais novos são convidados a tomar a benção do “irmão mais velho”.
Completar simplesmente os sete anos de iniciação não assegura a um yaô passar à categoria de ebomi. É necessário que se cumpra todas as obrigações e adquira todos os conhecimentos necessários para se alcançar esse posto.Dessa forma uma pessoa com trinta anos de santo não lhe é assegurada ,mesmo com tanto tempo que foi iniciada, o posto de ebomi e sim ainda é um yaô até o dia que tomar a obrigação de sete (07 ) anos.
Na obrigação de sete anos, o adoxu receberá um fio de contas chamado Rungebe, uma tradição incorporada aos ritos da nação Jeje, grande símbolo de senioridade, o chamado fio de grau. É o único colar que só os ebomis podem usar.
Após essa obrigação de sete anos, é de costume comemorar outras duas: a de 14 e 21 anos de santo.
Mas as obrigações de fato imprescindíveis depois da feitura, são as obrigações de um ano, três anos e sete anos que são sempre comemoradas com grandes Festas.
FIOS DE TEMPO
POR: Guilherme Augusto Rezende Lemos
O Candomblé é uma religião iniciática de caráter progressivo. Sua organização se estabelece a partir de um conceito peculiar de hierarquia onde o que está “acima” não tem, necessariamente, poder sobre o que está “abaixo”, mas vai adquirindo, com o tempo e as “obrigações”, o direito de participar e “ver” aspectos mais profundos do cotidiano religioso obtendo, com isso, mais conhecimento. A ascensão hierárquica se faz pela associação indissolúvel de tempo e conhecimento; tempo sem conhecimento ou conhecimento sem tempo constiuem-se como caminhos desviantes que tornam o indivíduo inadequado à convivência coletiva. Em síntese, a hierarquia no candomblé se estabelece no sentido dos que “sabem” (no tempo) para os que “não sabem” (por terem pouco tempo).
No candomblé o saber sempre se realiza no real, quem sabe, não sabe para si nem por si, sabe a partir da necessidade e para fins. O saber é ao mesmo tempo o segredo, a necessidade e a capacidade de materializar o conhecimento, transmutando mitos em ritos, práticas e objetos. Quanto mais conhecimento tanto mais ritos, práticas e objetos.
Um caminho interessante para se constatar isso é observância sobre o fio de conta que, mais que um adorno, é uma marca e uma fonte de axé. O simples colar ao imergir na devida mistura de folhas quinadas, associada a alguns outros materiais transforma-se numa identificação que remete o indivíduo ao seu lugar na comunidade.
A cerimônia da lavagem das contas é, por assim dizer, a inserção do neófito no universo mítico e místico do candomblé. Ao receber seus primeiros fios de conta, geralmente um fio de Oxalá e outro de seu orixá pessoal, o então abiã se apercebe da importância de Oxalá no conjunto dos orixás. Oxalá é o deus do branco, o pai dos orixás, ou seja, uma energia geradora que antecede, no tempo, os demais orixás. Oxalá pró-cria, abranda, esfria e descansa. Os primeiros conhecimentos acerca deste orixá circunscrevem-se na própria simbologia do branco que, sendo o somatório de todas as cores, traz em si todas as possibilidades de cor. É a energia de onde tudo sai e para onde tudo retorna, por isso o branco é tanto a cor que festeja o nascimento como a que marca o momento da morte. O luto no candomblé é branco, pois representa o retorno do indivíduo à massa informe da ancestralidade. Por isso, necessariamente, o primeiro fio que se recebe é o branco de Oxalá, simbolizando o estado de latência que caracteriza o abiã como um candidato à iniciação. O branco de Oxalá dialetiza o justo descanso com o movimento gerúndio.
No período da iniciação, o iaô, além de fazer jus a uma pequena coleção com os inhãs dos orixás que participam de sua configuração espiritual, recebe algumas contas específicas que o identificam como tal, são elas o mocam, o quelê e os deloguns, nesta ocasião os fios irão “comer” junto com o “santo”, isto é, configurar-se-ão como verdadeiros campos de força.
Após a obrigação de três anos, é comum ao ainda iaô, já com alguma graduação, ser presenteado com alguma conta mais “enfeitada” adquirindo, com isto, o direito de criar para si colares mais rebuscados com missangas um pouco maiores e até alguns poucos corais, primando ainda pela discrição.
Por ocasião da obrigação de sete anos, o agora ebomi, adquire adornos que o identificam como tal: o runjebe, o lagdbá, o brajá, o âbar, o monjoló, os corais, as contas africanas multicolorias e o alabastro. Mais que isto, ganha a liberdade total de criar seus próprios fios, seja no tamanho das contas, na riqueza dos detalhes ou dos próprios materiais a utilizar (ouro, prata, etc.). O ebomi já conhece os seus “fundamentos”, por isto a liberdade.
Entretanto, não termina aí o aprendizado. Até os sete anos, o iaô, é tutelado e educado por seus iniciadores, a partir daí é tutelado pela própria liberdade. Muito embora, parafraseando José Flávio Pessoa de Barros, “a modéstia não seja bem vinda no candomblé”, o bom tom e a justa medida são apreciadíssimos. O ebomi deve ser um exemplo para o iaô, principalmente no que tange ao manuseio de sua própria liberdade e a adequação às situações, dentro e fora da comunidade. A confecção e utilização dos fios de conta deve ser sempre um exercício da criatividade, mas também deve responder à uma estética própria do candomblé que preserva através de seus objetos a sua própria história; inovações excessivas ferem a justa medida e tornam-se inadequadas, posto que os objetos são importantes instrumentos de apoio à manutenção da tradição oral.
Ibá re ô, Egbon mi.(MEUS RESPEITOS AOS MAIS VELHOS)
O Candomblé é uma religião iniciática de caráter progressivo. Sua organização se estabelece a partir de um conceito peculiar de hierarquia onde o que está “acima” não tem, necessariamente, poder sobre o que está “abaixo”, mas vai adquirindo, com o tempo e as “obrigações”, o direito de participar e “ver” aspectos mais profundos do cotidiano religioso obtendo, com isso, mais conhecimento. A ascensão hierárquica se faz pela associação indissolúvel de tempo e conhecimento; tempo sem conhecimento ou conhecimento sem tempo constiuem-se como caminhos desviantes que tornam o indivíduo inadequado à convivência coletiva. Em síntese, a hierarquia no candomblé se estabelece no sentido dos que “sabem” (no tempo) para os que “não sabem” (por terem pouco tempo).
No candomblé o saber sempre se realiza no real, quem sabe, não sabe para si nem por si, sabe a partir da necessidade e para fins. O saber é ao mesmo tempo o segredo, a necessidade e a capacidade de materializar o conhecimento, transmutando mitos em ritos, práticas e objetos. Quanto mais conhecimento tanto mais ritos, práticas e objetos.
Um caminho interessante para se constatar isso é observância sobre o fio de conta que, mais que um adorno, é uma marca e uma fonte de axé. O simples colar ao imergir na devida mistura de folhas quinadas, associada a alguns outros materiais transforma-se numa identificação que remete o indivíduo ao seu lugar na comunidade.
A cerimônia da lavagem das contas é, por assim dizer, a inserção do neófito no universo mítico e místico do candomblé. Ao receber seus primeiros fios de conta, geralmente um fio de Oxalá e outro de seu orixá pessoal, o então abiã se apercebe da importância de Oxalá no conjunto dos orixás. Oxalá é o deus do branco, o pai dos orixás, ou seja, uma energia geradora que antecede, no tempo, os demais orixás. Oxalá pró-cria, abranda, esfria e descansa. Os primeiros conhecimentos acerca deste orixá circunscrevem-se na própria simbologia do branco que, sendo o somatório de todas as cores, traz em si todas as possibilidades de cor. É a energia de onde tudo sai e para onde tudo retorna, por isso o branco é tanto a cor que festeja o nascimento como a que marca o momento da morte. O luto no candomblé é branco, pois representa o retorno do indivíduo à massa informe da ancestralidade. Por isso, necessariamente, o primeiro fio que se recebe é o branco de Oxalá, simbolizando o estado de latência que caracteriza o abiã como um candidato à iniciação. O branco de Oxalá dialetiza o justo descanso com o movimento gerúndio.
