VENHA JOGAR BUZIOS

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segunda-feira, 16 de julho de 2018

AJUNTÓ

Juntó, segundo orisa?
Babalawo Ifagbaiyin Agboola
Em nosso país, precisamos de um grande movimento buscando formas de informar melhor sobre nossa religião.
No dia-a-dia é flagrante a falta de um material para a pesquisa dos interessados em aprender sobre o culto aos orisas.
Um erro comum é no que diz respeito ao chamado Juntó, a mistura de religiões no Brasil é responsável pela idéia errada que toda pessoa precisa ter um segundo Orisa, muitas vezes sendo passada a idéia de que o indivíduo necessita de um pai e uma mãe espiritual.
Só existe uma feitura. Para os outros orisas a pessoa é somente iniciada no culto, conforme orientação de Ifa.
O ponto que vou abordar agora vai criar uma grande polêmica, mas é preciso fazer isso.
Não existe no culto aos Orisas, em território yoruba, a mínima possibilidade de uma pessoa ser montada por dois Orisas, sendo que ela só é feita para um e iniciada para os demais, se assim for solicitado.
Tentarei explicar melhor. Na feitura o indivíduo exalta o que já possui, e na iniciação ele recebe o que é necessário para o seu melhor viver (o que lhe falta).
Exemplo: se uma pessoa é feita para Obatala e não é feliz em sua vida sentimental, pode ou não ser iniciada no culto de Osun como forma de equilibrar essa deficiência. Evidente que por orientação de Ifa.
A mistura de cultos de origem Banto (culto aos inkices), com o ritual de origem Yoruba (culto aos Orisas), gerou tal confusão que as pessoas acreditam que podem até receber (ser montado) por vários Orisas. Isso pode criar sérios problemas para o iniciado.
Tal fato deve ser orientado como prática no mínimo equivocada, para não dizer sem sentido, pois só um Orisa foi feito.
Sendo assim, a pessoa pode ser iniciada para qualquer orisa depois da feitura, ou até mesmo ser iniciado para outro Orisa antes do seu. Dependendo exclusivamente da orientação de Ifa.
Eu sempre digo que o homem está ficando tão pretensioso que já criou regras para o comportamento das divindades, e quase sempre termina se esquecendo de perguntar aos mesmos, e coloca sua opinião como sendo a verdade.
Essa pretensão pode acontecer por várias razões: falta de conhecimento ou falta de caráter, mas sempre quem paga o preço é o iniciado.
Ire,o
Por: Oluwo Ifagbaiyin Agboola

quarta-feira, 11 de julho de 2018

ORIXÁ ONÃ

ORIXÁ ONÃ
Onã mais um terrível erro do culto a orisá, na diáspora.
Texto: Babalawo Ifagbaiyin
Nos últimos anos tenho atendido, vários babalorisas com problemas relativos a falta de cliente, em quase todas as casas, encontro assentamentos que infelizmente estão muito longe da sua origem, o caso de Onã é um desses.
No Brasil se conhece Onã, como sendo um epiteto de esu na verdade, Onã em nada tem haver com esu, ele é um orisá que cultuamos como intermediário na oferta de ebó, etutu, a ifá, orisá, egungun e iya mi, Onã é uma divindade que cultuamos como forma de buscar um aspecto positivo para o nosso destino ou para o destino de nossa casa.
No assentamento de Onã, que é feito com inúmeras folhas, que eu posso aqui divulgar duas, ewe mesin mesin, e ewe aje vai muito dinheiro, dendê, atare, obi e orogbo, diferente do assentamento de esu, que deve ser preparado com iyangui.
O culto a Onã é feito do lado de fora da porta do ile ase ou na residência do sacerdote, normalmente é aberto um pequeno buraco, no chão, em frente a porta.
Esse culto é muito simples mas de grande fundamento, como o culto de outras divindades que também são bastante divulgadas, porem com informações confusas e destorcidas.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Oxalá come dendê?

Oxalá come dendê?
Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola
A palavra funfun em yoruba quer dizer branco, os Òrìșàs designados funfun no novo mundo adquiriram características no mínimo estranhas a sua origem.
Na Nigéria esses Òrìșàs pertencem a um grupo bastante cultuado e nada dos rituais foi perdidas sendo assim todas as questões que vamos abordar aqui podem ser facilmente confirmadas.
No Brasil Òrìșà funfun é Oxalá (Ọbàtálá), na Nigéria esse termo é usado para designar varios Òrìșàs entre eles estão Òrìșà Òkè, Olóòkún e Ọbàtálá.
A designação funfun identifica para os yoruba Òrìșàs masculinos de primeira geração, embora essa questão possa ser discutida levando em consideração outras abordagens. Considerando o raciocínio inicial os Òrìșàs femininos recebem a designação pupa (vermelho), e os filhos desses seriam conhecidos como Òrìșàs dúdú (preto).
Essa forma descrever um amplo e complexo histórico da religião tradicional yoruba teria respaldo no campo da matemática, mas no plano espiritual a questão segue por outro caminho até porque com exceção de poucos autores, o termo Òrìșà pupa (vermelho) e Òrìșà dúdú (preto), não são usados.
Já em nosso país a situação referente a Òrìșà funfun se confundiu mais ainda a partir da proibição do uso do óleo de dendê no culto a Ọbàtálá. A confusão foi tanta que foi inventado um Ṣàngó, um Èṣù, uma Oya e até um Ògún que não come dendê.
Em todos os rituais para Èṣù, Ṣàngó, Ọya, Ògún e outros Òrìșàs o uso do dendê não sofre restrição com exceção dos rituais para Ọbàtálá.
Quando abordamos a questão do culto de alguns Òrìșàs em nosso país, no caso de Ṣàngó ser chamado de Aira a situação se complica mais ainda, considerando o fato que na terra mãe esse termo é bem conhecido nos Oríkìs de Ṣàngó. Baseado nesse fato o culto ao conhecido Òrìșà Aira no Brasil seria mais que uma confusão entre dois Òrìșàs, um erro de interpretação da língua yoruba e da teologia dos Òrìșàs.
Na abordagem inicial colocamos em dúvida a teoria que defini masculino, feminino e elemento procriado em clãs identificados por cores, essa teoria cai por terra quando tomamos consciência que o Òrìșà feminino Yèmowó também é funfun.
Historiadores e religiosos crédulos e estudiosos tendem a ter opiniões diferentes um religioso diria que na religião tradicional yoruba existe um grupo de Òrìșàs que antecedem a criação do mundo, que recebe o nome de funfun, entre eles: Òrúnmìlà, Òsun, Olóòkè, Òrìșà Oko, Ajala, Ọbàtálá, Yèmowó, Odùdúwà, Olóòkún, Yèmoja, Olósà, Ajésálúgà, Ikú.
Já um estudioso ficaria inclinado a fazer uma pesquisa mais abrangente e com varias citações de inúmeros escritores entre vírgulas, pontos de exclamação e interrogação assumiria a conhecida abordagem que Odùduwà seria filho de Lamurudu atribuída por muitos com segundas intenções a uma modificação fonética do nome Nimrod, em uma tentativa absurda de identificar Òrìșàs com a bíblia católica.
A verdade é uma só os Òrìșàs continuam com os seus cultos intactos no território yoruba, aqueles que de fato amam a nossa religião tem um amplo campo de pesquisa na busca da verdadeira origem da religião afro brasileira.
Considerando o fato que o uso de dendê é abundante no culto dos Òrìșàs funfun Òrúnmìlà, Òsun, Olóòkè, Òrìșà Oko, Ajala, Yèmowó, Odùdúwà, Olóòkún, Yèmoja, Olósà, Ajésálúgà, Ikú, a discursão entre estudioso e religioso deve continuar como forma de esclarecer os adeptos e simpatizantes da religião tradicional yoruba.