No período da iniciação, o iaô, além de fazer jus a uma pequena coleção com os inhãs dos orixás que participam de sua configuração espiritual, recebe algumas contas específicas que o identificam como tal, são elas o mocam, o quelê e os deloguns, nesta ocasião os fios irão “comer” junto com o “santo”, isto é, configurar-se-ão como verdadeiros campos de força.
Após a obrigação de três anos, é comum ao ainda iaô, já com alguma graduação, ser presenteado com alguma conta mais “enfeitada” adquirindo, com isto, o direito de criar para si colares mais rebuscados com missangas um pouco maiores e até alguns poucos corais, primando ainda pela discrição.
Por ocasião da obrigação de sete anos, o agora ebomi, adquire adornos que o identificam como tal: o runjebe, o lagdbá, o brajá, o âbar, o monjoló, os corais, as contas africanas multicolorias e o alabastro. Mais que isto, ganha a liberdade total de criar seus próprios fios, seja no tamanho das contas, na riqueza dos detalhes ou dos próprios materiais a utilizar (ouro, prata, etc.). O ebomi já conhece os seus “fundamentos”, por isto a liberdade.
Entretanto, não termina aí o aprendizado. Até os sete anos, o iaô, é tutelado e educado por seus iniciadores, a partir daí é tutelado pela própria liberdade. Muito embora, parafraseando José Flávio Pessoa de Barros, “a modéstia não seja bem vinda no candomblé”, o bom tom e a justa medida são apreciadíssimos. O ebomi deve ser um exemplo para o iaô, principalmente no que tange ao manuseio de sua própria liberdade e a adequação às situações, dentro e fora da comunidade. A confecção e utilização dos fios de conta deve ser sempre um exercício da criatividade, mas também deve responder à uma estética própria do candomblé que preserva através de seus objetos a sua própria história; inovações excessivas ferem a justa medida e tornam-se inadequadas, posto que os objetos são importantes instrumentos de apoio à manutenção da tradição oral.
Ibá re ô, Egbon mi.(MEUS RESPEITOS AOS MAIS VELHOS)
A finalidade deste texto é orientar as pessoas que não conhecem o candomblé.
Porque se iniciar ou não no candomblé...
A iniciação:
Com a globalização que aí está e a Internet, vai ser muito dificil esconder segredos guardados a sete chaves como vinha sendo feito há uma centena de anos pelos antigos do candomblé.
A finalidade de se guardar esses segredos era justamente para que não caíssem em mãos erradas e fossem usados para fins inescrupulosos, como já está acontecendo.
O candomblé é uma religião iniciática mas nem todos nasceram para ser sacerdotes, gostaria de salientar que essa iniciação só deve ser feita em última instância, só em caso de extrema necessidade, quando não tiver outra alternativa.
A iniciação no candomblé não é uma coisa que se faça levianamente sem observar as consequências provenientes de erros, caso o pai ou mãe de santo não estejam preparados devidamente para isto.
Por que iniciar uma pessoa que não precisa ser iniciada? Só pelo dinheiro? Tem muita gente fazendo isso sem nenhum escrúpulo. São os mercenários de nossa religião que não tem o menor respeito pelo Orixá que dirá pelas pessoas desavisadas que caem em suas mãos.
Sempre que for fazer uma consulta em qualquer casa de candomblé, fique atento, não dê dinheiro algum sem antes confirmar em outros lugares se é isso mesmo que estão dizendo. Se disserem que tem que fazer um ebó, borí, ou iniciação, vá jogar em outros lugares para confirmar a resposta do jogo, se for igual em pelo menos tres lugares diferentes então faça. Caso contrário não faça nada, não gaste seu dinheiro sem saber se é realmente necessário.
Muitas pessoas pensam que é só fazer o santo e já pode ser pai ou mãe de santo, a coisa não é bem assim...
Não é porque a pessoa se iniciou, que obrigatoriamente terá que abrir casa ao completar sua iniciação na obrigação de sete anos.
Não são todos filhos de santo que tem cargo para ser um sacerdote. O sacerdote já nasce com essa missão e em proporção seria 1 em cada 1000 que deveria se preparar para essa árdua tarefa.
O que está acontecendo no candomblé é uma distorção grave, quando se pensa que todo iaô tem que abrir casa. Um absurdo.
Muitos não tem nem fibra e nem capacidade para ser um lider, abrem suas casas e depois de um tempo despacham tudo no rio e vão para as igrejas de crentes como se isso resolvesse o problema.
E os culpados disso são os pais e mães de santo que inventaram essa nova modalidade de ganhar dinheiro, pois cada iaô que o incompetente for tirar, terá que chamar o pai ou a mãe para raspar porque ele não sabe. Pois não conviveu o tempo suficiente na roça para aprender o mínimo necessário e já abriu uma casa.
Mesmo com pais ou mães de santo competentes, é preciso saber que candomblé não se resume às festas de barracão, a festa é só o final da cerimônia, não como muitos pensam que é só chegar na hora da festa para dançar, "candomblé não é só isso".
O candomblé propriamente dito começa uma semana antes de cada festa, com muita gente na casa lavando, passando, cozinhando, limpando e enfeitando, quando você entra no barracão e vê as bandeirinhas no teto da cor do Orixá que está sendo homenageado, alguém teve que comprar, cortar e colar as bandeirinhas e colocá-las no lugar para que o barracão fique bonito.
As anáguas, toalhas brancas, ojás precisam ser engomadas e passadas, (detalhe na maioria das roças é no tanque por não ter máquina de lavar, e se tiver não é usada porque gasta muita luz) isso normalmente é feito pelas ekedis ou pessoas que moram na casa de candomblé, mas e as suas anáguas quem vai engomar? Quem vai passar? É durante o período de abian que muita gente vai aprender a lavar suas roupas, engomar e passar para poder usar na festa.
Se você não sabe lavar roupa ou nunca lavou vai ter que aprender ou pagar para que alguém faça para você. Na maioria das vezes é do que vivem as pessoas que moram dentro de uma casa de candomblé, lavam e passam as roupas dos que não sabem ou não tem tempo para fazer.
Durante a semana diversas obrigações são feitas, de acordo com a determinação do jogo de búzios, Exús, Eguns e os Orixás homenageados. Os bichos tem que ser limpos por alguém e tratados pois será servido uma parte para os Orixás e outra parte para todos os presentes na festa. Você já limpou uma galinha, um pato, um pombo ou um cabrito?
Ah! tem dó?!!!, Tem nojo? ah bom!!! Então pode ir pensando no assunto, na hora de tirar as penas todo mundo tem que ajudar não importa cargo, é uma das coisas que os abians e iaôs podem fazer.
Alguém precisa limpar a casa e deixar impecável para que ninguém saia falando. Isso os abians e iaôs também podem fazer sem problemas, se você nunca varreu sua casa, vai aprender a varrer barracão e quintal que normalmente são enormes.
A comida precisa ser preparada e estar pronta antes de começar a festa para que as pessoas que estavam no fogão possam tomar banho e se arrumar para a dita festa.
Quando chegar num candomblé e notar algumas pessoas com cara de cansadas e cochilando em alguma cadeira, não repare essa pessoa deve estar com todos os ossos do corpo doendo de uma semana de trabalho duro para que você possa ver uma festa bonita.
Se você é leigo no assunto, procure conhecer um pouco mais antes de fazer qualquer coisa.
Não deve se iniciar só porque acha bonito, porque gosta das roupas, porque gosta do ritmo envolvente sem pensar nas responsabilidades e consequências da iniciação.
Não se inicia para depois de um ano chegar a conclusão que não era bem isso que se queria.
Quando você se inicia no candomblé você está criando um vínculo com o seu Orixá, com a casa, com o pai ou mãe de santo, você passa a fazer parte de uma comunidade, por isso deve escolher bem a casa.