segunda-feira, 9 de julho de 2018

Egbe Orun,Abiku,Emere

Egbe Orun,Abiku,Emere
 
Egbe Orun
Episódios de aborto e morte prematura de crianças, jovens e adultos podem ser compreendidos como resultantes da ação dos Àbíkú, também chamados Emèré, espíritos pertencentes à Egbé-Àbíkú (Sociedade Abiku). A palavra àbíkú é constituída de a, bí, (ó) ku, que ignifica tanto nascido para morrer quanto o parimos e ele morreu: designa crianças e jovens que morrem antes de atingir a idade adulta e adultos que morrem antes dos pais. Assim, há duas qualidades de abiku: os àbíkú-omódé, que morrem ainda crianças, e os àbíkú-àgbà, que morrem jovens ou adultos. Tais indivíduos estabelecem com a Sociedade Abiku o ójó orí, pacto de retornarem ao orun ao ser atingida determinada idade. Quando uma mulher sofre sucessivas perdas de filhos recém-nascidos, ainda pequenos, jovens ou mesmo adultos, considera-se que esteja sob a ação de um abiku, espírito que nasce múltiplas vezes através de um mesmo corpo feminino por determinação do destino dessa mulher, por obra de magia ou por circunstâncias de acaso, como a aquisição inadvertida de um abiku por uma grávida que não tenha tomado os devidos cuidados contra isso. Quando uma mulher perde filhos assim, suspeita-se que se trate da ação de àbíkú-omodé; e os episódios de perda de filhos serão interrompidos somente se tomadas as necessárias providências para romper o vínculo desses seres espirituais com a comunidade à qual pertencem no orun. Quanto aos àbíkú-àgbà, o pacto por eles estabelecido com a sociedade determina que o retorno ao orun ocorra em algum momento muito significativo e importante da vida, que pode ser crítico ou de sucesso, como em uma data próxima à formatura, ao casamento, ao nascimento de um filho desejado ou a uma conquista social notável.
Egbé Aráagbó é a comunidade espiritual à qual pertencem os abikus: é constituída pela Egbé Aiyé (Sociedade de amigos do mundo visível, Amigos do mundo visível) e pela Egbé Òrun (Sociedade de amigos do mundo invisível ou Amigos Espirituais) Estando esses dois mundos entrelaçados e intimamente relacionados um ao outro, ambos exercem mútua influência entre si: pode-se presumir que, para que uma pessoa possa viver feliz no aiye, é preciso que esteja em harmonia com seus amigos espirituais no orun.
A solução básica do problema de quem é abiku implica em libertá-lo da sociedade à qual pertence. De fato, implica em tornar cada abiku indesejável ao seu grupo de pertença original no mundo espiritual, de modo que não queiram mais conservá-lo naquela sociedade. Sendo os abikus poderosos, é preciso muito conhecimento por parte dos sacerdotes que se propõem a lidar com eles. Alguns recursos para evitar a morte de um filho abiku e para retirar seu espírito da sociedade à qual pertence podem ser utilizados. Através de rituais é estabelecido um jogo de forças entre Egbé Aragbô e Egbé Abiku: forças de retenção do ser no aiye e forças de resgate deste mesmo ser no orun. Cultos e oferendas são realizados tanto para uns quanto para outros: para esta desistir de retomar seus membros e para aquela protegê-los de serem reconduzidos à companhia de seus pares no orun. Egbé Aragbô atua com Exu pela necessidade de manter o equilíbrio entre o aiye e o orun; age com o auxilio também de Oxum, pela influência dela sobre a fertilidade.
Egbé significa Sociedade: designa a Sociedade dos Espíritos Amigos e se refere, simultaneamente, a um orixá e a uma irmandade ou corporação de seres espirituais: trata-se de Èré igbó ou Aráagbó, que significa Habitante da floresta ou Habitante do além. Este orixá protege contra a morte prematura, acalma o sofrimento material e espiritual e orienta o ori do abiku e de seus devotos a seguir o caminho certo. Atrai progresso econômico e desenvolvimento espiritual, harmonizando esses dois aspectos da existência. Proporciona também os sentimentos de paz, tranquilidade, serenidade e confiança, trazendo a fertilidade em todos os aspectos da vida. Atrai condições para conquistas, domina recursos para promover cura e bem-estar, interfere no destino humano e remove obstáculos da vida: transforma lágrimas em sorrisos. Egbé Aráagbó é venerado para que se possa receber sua proteção contra seres visíveis e invisíveis. As pessoas costumam referir-se a ele dizendo Egbé mi, minha Sociedade, meus Companheiros. Há uma relação importante entre Ibeji e Egbé, pois Ibeji liga-se à natureza, de modo geral, e à floresta, morada de Egbé, de modo particular. Para cultuar um é preciso cultuar o outro.
Texto: Bàbálórìsà Adesiná Síkírù Sàlámì
Babalawo Ifagbaiyin Agboola

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Jagun Orixá Agbará Esé Egi Iroko