Antes de qualquer coisa, acho que a pessoa precisa consultar vários jogos de búzios para saber se todas as respostas de jogo são iguais, não se deve confiar cegamente em ninguém.
Depois de consultar vários jogos já dá para saber se precisa realmente ser iniciado ou não, aí a pessoa precisa escolher a casa e o pai ou mãe de santo que mais lhe inspire confiança, procurar saber quem são seus ancestrais, em que casa ele foi feito, tudo isso para não ter surpresas e aborrecimentos no futuro. Estou dizendo isto porque existem muitas pessoas com casa aberta e nem são iniciados no candomblé e dizem que são. Estou falando de Candomblé !!!
Uma pessoa que não foi iniciada, não pode iniciar outras pessoas, porque não recebeu o Axé de ninguém. E pelo que me consta ninguém pode dar aquilo que não tem.
Mesmo que lhe digam que precisa ser iniciado (fazer o santo), tenha calma e não vá fazendo no primeiro lugar que lhe disseram, procure outros lugares, se informe, o santo não vai te matar se você não fizer imediatamente, se ele é seu Orixá ele quer o melhor para você.
Por isso mesmo existem os abians nas casas de candomblé, são pessoas que participam das festas e algumas obrigações na casa sem a responsabilidade de ser um iniciado.
Para fazer parte do candomblé não pode ser preguiçoso, se está pensando que vai chegar numa roça de candomblé e ficar encostado olhando os outros trabalharem, esqueça, todos trabalham por igual em pról da comunidade, se é uma casa prá todos os filhos, todos os filhos tem que ajudar. E não é ao pai ou mãe de santo que estão ajudando. Quando limpar a roça pense que alguém está fazendo a comida que você vai comer e o que você está fazendo se reverterá em benefício de todos e para que todos tenham um lugar agradável e limpo para ficar.
Durante o período de abian é que você aprende a dançar no barracão, aprende as cantigas, convive com todos da roça e tem a possibilidade de conhecer um por um, nesse período é que você vai descobrir se está no lugar certo, caso não seja poderá ir para outra casa pois ainda não tem vínculo nenhum com o pai ou mãe de santo e nem com a casa.
O Axé é transmitido do pai ou mãe de santo para o iniciado de diversas formas, uma delas é na iniciação através do Adoshu que é colocado na parte superior da cabeça, onde penetrará o Axé ali depositado.
O Axé vai sendo transmitido aos poucos, através das rezas, cantigas, banhos, boris, na feitura, na obrigação de 1 ano, 3 anos, (em algumas nações tem a de 5 anos), 7 anos, 14 anos, 21 anos de santo, daí em diante enquanto o pai ou mãe for vivo.
O certo é permanecer na casa onde se foi iniciado, mas em decorrência de muitos desentendimentos entre pais e filhos de santo tem havido uma constante mudança de casa.
Para os que não sabem...você nunca vai ser tratado em outras casas, como na casa onde você foi iniciado, existe uma diferença, ou seja (você não é do meu Axé), pode ser muito bem camuflado mas que esse sentimento existe, existe....
Na primeira discussão você pode ouvir isso, não digo do pai de santo, mas dos outros filhos da casa com certeza.
Depois da morte:
Quando um iniciado morre esse Axé depositado precisa ser retirado antes do enterro através de uma outra cerimônia e dependendo do tempo de iniciação a cerimônia do Axexê vária de 1 a 7 dias.
Então quando uma pessoa pretende se iniciar no candomblé, já deve estar ciente que sua família terá que arcar com as despesas da cerimônia do Axexê após sua morte, caso não tenha deixado dinheiro para esse fim.
São cerimônias caríssimas tanto a iniciação como o Axexê, lógico que as despesas terão que ser custeadas pelo iniciado ou por sua família. Se você não tem o dinheiro o Orixá sabe disso e não vai pedir aquilo que você não pode dar. Normalmente ele espera o tempo que for necessário, desde que ele veja que você está guardando nem que seja um centavo por mês.
O que acontece com mais frequência é a pessoa se iniciar (fazer o santo) sem saber desses detalhes e só depois de alguns anos de feito é que vai descobrir que quando morrer estará deixando um compromisso para a família que muitas vezes nem sabe do que se trata.
Quando o iniciado não fez a obrigação de 7 anos ou seja ainda é um iaô, na maioria das vezes nem é feito o axexê individual, só é feita a primeira cerimônia, isso se a família permitir que se faça.
E muitos, mesmo tendo obrigação de 7 anos a família que não faz parte do candomblé não permite que se faça as cerimônias necessárias.
Esse é um dos maiores problemas que os pais e mães de santo enfrentam quando morre algum filho de santo, ter que fazer as cerimônias e encontram obstáculos em virtude da família do filho de santo não conhecer a religião e não permitir e nem arcar com as despesas das mesmas.
Outro caso, esta semana recebi uma mensagem de uma pessoa que tendo um parente falecido há uma semana, e que era feito no santo. Ele não sabia o que fazer com os assentamentos que estavam em um quarto dos fundos da casa onde mora. Segundo a pessoa, já tinha ido procurar um pai de santo e este cobrou R$ 14.000,00 para ir despachar os assentamentos, o triste é que a família não tem nenhum dinheiro. E agora José?
A parte que se refere a casa de santo, o pais e mães de santo fazem, jogam os búzios e o que for determinado será feito com relação ao Orixá do filho de santo, será despachado ou ficará na casa.
Para os filhos de santo nessas situações são feitos axexês coletivos sem a ajuda da família, cumprindo a obrigação da casa reverenciando todos os que já morreram.
Quando o falecimento é de um pai ou mãe de santo é muito mais complicado.
Todos os filhos da casa se reúnem e chamam um outro pai ou mãe de santo mais velho que saiba fazer a cerimônia do axexê.
Logicamente esse pai ou mãe de santo cobrará por seus serviços. Normalmente os pais de santo já deixam um dinheiro reservado para essa finalidade. Caso não tenha deixado, as despesas com os materiais, bichos, bem como o serviço do pai ou mãe de santo contratado terão que ser pagos pelos filhos de santo da casa.
É uma cerimônia trabalhosa e cansativa que dura 7 dias e quem estiver no primeiro dia não poderá sair da roça até que termine tudo. E não termina por aí... tem o axexê de mês, de 3 meses, 6 meses, 1 ano e daí por diante....
Além disso, todos os filhos da casa terão que tirar a mão do pai de santo falecido, seja com a pessoa que herdar a casa ou com outro pai ou mãe de santo de sua escolha.
Por isso antes de pensar em fazer o santo, pense bem, mas pense mesmo em tudo o que escrevi acima.
Só se inicie no candomblé em caso de extrema necessidade, deixo bem claro que esta é a minha opinião.
Cada um deve saber onde amarrar seu burro, o ditado é velho mas ainda é válido.
AUTORA: Jurema D'Oxum
FONTE: http://br.geocities.com/jurema.geo/links/artigo3.html
A iniciação:
Com a globalização que aí está e a Internet, vai ser muito dificil esconder segredos guardados a sete chaves como vinha sendo feito há uma centena de anos pelos antigos do candomblé.
A finalidade de se guardar esses segredos era justamente para que não caíssem em mãos erradas e fossem usados para fins inescrupulosos, como já está acontecendo.
O candomblé é uma religião iniciática mas nem todos nasceram para ser sacerdotes, gostaria de salientar que essa iniciação só deve ser feita em última instância, só em caso de extrema necessidade, quando não tiver outra alternativa.
A iniciação no candomblé não é uma coisa que se faça levianamente sem observar as consequências provenientes de erros, caso o pai ou mãe de santo não estejam preparados devidamente para isto.
Por que iniciar uma pessoa que não precisa ser iniciada? Só pelo dinheiro? Tem muita gente fazendo isso sem nenhum escrúpulo. São os mercenários de nossa religião que não tem o menor respeito pelo Orixá que dirá pelas pessoas desavisadas que caem em suas mãos.
Sempre que for fazer uma consulta em qualquer casa de candomblé, fique atento, não dê dinheiro algum sem antes confirmar em outros lugares se é isso mesmo que estão dizendo. Se disserem que tem que fazer um ebó, borí, ou iniciação, vá jogar em outros lugares para confirmar a resposta do jogo, se for igual em pelo menos tres lugares diferentes então faça. Caso contrário não faça nada, não gaste seu dinheiro sem saber se é realmente necessário.
Muitas pessoas pensam que é só fazer o santo e já pode ser pai ou mãe de santo, a coisa não é bem assim...
Não é porque a pessoa se iniciou, que obrigatoriamente terá que abrir casa ao completar sua iniciação na obrigação de sete anos.
Não são todos filhos de santo que tem cargo para ser um sacerdote. O sacerdote já nasce com essa missão e em proporção seria 1 em cada 1000 que deveria se preparar para essa árdua tarefa.
O que está acontecendo no candomblé é uma distorção grave, quando se pensa que todo iaô tem que abrir casa. Um absurdo.
Muitos não tem nem fibra e nem capacidade para ser um lider, abrem suas casas e depois de um tempo despacham tudo no rio e vão para as igrejas de crentes como se isso resolvesse o problema.
E os culpados disso são os pais e mães de santo que inventaram essa nova modalidade de ganhar dinheiro, pois cada iaô que o incompetente for tirar, terá que chamar o pai ou a mãe para raspar porque ele não sabe. Pois não conviveu o tempo suficiente na roça para aprender o mínimo necessário e já abriu uma casa.
Mesmo com pais ou mães de santo competentes, é preciso saber que candomblé não se resume às festas de barracão, a festa é só o final da cerimônia, não como muitos pensam que é só chegar na hora da festa para dançar, "candomblé não é só isso".
O candomblé propriamente dito começa uma semana antes de cada festa, com muita gente na casa lavando, passando, cozinhando, limpando e enfeitando, quando você entra no barracão e vê as bandeirinhas no teto da cor do Orixá que está sendo homenageado, alguém teve que comprar, cortar e colar as bandeirinhas e colocá-las no lugar para que o barracão fique bonito.
As anáguas, toalhas brancas, ojás precisam ser engomadas e passadas, (detalhe na maioria das roças é no tanque por não ter máquina de lavar, e se tiver não é usada porque gasta muita luz) isso normalmente é feito pelas ekedis ou pessoas que moram na casa de candomblé, mas e as suas anáguas quem vai engomar? Quem vai passar? É durante o período de abian que muita gente vai aprender a lavar suas roupas, engomar e passar para poder usar na festa.
Se você não sabe lavar roupa ou nunca lavou vai ter que aprender ou pagar para que alguém faça para você. Na maioria das vezes é do que vivem as pessoas que moram dentro de uma casa de candomblé, lavam e passam as roupas dos que não sabem ou não tem tempo para fazer.
Durante a semana diversas obrigações são feitas, de acordo com a determinação do jogo de búzios, Exús, Eguns e os Orixás homenageados. Os bichos tem que ser limpos por alguém e tratados pois será servido uma parte para os Orixás e outra parte para todos os presentes na festa. Você já limpou uma galinha, um pato, um pombo ou um cabrito?
Ah! tem dó?!!!, Tem nojo? ah bom!!! Então pode ir pensando no assunto, na hora de tirar as penas todo mundo tem que ajudar não importa cargo, é uma das coisas que os abians e iaôs podem fazer.
Alguém precisa limpar a casa e deixar impecável para que ninguém saia falando. Isso os abians e iaôs também podem fazer sem problemas, se você nunca varreu sua casa, vai aprender a varrer barracão e quintal que normalmente são enormes.
A comida precisa ser preparada e estar pronta antes de começar a festa para que as pessoas que estavam no fogão possam tomar banho e se arrumar para a dita festa.
Quando chegar num candomblé e notar algumas pessoas com cara de cansadas e cochilando em alguma cadeira, não repare essa pessoa deve estar com todos os ossos do corpo doendo de uma semana de trabalho duro para que você possa ver uma festa bonita.
Se você é leigo no assunto, procure conhecer um pouco mais antes de fazer qualquer coisa.
Não deve se iniciar só porque acha bonito, porque gosta das roupas, porque gosta do ritmo envolvente sem pensar nas responsabilidades e consequências da iniciação.
Não se inicia para depois de um ano chegar a conclusão que não era bem isso que se queria.
Quando você se inicia no candomblé você está criando um vínculo com o seu Orixá, com a casa, com o pai ou mãe de santo, você passa a fazer parte de uma comunidade, por isso deve escolher bem a casa.
Antes de qualquer coisa, acho que a pessoa precisa consultar vários jogos de búzios para saber se todas as respostas de jogo são iguais, não se deve confiar cegamente em ninguém.
Depois de consultar vários jogos já dá para saber se precisa realmente ser iniciado ou não, aí a pessoa precisa escolher a casa e o pai ou mãe de santo que mais lhe inspire confiança, procurar saber quem são seus ancestrais, em que casa ele foi feito, tudo isso para não ter surpresas e aborrecimentos no futuro. Estou dizendo isto porque existem muitas pessoas com casa aberta e nem são iniciados no candomblé e dizem que são. Estou falando de Candomblé !!!
Uma pessoa que não foi iniciada, não pode iniciar outras pessoas, porque não recebeu o Axé de ninguém. E pelo que me consta ninguém pode dar aquilo que não tem.
Mesmo que lhe digam que precisa ser iniciado (fazer o santo), tenha calma e não vá fazendo no primeiro lugar que lhe disseram, procure outros lugares, se informe, o santo não vai te matar se você não fizer imediatamente, se ele é seu Orixá ele quer o melhor para você.
Por isso mesmo existem os abians nas casas de candomblé, são pessoas que participam das festas e algumas obrigações na casa sem a responsabilidade de ser um iniciado.
Para fazer parte do candomblé não pode ser preguiçoso, se está pensando que vai chegar numa roça de candomblé e ficar encostado olhando os outros trabalharem, esqueça, todos trabalham por igual em pról da comunidade, se é uma casa prá todos os filhos, todos os filhos tem que ajudar. E não é ao pai ou mãe de santo que estão ajudando. Quando limpar a roça pense que alguém está fazendo a comida que você vai comer e o que você está fazendo se reverterá em benefício de todos e para que todos tenham um lugar agradável e limpo para ficar.
Durante o período de abian é que você aprende a dançar no barracão, aprende as cantigas, convive com todos da roça e tem a possibilidade de conhecer um por um, nesse período é que você vai descobrir se está no lugar certo, caso não seja poderá ir para outra casa pois ainda não tem vínculo nenhum com o pai ou mãe de santo e nem com a casa.
O Axé é transmitido do pai ou mãe de santo para o iniciado de diversas formas, uma delas é na iniciação através do Adoshu que é colocado na parte superior da cabeça, onde penetrará o Axé ali depositado.
O Axé vai sendo transmitido aos poucos, através das rezas, cantigas, banhos, boris, na feitura, na obrigação de 1 ano, 3 anos, (em algumas nações tem a de 5 anos), 7 anos, 14 anos, 21 anos de santo, daí em diante enquanto o pai ou mãe for vivo.
O certo é permanecer na casa onde se foi iniciado, mas em decorrência de muitos desentendimentos entre pais e filhos de santo tem havido uma constante mudança de casa.
Para os que não sabem...você nunca vai ser tratado em outras casas, como na casa onde você foi iniciado, existe uma diferença, ou seja (você não é do meu Axé), pode ser muito bem camuflado mas que esse sentimento existe, existe....
Na primeira discussão você pode ouvir isso, não digo do pai de santo, mas dos outros filhos da casa com certeza.
Depois da morte:
Quando um iniciado morre esse Axé depositado precisa ser retirado antes do enterro através de uma outra cerimônia e dependendo do tempo de iniciação a cerimônia do Axexê vária de 1 a 7 dias.
Então quando uma pessoa pretende se iniciar no candomblé, já deve estar ciente que sua família terá que arcar com as despesas da cerimônia do Axexê após sua morte, caso não tenha deixado dinheiro para esse fim.