Jagun Orixá Agbará Esé Egi Iroko
 
Segundo as lendas e itans, conta-se que Jagun, era Guerreiro dos Exércitos de Obatalá e que foi enviado às Terras de Omolú para lutar pela paz em nome de Oxalá. Por isso, ele é cultuado em algumas nações como “Qualidade de Omolú”, por ter passado vários anos em terras de Omolú. Trata-se de um Orixá Funfun, pois o culto a Jagun nasceu no Ekiti Efon, por esse motivo Jagun é cultuado no Axé Efon como um Orixá separado de Omolú. Antes dele ter ido para as terras de Omolú já existia seu culto no Ekiti, onde era sua terra natal. Assim também conta seus itans que Jagun teve passagem não só nas terras de Omolú, mas também nas terras de Ifé (Terra de Ogun) e Elegibô (Terra de Osayan). Pela ordem do meridilogun, Jagun responde no Odú Ejionilê (oitavo Odu) Odú regido por Oxaguiã, Odú no qual também respondem outros Guerreiros Brancos como Ogunjá e Oxaguiã Ajagunãn. Pela ordem de chegada dos odus, o culto a Jagun nasceu no Odu Okaran.
Os filhos de Jagun, tem aparência jovem, são autoritários, arrogantes, guerreiros, justiceiros, briguentos e agitados, fortes na adversidade, costumam fazer tudo à sua maneira, ouvem conselhos dos outros, mas costumam seguir sua própria vontade…São pessoas trabalhadoras, gostam de tudo rápido, exigem asseio, limpeza; são pessoas impulsivas; pessoas de espírito livre; enjoam de tudo facilmente; são dados a paixões violentas e passageiras, são curiosos, adoram viajar. Possuem grande proteção espiritual, boas amizades e, quase sempre, caminhos abertos. Possuem comportamento delicado, são honestas, dedicadas e atenciosas. Vivem com grandes esperanças, estão sempre apaixonadas, são sonhadoras, sofrem e se desdobram para ajudar e defender os amigos. Quando são repudiados ou sofrem algum tipo de traição podem se tornar extremamente vingativas e amargas. Apesar de serem guerreiras e obstinadas, as pessoas de Jagun, às vezes se isolam preferindo ambientes calmos e tranquilos. A personalidade dos filhos de Jagun é um misto de características de Ogun, Omolú e Oxaguiã.
Jagun, é uma palavra Yorubá, e significa: Guerreiro, Soldado.
Jagun é um Orixá ambicioso, luta para conquistar posição alta sem ver de que maneira…Apesar de ser Orixá Funfun (branco), é considerado e cultuado como Santo de Guerra, “santo quente”, carrega uma lança prateada na mão e um facão ao adaga e muitas das vezes dependendo do caminho de Jagun ele usa até um ofá nas mãos,pois conta se um itan que Oxalá o nomeia como o guerreiro de todas as armas veste-se somente de branco. Usa contas brancas rajadas de preto e dependendo da qualidade, intercalada com contas brancas, gosta também de contas feitas de búzios e marfin. Jágun é Orixá jovem, quase chega ser um menino adolescente de Obatalá .. Ligado a Obatalá (Rei no pano branco ), tem caminhos com Ogunjá, Oxaguiã – Ajagunãn, e Ayrá. Tem caminhos também com Yemanjá e quase todas as Yabás, pois elas acalmam sua fúria. Quem traz Jagun ao barracão é Oxaguiã. Ele é considerado o “protetor” e “guardião” de Oxalufã. Carrega consigo o Odú Ejionilê. Por ser considerado Orixá Funfun (branco) não leva azeite de dendê, e sim azeite doce , banha de ori, adin e as vezes mel e de preferencia a banha de Ori, suas comidas são todas brancas, aceita pipocas feitas na areia, bolas de inhame cozido, bolas de arroz, acaçá, obi funfun (claro), come também do Ebô (canjica) de Oxalá, assim como seus bichos também devem ser todos brancos, por ser ligado ao rei do pano branco (Obatalá ).
Jagun dança com outros Orixás, acompanha na dança; Ogun e principalmente Oxaguiã e Oxalufã. A dança de Jagun é extremamente guerreira, começa com movimentos lentos, dança empunhando sua lança e adaga, seu momento de “êxtase” é quando salta e se sacode todo empunhando a lança de um lado para outro, tamanha é sua fúria guerreira nessa hora. Segundo as lendas, a lança prateada de Jagun, durante as batalhas e guerras, além de ser usada para proteção contra os males e feitiçarias e abrir os caminhos, deixava seus inimigos cegos após serem feridos por ela. Jagun, assim como Ogun, é um grande caçador, e por sinal foi ele quem ensinou seu irmão Oxóssi a caçar. Ele não deixa também de ser um guerreiro, assim é Jagun, um grande guerreiro mas também um grande caçador. E algumas de suas cantigas relatam isso.