São cerimônias caríssimas tanto a iniciação como o Axexê, lógico que as despesas terão que ser custeadas pelo iniciado ou por sua família. Se você não tem o dinheiro o Orixá sabe disso e não vai pedir aquilo que você não pode dar. Normalmente ele espera o tempo que for necessário, desde que ele veja que você está guardando nem que seja um centavo por mês.
O que acontece com mais frequência é a pessoa se iniciar (fazer o santo) sem saber desses detalhes e só depois de alguns anos de feito é que vai descobrir que quando morrer estará deixando um compromisso para a família que muitas vezes nem sabe do que se trata.
Quando o iniciado não fez a obrigação de 7 anos ou seja ainda é um iaô, na maioria das vezes nem é feito o axexê individual, só é feita a primeira cerimônia, isso se a família permitir que se faça.
E muitos, mesmo tendo obrigação de 7 anos a família que não faz parte do candomblé não permite que se faça as cerimônias necessárias.
Esse é um dos maiores problemas que os pais e mães de santo enfrentam quando morre algum filho de santo, ter que fazer as cerimônias e encontram obstáculos em virtude da família do filho de santo não conhecer a religião e não permitir e nem arcar com as despesas das mesmas.
Outro caso, esta semana recebi uma mensagem de uma pessoa que tendo um parente falecido há uma semana, e que era feito no santo. Ele não sabia o que fazer com os assentamentos que estavam em um quarto dos fundos da casa onde mora. Segundo a pessoa, já tinha ido procurar um pai de santo e este cobrou R$ 14.000,00 para ir despachar os assentamentos, o triste é que a família não tem nenhum dinheiro. E agora José?
A parte que se refere a casa de santo, o pais e mães de santo fazem, jogam os búzios e o que for determinado será feito com relação ao Orixá do filho de santo, será despachado ou ficará na casa.
Para os filhos de santo nessas situações são feitos axexês coletivos sem a ajuda da família, cumprindo a obrigação da casa reverenciando todos os que já morreram.
Quando o falecimento é de um pai ou mãe de santo é muito mais complicado.
Todos os filhos da casa se reúnem e chamam um outro pai ou mãe de santo mais velho que saiba fazer a cerimônia do axexê.
Logicamente esse pai ou mãe de santo cobrará por seus serviços. Normalmente os pais de santo já deixam um dinheiro reservado para essa finalidade. Caso não tenha deixado, as despesas com os materiais, bichos, bem como o serviço do pai ou mãe de santo contratado terão que ser pagos pelos filhos de santo da casa.
É uma cerimônia trabalhosa e cansativa que dura 7 dias e quem estiver no primeiro dia não poderá sair da roça até que termine tudo. E não termina por aí... tem o axexê de mês, de 3 meses, 6 meses, 1 ano e daí por diante....
Além disso, todos os filhos da casa terão que tirar a mão do pai de santo falecido, seja com a pessoa que herdar a casa ou com outro pai ou mãe de santo de sua escolha.
Por isso antes de pensar em fazer o santo, pense bem, mas pense mesmo em tudo o que escrevi acima.
Só se inicie no candomblé em caso de extrema necessidade, deixo bem claro que esta é a minha opinião.
Cada um deve saber onde amarrar seu burro, o ditado é velho mas ainda é válido.
AUTORA: Jurema D'Oxum
FONTE: http://br.geocities.com/jurema.geo/links/artigo3.html
Candomblé de Angola
Religião afro-brasileira, de origem banto, que compreende as nações de Angola e Congo (Cassanges, Kikongos, Kimbundo, Umbundo e Kiocos), e se desenvolveu entre os escravos africanos que falavam a linguagem Kimbundo e Kikongo e são facilmente reconhecidos pela maneira diferente de cantar, dançar e percutir seus tambores.
Na hierarquia de Angola o cargo de maior importância é para homem Tata Nkisi (tata de inquinces) e para mulher Mametu Nkisi (Mametu de inquices), que correspondem ao Babalorixá e a Yalorixá dos Yorubás, e o Deus supremo é Zambi (Nzambi) ou Zambiapongo (Ndala Karitanga).
O Candomblé de Caboclo é uma modalidade desta nação, e cultua os antepassados indígenas. Há uma nação que faz parte do Batuque do Rio Grande do Sul que descende de Angola, que é a Cabinda.
Os rituais da nação Angola começam com o Massangá, que é o batismo na cabeça do iniciado, feito com água doce e Obi; Bori com sacrifício de animais para o uso do sangue (menga); ritual de raspagem, conhecido como feitura de santo; ritual de obrigação de 1 ano; ritual de obrigação de 3 anos, onde muda o grau de iniciação; ritual de obrigação de 5 anos, com o uso de frutas, obrigação de 7 anos, quando o iniciado recebe seu cargo, é elevado ao grau de Tata Nkisi (zelador) ou Mametu Nkisi (zeladora). Após 7 anos de obrigações, será renovado a cada ano com o rito de Obi ou Bori, conforme o caso, e de 7 em 7 anos se repete as obrigações para conservar o individuo forte, se transformando em Kukala Ni Nguzu, que quer dizer um ser forte. Além dos búzios, outro sistema antigo de consulta é o Ngombo, no qual o adivinhador recebe o nome de Kambuna.
Os principais Nkisi são: Aluvaiá (também conhecido como: Nkuyu Nfinda, Tata Nfinda, Tona e Cubango), Bombo Njila(Bombojira), Vangira(feminino), Pambu Njila, Pambuguera; Nkisi Nkosi Mukumbe, Roxi Mukumbe, Burê; Nkisi Kabila, Mutalambô, Gongobila, Lambaranguange; Nkise Katendê; Nkisi Zaze (Nsasi, Mukiamamuilo, Kibuco, Kiassubangango) Loango; Nkisi Kaviungo ou Kavungo, Kafungê; Nkise Angorô e Angoroméa; Nkisi Kitembo ou Tempo; Nkisi Tere-Kompenso; Nkisi Matamba, Bamburussenda, Nunvurucemavula; Nikisi Kisimbi, Samba; Nkisi Kaitumbá, Mikaiá; Nkisi Zumbarandá; Nkise Wunge; Nkisi Lembá Dilê, Lembarenganga, jakatamba, Kassuté Lembá, Gangaiobanda; Nkisi Nwunji, Nkisi Kaitumbá, Mikaiá, Kukueto; Nkisi Ndanda Lunda; Nkisi Kaiangu; Kariepembe, Pungu Wanga; Kobayende; Pungu Kasimba; Nkita Kiamasa; Nkita Kuna; Lukankazi, Luganbe, Nzambi Bilongo; Mutalambô, Katalombô, Gunza, Nkuyo Watariamba;
Os cargos e divisão do poder espiritual são:
Mam’etu ria Mukixi - Sacerdotisa chefe (Angola)
Nengua ia Nkisi - Sacerdotisa chefe (Congo)
Tat’etu ria Mukixi - Sacerdote chefe (Angola)
Dise ia Nkisi - Sacerdote chefe (Congo)
Tata Kivonda - Pai sacrificador de animais (Congo)
Kambodu Pokó - Sacrificador de animais (Angola)
Muxikiangoma - Tocador de atabaque
Njimbidi - Cantador (Angola)
Ntodi - Cantador (Congo)
FONTE: http://ocandomble.wordpress.com/2008/06/08/nacoes-do-candomble-2/
Na hierarquia de Angola o cargo de maior importância é para homem Tata Nkisi (tata de inquinces) e para mulher Mametu Nkisi (Mametu de inquices), que correspondem ao Babalorixá e a Yalorixá dos Yorubás, e o Deus supremo é Zambi (Nzambi) ou Zambiapongo (Ndala Karitanga).
O Candomblé de Caboclo é uma modalidade desta nação, e cultua os antepassados indígenas. Há uma nação que faz parte do Batuque do Rio Grande do Sul que descende de Angola, que é a Cabinda.
Os rituais da nação Angola começam com o Massangá, que é o batismo na cabeça do iniciado, feito com água doce e Obi; Bori com sacrifício de animais para o uso do sangue (menga); ritual de raspagem, conhecido como feitura de santo; ritual de obrigação de 1 ano; ritual de obrigação de 3 anos, onde muda o grau de iniciação; ritual de obrigação de 5 anos, com o uso de frutas, obrigação de 7 anos, quando o iniciado recebe seu cargo, é elevado ao grau de Tata Nkisi (zelador) ou Mametu Nkisi (zeladora). Após 7 anos de obrigações, será renovado a cada ano com o rito de Obi ou Bori, conforme o caso, e de 7 em 7 anos se repete as obrigações para conservar o individuo forte, se transformando em Kukala Ni Nguzu, que quer dizer um ser forte. Além dos búzios, outro sistema antigo de consulta é o Ngombo, no qual o adivinhador recebe o nome de Kambuna.
Os principais Nkisi são: Aluvaiá (também conhecido como: Nkuyu Nfinda, Tata Nfinda, Tona e Cubango), Bombo Njila(Bombojira), Vangira(feminino), Pambu Njila, Pambuguera; Nkisi Nkosi Mukumbe, Roxi Mukumbe, Burê; Nkisi Kabila, Mutalambô, Gongobila, Lambaranguange; Nkise Katendê; Nkisi Zaze (Nsasi, Mukiamamuilo, Kibuco, Kiassubangango) Loango; Nkisi Kaviungo ou Kavungo, Kafungê; Nkise Angorô e Angoroméa; Nkisi Kitembo ou Tempo; Nkisi Tere-Kompenso; Nkisi Matamba, Bamburussenda, Nunvurucemavula; Nikisi Kisimbi, Samba; Nkisi Kaitumbá, Mikaiá; Nkisi Zumbarandá; Nkise Wunge; Nkisi Lembá Dilê, Lembarenganga, jakatamba, Kassuté Lembá, Gangaiobanda; Nkisi Nwunji, Nkisi Kaitumbá, Mikaiá, Kukueto; Nkisi Ndanda Lunda; Nkisi Kaiangu; Kariepembe, Pungu Wanga; Kobayende; Pungu Kasimba; Nkita Kiamasa; Nkita Kuna; Lukankazi, Luganbe, Nzambi Bilongo; Mutalambô, Katalombô, Gunza, Nkuyo Watariamba;
Os cargos e divisão do poder espiritual são:
Mam’etu ria Mukixi - Sacerdotisa chefe (Angola)
Nengua ia Nkisi - Sacerdotisa chefe (Congo)
Tat’etu ria Mukixi - Sacerdote chefe (Angola)
Dise ia Nkisi - Sacerdote chefe (Congo)
Tata Kivonda - Pai sacrificador de animais (Congo)
Kambodu Pokó - Sacrificador de animais (Angola)
Muxikiangoma - Tocador de atabaque
Njimbidi - Cantador (Angola)
Ntodi - Cantador (Congo)
FONTE: http://ocandomble.wordpress.com/2008/06/08/nacoes-do-candomble-2/
domingo, 9 de novembro de 2008
E depois da morte? Existem muitas respostas para isso, que variam principalmente de acordo com as religiões
Espiritismo é uma religião que veio da europa e foi criada por um homem chamado Allan Kardec. Para os espíritas, quando a pessoa morre, pode virar um espírito de luz, que faz o bem, ou das trevas, que faz o mal. Essa alma pode tanto reencarnar em outro corpo, quanto continuar entre os vivos.
Candomblé
A religião criada por negros no Brasil acredita que, depois da morte, a alma não vai para longe aguardar julgamento. Ela continua próxima da família, atrapalhando ou ajudando quem ficou. Quando alguém morre, faz-se uma trouxa com os objetos que o morto usava e as pessoas se desfazem deles em um ritual.
Muçulmanos
No islamismo, religião que tem muitos seguidores no oriente médio, acredita-se que todo mundo depois da morte será julgado pelo que fez na vida e pode ir para o céu ou para o inferno. As pessoas que morreram são banhadas, levadas até a cova em um caixão e enterradas enroladas apenas em um pano branco de algodão.
Católicos
Nessa religião, a vida é uma só. Assim como no islamismo, depois da morte, a alma aguarda o julgamento pelas coisas boas e más que fez e pode ir para o céu ou para o inferno. Em Portugal, são comuns as ′carpideiras′, mulheres contratadas para chorar pelo morto. No interior do Brasil também existe esse costume.
Indígenas
Varia de comunidade para comunidade. Para os Kaingang, índios do Brasil, os mortos transformam-se em um mosquito ou em uma formiga preta, que incomoda. Por isso, devem ser afastados em um ritual complexo, que envolve música e dança. É um processo com várias etapas, até que quem se foi se distancie de vez.
Hindus e budistas
Eles estão principalmente na Ásia. Na Índia, quando alguém morre, é queimado ao ar livre à beira do Rio Ganges, na frente da família, para que todos se lembrem que o corpo é passageiro. Para budistas do Tibete, a vida é algo que passa rápido e as pessoas podem morrer e reencarnar (voltar em uma outra vida).
Judeus
Para os judeus, as pessoas mortas devem retornar o mais rápido possível. Por isso, o caixão é feito com material barato e tem aberturas no fundo. É proibido ver o corpo e enterrar objetos preciosos. Essa é a forma da religião lembrar que todos são iguais na morte. A família fica de luto por 30 dias.
FONTE: JORNAL A TARDE
Candomblé
A religião criada por negros no Brasil acredita que, depois da morte, a alma não vai para longe aguardar julgamento. Ela continua próxima da família, atrapalhando ou ajudando quem ficou. Quando alguém morre, faz-se uma trouxa com os objetos que o morto usava e as pessoas se desfazem deles em um ritual.
Muçulmanos
No islamismo, religião que tem muitos seguidores no oriente médio, acredita-se que todo mundo depois da morte será julgado pelo que fez na vida e pode ir para o céu ou para o inferno. As pessoas que morreram são banhadas, levadas até a cova em um caixão e enterradas enroladas apenas em um pano branco de algodão.
Católicos
Nessa religião, a vida é uma só. Assim como no islamismo, depois da morte, a alma aguarda o julgamento pelas coisas boas e más que fez e pode ir para o céu ou para o inferno. Em Portugal, são comuns as ′carpideiras′, mulheres contratadas para chorar pelo morto. No interior do Brasil também existe esse costume.
Indígenas
Varia de comunidade para comunidade. Para os Kaingang, índios do Brasil, os mortos transformam-se em um mosquito ou em uma formiga preta, que incomoda. Por isso, devem ser afastados em um ritual complexo, que envolve música e dança. É um processo com várias etapas, até que quem se foi se distancie de vez.
Hindus e budistas
Eles estão principalmente na Ásia. Na Índia, quando alguém morre, é queimado ao ar livre à beira do Rio Ganges, na frente da família, para que todos se lembrem que o corpo é passageiro. Para budistas do Tibete, a vida é algo que passa rápido e as pessoas podem morrer e reencarnar (voltar em uma outra vida).
Judeus
Para os judeus, as pessoas mortas devem retornar o mais rápido possível. Por isso, o caixão é feito com material barato e tem aberturas no fundo. É proibido ver o corpo e enterrar objetos preciosos. Essa é a forma da religião lembrar que todos são iguais na morte. A família fica de luto por 30 dias.
FONTE: JORNAL A TARDE
Pai de Santo acusado de matar esposa é preso
O pedido de prisão preventiva do pai-de-santo Marco Antônio Martins Xavier, 35, foi aceito pelo juiz Cláudio Pantoja, sob acusação de homicídio. Ele está detido desde sábado passado acusado de ter matado a esposa Sara Ranielle Alves Brito, 18 anos e grávida de quatro meses.
Denúncias da comunidade levaram a Polícia Civil de Juazeiro à prisão de Marco Antônio, que enterrou o corpo da esposa sem registro de óbito e sem que a família dela soubesse de sua morte. Com ordem judicial, o corpo foi exumado e o DPT colheu material para exames em Salvador com prazo de dez dias até a conclusão que pode atestar a causa da morte de Sara e a paternidade do filho.