Conta o itan de Ogi-Ogbé/Okaran que existiam três irmãos: Já, Jágun e Ajagunãn.
Eram três Guerreiros que pertenciam aos exércitos de Obatalá, lutavam e venciam todas as guerras e batalhas em nome de Oxalá e eram os Guardiões deste Orixá. Eram chamados de Guerreiros Brancos, por se vestirem somente com trajes brancos em homenagem a Obatalá. Eram considerados invencíveis, por sua bravura e coragem, nunca perderam uma batalha sequer. Sempre muito unidos, nunca se separavam. Mas um belo dia, os três irmãos guerreiros, foram guerrear contra a cidade de Oxum. Oxun com a grande sabedoria dos poderes de Iyami, foi avisada que seu reino seria atacado. Oxun ficou desesperada e foi até Ifá para saber o que faria. Orumila mandou ela fazer um ebó, sacrificar oito Igbis à Oxalá e com o casco fizesse um pó e soprasse nas terras de Osogbo. Assim Oxun fez, quando os guerreiros chegaram para invadirem as terras, eles ficaram tontos e se perderam um do outro. Aí que Jagun foi para as terras de Omolú, Já para as terras de Ifé Ogun, e Ajagunã para as terras de Oxagyan. Mas mesmo assim, os três irmãos sempre estão juntos, respondem um pelo outro, eles continuam a ser Guerreiros Brancos, ou seja, são considerados Orixás Funfun, e sempre ligados a Obatalá, seus caminhos se cruzam…os três irmãos Guerreiros continuam nas batalhas, sempre guerreando pela Páz.
Deram essa característica guerreira aos seus filhos. É por isso que o culto a Jagun foi assimilado ao de Omolú, sendo que depois disso conta o Itan que ele viveu alguns anos nas terras de Omolú e que lá encontrou uma linda mulher que também não era das terras, mas estava lá por outros motivos, e se apaixonou por ela, tiveram filhos e se amam até hoje, e essa linda mulher era Yewá . Lá, ele se juntou com o Orixá Osayn e passou a ser um grande curandeiro, e em tempos de guerra ele cuidava dos guerreiros feridos com as porções e ervas mágicas que Ossaim o ensinou. Jagun teve uma trajetória muito grande e bonita nas terras de Omolú, mas depois de anos retornou as terras do Ekiti-Efon, onde Oxun era rainha e Osagyan grande guerreiro e protetor do palácio e cidade de Oxun. Conta-se também que Jagun foi às terras de Osogbo, para destruir a cidade e buscar Oxun, pois Oxun tinha sua cidade onde era rainha Ekiti Efon, entao por ordem de Olooke ele fui buscá-la. Depois disso tudo ter acontecido, Jagun viveu anos nas terras de Omolu, Oxagyan trouxe Oxun de volta para Ekiti-Efon, por isso muitos acabaram se equivocando ao falar que foi Oxagyan quem deu as terras de Ekiti para Oxum, mas nao foi isso que aconteceu, ele apenas trouxe Oxun de volta a terra onde ela nasceu e era dona junto com Olooke seu pai. Orixá Olooke vendo o prejuízo que Jagun teve e o tempo que ficou em outras terras, por causa de seu pedido de buscar Oxum, intitulou Jagun Olu (Guerreiro senhor ), para retribuir o tempo que Jagun ficou afastado de sua terra que tanto amava (Ekiti ). Orixá Jagun foi muito confundido com o culto à Omolu e Obaluaye, e foi por esse motivo que muitos de seus fundamentos se perderam, mas graças a Olorum, está sendo resgatado todos os preceitos e orôs..Jagun possui caminhos próprios, como Jagun Odé, Arawe, Agaba e outros….Jagun é um lindo Orixá de grande valor e na verdade seu culto é separado de Obaluaye….
Aqui vamos relacionar alguns caminhos de Jagun …
Jagun Arawê, ligado a Ossayn e Oxaguian
Jagun Igbonan, ligado a Ayrá,Oya e Obá
Jagun Algbá, ligado a Exú, Oxaguian, Oxalufan e Oxun Yeye Ayalá
Jagun Odé, ligado a Odé Inlé, Ogun Jáe todos os caçadores
Jagun Agbá funfun, ligado a Oxalufan, Iyemanjá e Oxun
Jagun Seji Onan ou Ajoji, ligado a Exu e Ogun
Suas folhas: Akoko, algodão, saião, fortuna. folha de obi, folhas de iroko , folhas oguegue e todos folhas de Oxalá…