Marco Antônio, dono de terreiro de candomblé, negou a autoria da morte de Sara. Ele, que tem passagem pela polícia por porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas, foi transferido para o presídio de Juazeiro onde aguardará decisão da Justiça. A polícia prossegue as investigações para descobrir os motivos da morte de Sara que foi novamente enterrada domingo passado, desta vez pela família.
FONTE: Jornal A TARDE.
Denúncias da comunidade levaram a Polícia Civil de Juazeiro à prisão de Marco Antônio, que enterrou o corpo da esposa sem registro de óbito e sem que a família dela soubesse de sua morte. Com ordem judicial, o corpo foi exumado e o DPT colheu material para exames em Salvador com prazo de dez dias até a conclusão que pode atestar a causa da morte de Sara e a paternidade do filho.
Marco Antônio, dono de terreiro de candomblé, negou a autoria da morte de Sara. Ele, que tem passagem pela polícia por porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas, foi transferido para o presídio de Juazeiro onde aguardará decisão da Justiça. A polícia prossegue as investigações para descobrir os motivos da morte de Sara que foi novamente enterrada domingo passado, desta vez pela família.
FONTE: Jornal A TARDE.
"O candomblé virou moeda forte no jogo político-eleitoral"

FOTO: Marco Aurélio Martins | Folha Imagem
João José Reis | Mostra como um ex-escravo se fez sacerdote e conseguiu ocupar um lugar na sociedade baiana do século XIX
Há três décadas, João José Reis, 56 anos, aguça suas lentes de pesquisador para encontrar, na frieza dos arquivos, relatos de quem se armou de força e engenho para atravessar a escravidão, seja por meio da revolta, da alforria ou de valores e práticas sócio-culturais. Em Domingos Sodré, um sacerdote baiano, que acaba de sair pela Companhia das Letras, o historiador demonstra mais uma vez sua habilidade para cativar tanto acadêmicos quanto leitores, já revelada em Rebelião escrava no Brasil A história do levante dos malês (1986) e A morte é uma festa (1991), entre outras obras. Ele alia rigor de pesquisa, agudeza da interpretação e fôlego narrativo para contar como um ex-escravo se firma na sociedade baiana do século XIX. A biografia de Sodré serve de fio condutor para traçar o painel de uma época e, particularmente, reconstituir parte dos primeiros anos do candomblé. Nascido e criado na Ribeira, em Salvador, Reis diz que se tornou historiador "graças a uma sucessão de encontros e escolhas felizes". A inspiração para estudar história veio de um professor de pré-vestibular, Alberto Goulart Paes Filho, que, por sua vez, o apresentou a Katia de Queirós Mattoso, "primeira mestra em transformar pesquisa em texto". Com sua ajuda, conseguiu uma bolsa para estudar história na Ucsal, curso que realizou em paralelo ao de ciências sociais na Ufba. Pela frente, encontrou outros mestres, como Johannes Augel e Stuart Schwartz - com auxílio do último, defendeu o doutorado na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. Reis é hoje professor do Departamento de História da Ufba e, entre outras atividades, integra a linha de pesquisa Escravidão e invenção da liberdade, que há mais de uma década reúne regularmente pesquisadores da casa e de diversas outras instituições. Desse grupo, já saíram dezenas de dissertações de mestrado, teses de doutorado, livros, artigos e a produção da revista AfroÁsia, do Centro de Estudos Afro-Orientais Ceao. Leia abaixo os principais trechos da entrevista de Reis concedida por e-mail à jornalista Josélia Aguiar, para o Cultural.
A TARDENo prefácio, o senhor conta um pouco como ′descobriu′ Domingos Sodré ao pesquisar em arquivos. Em que instante se deu conta de que ele seria o condutor dessa parte da história social do candomblé?
João José Reis | Acontece comigo. Meus livros sobre a Revolta dos Malês e a Revolta da Cemiterada nasceram de assuntos maiores. Domingos era para ser personagem de um artigo, que escrevi e publiquei, mas comecei a encontrar novas fontes que me permitiram ampliar sua biografia e a fazer conexões com biografias de outros personagens. E o artigo evoluiu para o livro. A história do candomblé não é assunto novo pra mim. Desde 1988, publico artigos sobre o tema. Estou para retomar, em parceria com Jocélio Telles dos Santos, meu colega na Ufba, o projeto de uma história social do candomblé ao longo do século XIX, para a qual já escrevemos alguns capítulos.
AT | De ex-escravo, Domingos Sodré se torna feiticeiro e figura de certa influência. O que sua trajetória de vida nos revela dessa sociedade?
JJR Revela que não era uma sociedade absolutamente fechada à mobilidade social, o que não é bem uma novidade para os iniciados. Mas era uma sociedade escravista em que a maioria dos africanos desembarcados como escravos morria como escravos. E para aqueles que conseguiam alforria, a mobilidade não era ilimitada. Havia barreiras raciais e étnicas intransponíveis, e eu as discuto no livro. O africano liberto, por exemplo, não podia participar em nenhum nível do jogo político oficial, não podia votar nem ser eleito, mesmo se fosse rico, como alguns poucos eram. Havia, inclusive, barreiras legais contra a ascensão econômica do africano. No livro, eu mostro, através da trajetória pessoal de Domingos e outros libertos, como os africanos negociaram a superação de algumas dessas barreiras, formando alianças sociais muitas vezes com a ajuda de suas habilidades rituais.
AT | Quais foram as maiores dificuldades para recontar a história de Domingos Sodré? Em vários trechos, o senhor ′imagina′ aquilo que não poderia ser respondido pela inexistência de documentação. De certo modo, confirma o que nos diz Carlo Ginzburg, para quem é possível fazer história com imaginação - e não, obviamente, com invenção?
JJR É isso mesmo. A dificuldade é que a gente não encontra dados para tudo na vida do personagem. A imaginação do historiador entra, não para substituir o dado, mas para propor possibilidades. A imaginação é também mobilizada para interpretar os dados que temos. Num e noutro caso, ajuda o conhecimento acumulado sobre o tema, a época, o lugar, enfim, sobre o contexto histórico objeto do exercício imaginativo.
AT | Uma obra como esta exige domínio de certas técnicas narrativas. Como nasce o escritor dentro do historiador?
JJR Em primeiro lugar, eu não escrevo apenas para especialistas, nem neste nem em livros anteriores. Os aspectos puramente conceituais raramente aparecem em meu trabalho como discussão teórica pura, o que guardo para o debate acadêmico com colegas e alunos. Não quer dizer que, quando escrevo, evito o debate de idéias, o bate-bola com os autores da área e coisas do gênero. Este livro não é apenas descritivo, é interpretativo, conceitual, mas os conceitos fazem parte da própria narrativa. Deixo que o leitor os descubra se quiser, se não lhe bastar desfrutar de uma boa história. O gênero biográfico, por outro lado, ajuda a engajar o leitor porque se aproxima do romance, o que é mais difícil ao se escrever história econômica da escravidão, por exemplo, que exige gráficos e tabelas. A prosa ficcional é feita de personagens com nome, endereço, embates, atitudes, decisões, desafios, perdas e ganhos, amores e dissabores. Domingos Sodré tem tudo isso, e ainda por cima ele existiu.
AT | Por que, na Bahia, o candomblé alcançou maior prestígio que nas demais regiões do País? Foi apenas por uma questão de maior contingente demográfico negro?
JJR O prestígio do candomblé, no sentido de aceitação social e proteção legal, é fenômeno relativamente recente. Há 30 anos, os terreiros tinham que se registrar na Delegacia de Jogos e Costumes. A partir de então, o candomblé virou moeda forte no jogo político-eleitoral, na economia regional (o turismo), na representação identitária (os movimentos negros) - e seu prestígio vem aumentando. Mas foi também ao longo desse período que a religião viu crescer um adversário poderoso nas igrejas evangélicas. Incidentes de intolerância religiosa, de violência verbal e física contra o povo-de-santo são veiculados toda hora na imprensa. Mesmo os poderes políticos ainda não se acostumaram com a idéia de que candomblé é religião com o mesmo estatuto das demais. A Prefeitura há alguns meses demoliu um templo de candomblé e vem assediando o venerável terreiro da Casa Branca para pagar IPTU, quando templo religioso, pelo que sei, é isento deste imposto. Então não diria que a batalha da aceitação e, portanto, o prestígio do candomblé na Bahia sejam ponto pacífico, ainda.
AT | Quais foram os caminhos encontrados pelos negros para a ′invenção da liberdade′ - título, aliás, de um livro organizado pelo senhor em 1988? Algum predominou? Algum foi mais bem-
-sucedido?
JJR A invenção da liberdade começava no interior da escravidão mesma, na conquista de espaços às vezes muito pequenos de respiração, até coisas maiores como manutenção da família unida, a celebração de crenças ancestrais, a liberdade dos batuques e a conquista da alforria. A invenção da liberdade estava também em atitudes mais abertamente rebeldes, a fuga, a formação de quilombos, as revoltas, o protesto abolicionista. A invenção da liberdade se projeta para além da abolição, para as estratégias através das quais indivíduos e coletividades reconstruíram suas vidas para enfrentar novos obstáculos à sua plena cidadania. E como o passado insiste em se renovar, a invenção da liberdade continua nos dias de hoje na mobilização por ações afirmativas, na defesa das cotas para ingresso nas universidades, na disputa político-eleitoral e na negociação cotidiana com patrões, patroas, policiais, fiscais, professores e outros poderes disseminados pela sociedade e o Estado.
AT | Este tema, o da ′invenção da liberdade′, é ainda pouco explorado por historiadores?
JJR Cada vez mais e a partir de diferentes ângulos, conforme acabo de indicar. A resistência e a negociação se tornaram paradigmas fundamentais dos estudos sobre a escravidão e o pós-abolição. Há gente na área se esforçando para descartar a resistência, o que me parece um movimento tipicamente conservador. Alguns falam em negociação, os mais ortodoxos só vêem acomodação. Há tempos escrevo sobre negociação, mas propondo que é a possibilidade do conflito que leva à negociação. É isso que convence o senhor a negociar. Ou você acha que ele negociava porque era bonzinho? A vida é mais complexa do que isto ′ou′ aquilo. É isto, aquilo e algo mais. Domingos Sodré, por exemplo, era contratado por escravos para fazer feitiço contra senhores, mas era ele próprio senhor de escravos.
AT | Há cerca de duas décadas cresceu a quantidade de pesquisas e livros publicados a respeito da escravidão. Recentemente, o mercado editorial colocou à disposição dos leitores muitos livros sobre a África e a cultura afro-
-brasileira, temas que se tornaram obrigatórios nos currículos. Onde a pesquisa mais avançou?
O que já se conseguiu en-
tender melhor ? Há ainda muitas lacunas?
JJR A maior lacuna está em estudos feitos por brasileiros sobre e na África, a partir de pesquisa original. Os livros publicados são, na sua maioria, didáticos e paradidáticos, escritos a partir de fontes secundárias para atender ao mercado criado pela lei que obriga o ensino da história africana nas escolas. Nada contra isso, mas para preencher a lacuna de obras mais aprofundadas, se poderiam criar linhas especiais de financiamento para formar pesquisadores africanistas. E enquanto os resultados dessas pesquisas não aparecem, se poderiam publicar traduções, o que não é feito por não existir mercado consumidor que justifique o investimento. Que o governo então financie os custos de tradução, e receba em troca das editoras mil, dois mil exemplares para serem distribuídos por bibliotecas de universidades, escolas, institutos culturais e de pesquisa. Já a pesquisa sobre escravidão continua em ascensão no Brasil: história econômica, social, cultural, demográfica, estudos sobre tráfico, alforria, família, biografia, resistência, escravidão urbana, rural, abolicionismo. E a Bahia está bem representada no conjunto do Brasil. Já se diz que temos uma ′escola baiana′ de estudos da escravidão. Faltam-nos mais pesquisas sobre
o período colonial baiano, sobre
o interior além do Recôncavo, sobre demografia escrava e economia escravista, sobre o pós-abolição, entre outros temas. Algumas dessas áreas já vêm apresentando resultados em dissertações, teses, artigos e livros, e sei de outras pesquisas em andamento. Mas a maioria dos pesquisadores permanece escrava do século XIX, do Recôncavo e de Salvador. Eu, por exemplo.
AT | É possível já pensar numa obra que interprete a sociedade baiana do século XX com a abrangência daquela feita por Kátia de Queirós Mattoso em relação ao século XIX baiano?
JJR É possível, sim, mas talvez seja melhor idéia pensar em uma obra coletiva, porque o trabalho não será pequeno, se pretender cobrir todo o século XX. As fontes republicanas não estão tão bem organizadas como as do século XIX
e são mais abundantes, pois além dos tradicionais arquivos do Estado e Municipal, tem os arquivos institucionais, militares, policiais, empresariais, particulares, arquivos orais, a literatura, a música,
a iconografia, a imprensa escrita,
o rádio, a TV e agora a internet. Para completar, uma bibliografia republicana crescente, e não apenas
na área específica de história,
que inclui livros, artigos, dissertações e teses. Não sei por que tenho a sensação de ter esquecido alguma coisa...
AT | Em sua vida de historiador, o senhor tem notado aumento ou redução de interesse por história por parte do público comum?
JJR Tenho. No meu tempo de universidade, o quente era ler economistas e sociólogos, Celso Furtado, Antônio Barros, Fernando Henrique, Octávio Ianni etc. A vez agora é da história. Já tivemos verdadeiros best sellers, infelizmen-
te nenhum deles escrito por mim. O interesse vem dos últimos 20 anos, e resulta, em grande medida, da adoção pelos historiadores de uma linguagem menos hermética e de temas mais ao gosto do leitor não-acadêmico. Mas quem melhor aproveita essa fatia do mercado editorial são os jornalistas,
às vezes em obras excelentes, como a série sobre a ditadura, de Elio Gaspari.
AT | O senhor já tem outro projeto em vista? Qual o próximo personagem, ou aspecto da vida baiana, que lhe interessa agora
estudar?
JJR Tenho muitos projetos em andamento, sobre temas variados: fuga de escravos, história social da festa, a greve africana de 1857, continuo interessado nas revoltas escravas, já mencionei o projeto sobre candomblé. Cada tema será um livro algum dia, se eu tiver vida longa. No momento, estou a escrever com Flávio Gomes (UFRJ) e Marcus Carvalho (UFPE) a história de um personagem tão interessante como Domingos, e que talvez tivesse cruzado com ele nas ruas da Bahia. Era nagô muçulmano, prisioneiro de guerra em Oyo, na Nigéria, vendido a traficantes baianos em Lagos, provavelmente, em 1821-22. Na Bahia, foi escravo de um boticário que o treinou como cozinheiro; seguiu com seu senhor-moço para o Rio Grande do Sul, em 1831, onde foi vendido ao chefe de polícia, de quem comprou sua alforria nas vésperas da Farroupilha, em 1835; daí seguiu para o Rio de Janeiro, onde iniciou carreira de cozinheiro a bordo de navios negreiros, um dos quais foi apresado, em 1841, pelos britânicos, por tentativa de tráfico, e levado a julgamento em Serra Leoa. Lá, o nosso personagem freqüentou escolas corânicas durante alguns meses; retornou ao Brasil, depois visitou novamente Serra Leoa para estudos mais prolongados de língua árabe; voltou mais uma vez ao Brasil para se estabelecer no Recife como alufá, adivinho e curandeiro. Em 1853, correram boatos de uma revolta escrava. Este homem foi preso e contou sua história. Seu nome cristão era Rufino José Maria, seu nome muçulmano Abucaré, talvez o que o escrivão de polícia entendeu de Abdu Karin.
FONTE: Jornal A TARDE.
Assinar:
Postagens (Atom)