quarta-feira, 4 de julho de 2018

ORISÁ MUSÓ

ORIXÁ MUSÒ
Explica-se que o homem é o ultimo ato da criação. Deus supremo OLODUMARE modelou o ser humano da matéria viva a lama sagrada que deu origem a criação do mundo levada até a ele no Orun por IKÚ. Com o barro sagrado OLODUMARÊ modela o corpo e lhe insufla o seu sopro divino "IWÁ”; em seguida seu ajudante, AJALÁ modela a cabeça "ORI”; OBATALA os apadrinham com o poder e a força espiritual. ORUMILÁ é quem determina e escolhe o destino a cada um com seu odu pessoal, ou seja, com seu "KARMA" que através dele também são transmitido à personalidade a cada novo ser humano. EXÚ é responsável de proteger o IWÁ (caráter), que irão reger sua vida. LATOPÁ considerada por uns como a verdadeira mãe de exu e por outros como uma personificação própria de exu, de LATOPÁ origem as doenças (ARUN), e todas as moléstias.
MUSO:
É um orixá responsável pela nossa ligação direita com os nossos ancestrais ele é o principio da vitalidade é ligado á bananeira a qual segundo as tradições africanas é local de moradia de todos os antepassados e local preferido de culto a nossa mãe ancestral IYÁ MI AGBÁ. 
É onde após nosso nascimento se enterrava o umbigo do recém nascido. Dai através desse ato do surgimento então a primeira IYAMI nossa mãe feiticeira e logo em seguida do surgimento a IYÁMI ABIAMÔ , que vai reger todo o processo da gravidez e do nascimento das crianças que aqui no Brasil é confundida como OXUM; ela passa a reger não só a gestação, mas também todas as anomalias que dai possam surgir, pelo MUSÓ ABIKU: criança que nasce e morre logo depois.
EMERÊ:
A criança que nasce e morre causando a morte da mãe ou até mesmo do pai.
AJOBÍ:
A criança que nasce com um dedo a mais.
OKÊ:
A criança que nasce com a placenta na cabeça
IGÊ:
A criança que nasce em posição inversa, com os pés na frente
ABAMÍ:
A criança que nasce com aparência de velha, com espírito de uma pessoa falecida antes de sua hora. O espírito que volta nessa criança para cumprir o que faltava completar em vida.
OJÔ:
A criança superdotada
AINON:
A criança que nasce com cordão umbilical enrolado no pescoço
DADÁ:
A criança que nasce com cabelos encaracolados .
Existem também outras anomalias. Por exemplo, toda criança que nasce cercada de seres invisíveis que acompanham. Aos poucos, ela se desliga deles e começa a se Interessar pelas pessoas ao seu redor, por gestos e sons. se a criança não se desligar desses seres, ela continuará brincando e falando com eles, ficará acordada a noite em ao invés de dormir.
Todas essas anomalias se originam no MUSÓ, que faz parte de cada ser humano, porque ninguém nasce perfeito. 
As iyámis, essas entidades extremamente perigosas, vão residir nas árvores e tomar a forma de certos pássaros para que possam se deslocar rapidamente e agir por isso, são chamadas de IYÁ-ELEYÉS as donas dos pássaros, que trabalham tanto para o bem e quanto para o mal.
No odu OGBE-OWORIN , relata que o primeiro homem a ser modelado por OBATALÁ foi LAMURUDU, um guerreiro caçador. Com sua família e seus descendentes, ele fundou uma cidade, IFÉ OWU; mas como já havia outros seres no local, LAMURUDU sentiu-se incomodado e saiu pelo mundo afora. Errante, até chegar a BORNU, no SAARA; foi, em seguida, até o EGITO e depois até MECA, ARÁBIA SAUDITA. Nessa caminhada, os seus seguidores fundaram números povoados. Antes de morrer LAMURUDU aconselhou seu filho ODUDUWÁ a voltar para IFÉ e este assim o fez. Partindo com seu irmão OLOFI ONILÊ e com seus seguidores, para fundar e instalar em IFÉ, cuja população cresceu e prosperou. No odu OGBÉ-MEJI se conta que originalmente o céu (ORUN) não estava separado da terra ( ayê ) a fronteira entre esses dois planos era controlada por um guardião denominado ( ONIGBODÊ ) , mas todos podiam circular livremente entre um e outro. os irunmolês e os humanos iam de um plano a outro e podiam consultar OLODUMARÊ para resolver seus problemas . Durante o afastamento de LAMURUDU, houve uma grande discórdia na terra surgiu uma disputa entre o mestre dos céus, AJALORUN, representante de OLODUMARÊ e um dos seguidores de ODUDUWÁ, AJALAYÊ, o mestre da terra.
AJALORUN queria se apoderar de uma oferenda de rato-do-campo (EMÔ) e AJALAYÊ se opôs a isso. Ofendido, AJALORUN se retirou para o alto do céu, que se elevou ainda mais, separando-se da terra. A chuva deixou de cair; tudo se tornou árido, plantas secaram e os animais morreram. Os habitantes da terra tiveram então que reconhecer a supremacia de AJALORUN, e resolveram enviar o rato de volta para o céu, mas este já estava tão distante, no alto. Somente AKALAMAGBÔ ( o abutre ) poderia cumprir essa tarefa. AKALAMAGBÔ partiu para cumprir sua tarefa que saiu levando a oferenda determinada, sua mãe morreu, mas ninguém se preocupou de enterrá-la. Quando AKALAMAGBÔ voltou ninguém lhe deu a notícia e, por acaso, quando veio de sua missão estava muito faminto, ele encontrou um cadáver e o comeu sem saber que era sua mãe. depois disso a chuva voltou a cair e tudo se normalizou. Mas, em conseqüência o céu ficou separado da terra e os humanos não tiveram mais livre acesso no ORUN. No espaço vazio ficou esú (ONIGBODÊ) que para uns chama-se LATOPÁ. Foi ele o responsável por estabelecer a ligação entre e OLODUMARÊ e os homens, transmitindo os recados determinado por ORUMILÁ. ORUMILÁ teve outro filho,. AMUSU, a quem deu todo o seu conhecimento de IFÁ, Tendo ele de tornado o primeiro BABALAWÔ da terra. Depois de cumprir sua missão OBATALÁ não ficou na terra e retirou-se para o céu a fim de ficar perto de OLODUMARÊ. dizem que LATOPÁ esta ligada também ao final da vida, por ter gerado um EGUN , que vai ser o primeiro desencarnado a estabelecer uma ligação entre os vivos e os ancestrais. Com ele começa o culto dos BABAS-EGUNS, fundado por uma mulher, IYÁ AGBON, outra forma conhecida de OYÁ.
EM TEMPO:
MUSÒ ou EGBÉ
Na Nigéria, cada cidade cultua MUSÒ ou EGBÉ de uma forma. Lá, este culto é muito procurado para curar doenças da alma (loucura, infelicidade, pesadelos...) ou quando a mulher não consegue engravidar.
Segundo o Culto, existem vários EGBÉ no AYÈ: OMI, IGBO, IROKO, ORITÁ, IDE OGDE e outros. Neles também estão os ABIKU, EMERE e ABIRUN.
Toda criança antes de ser gerada pertence a um EGBÉ. Após dois meses e meio, ou três, ou três meses e meio, a vida entra na grávida. Caso a vida não consiga entrar, a grávida aborta. E, quando a pessoa morre, a alma volta para o grupo que pertence.

terça-feira, 3 de julho de 2018

ATINS: Pós Sagrados

ATINS: Pós Sagrados
Wáji

  Tinta azul em forma de pó petrificado de origem vegetal o qual busca a representação do sangue negro, simbolizando a noite e a relação de ancestres ligados à própria escuridão. As partes frescas são contundidas a uma polpa, fermentada, seca e vendida nesta forma, as folhas somente são secadas ao sol e são usadas em um estado quebradiço. Representa o anoitecer. Este pó azul é utilizado em inúmeros rituais do candomblé, principalmente para assentamentos de orixá “Igba Orixá” e na feitura de santo sobre a cabeça do ìyáwó. Símbolo da idealização, transformação, direcionamento com o objetivo de proteger contra todos os males espirituais, materiais e psíquicos, principalmente da negatividade de Ìyámi. O wáji é um elemento muito importante no culto aos Orixás, uma vez que, junto com outros elementos, ajuda a proteger a cabeça dos nossos Ìyáwós contra as Ajés. Segunda a crença africana essas pinturas impediriam que eleyé (ave ligada as Ìyámi) pousasse no ori dos iniciados, pois caso isso ocorresse seria um desastre para vida dessa pessoa.
O wáji representa a cor dundun (preta), o sangue azul que vem das folhas. Existem diversas espécies que podem ser utilizadas para a produção de corantes azuis como a Isatis tinctoria ,Indigofera tinctoria, Philenoptera cyanescens e o Lonchucarpus cyanescens.
Segundo alguns relatos, as duas primeiras não seriam utilizadas para a produção do wáji tradicional, sendo apenas usadas para a confecção do anil (usado para tingir jeans, por exemplo). O verdadeiro wáji seria, portanto, retirado do processo de fermentação das folhas do Lonchucarpus sp. que é conhecido pelo nome de índigo africano ou índigo yorubá.
O processo de fabricação desse corante era complexo e exigia grande perícia, sendo cercado de prescrições e proibições rituais. Era tão importante que os tinteiros iorubas cultuavam até uma divindade específica para essa finalidade, Iyá Mapo. O pano tingido de índigo significava riqueza, abundância e fertilidade. Este pó está relacionado a força espiritual.
OSÙN
É um pó vermelho, extraído do Pterocarpus Erinaceus, árvore Baphia nitida Leguminosae Papilionoideae, normalmente o compramos em pequenas bolas. Utilizado no ritual de Iniciação para a maioria dos ÒRÌSÁ principalmente para as ÌYÁBAS. Porém é interdição para todos os ÒRÌSÁ FUNFUN. O Osùn é utilizado em vários rituais do candomblé, na construção de assentamentos de orixá igba orixá, nas pinturas sagradas da iniciação ketu, principalmente na construção do adosun (um cone que fica no centro da cabeça do iaô) com a função de transmitir o poder espiritual chamado de axé e livra-lo do infortúnio gerado por uma das Iyami-Ajé.
Este pó vermelho traz a vida ao iniciado, simbolizando a cor do ÈJÈ PUPA, ou seja, a vida que renascera para os ÌYÀWÓ.
Existem ebós e banhos onde se faz uso do Osùn, para a sorte, prosperidade, fertilidade, para afastar doenças, recuperação de vida e para o amor. O pó de Osùn é associado ao ÀSE do sangue vermelho dentro do reino vegetal. Este pó representa o crepúsculo.
ÌYÈROSÙN
O pó da Pterocarpus osun que tem a cor amarela é utilizado nos rituais sagrados de Ifá, Orumilá, Oduduwa, e todos os Orixás funfun, muito utilizado para formar os gráficos de odu no Opon Ifá e na preparação do merindilogun. É um pó esbranquiçado natural da arvore ÌRÒSÙN- Eucleptes Franciscana F, através da ação de cupins que produzem o pó ou serragem. Ele é espalhado sobre o OPON- IFÁ, onde o BÀBÁLÁWÓ faz a marcação dos ODÚ e posteriormente, após ritual próprio, esse ÌYÈROSÙN que foi encantando, poderá ter diversas utilidades. É empregado em beberagens, banhos, sabão para banho, em diversas formas para proteção e sorte, podendo ainda dependendo a situação ser espalhado sobre oferendas aos ÒRÌSÁ ou a ÒRÚMÌLÁ. Mas somente terá valor litúrgico se for preparado por um BÀBÁLÁWÓ.
EFUN
É um pó esbranquiçado feito do barro branco encontrado no fundo do rio, foi o primeiro condimento utilizado antes da introdução do sal. É um “giz” branco empregado na pintura Iniciática de todos os ÒRÌSÀ principalmente para os ÒRÌSÁ FUNFUN. Este pó pode ser utilizado também em banhos. EFUN na língua YORÙBÁ quer dizer cal, giz.
No culto a OBÀTÁLÁ- ÒÒSÁÁLÀ na África, o EFUN é representado por bolos redondos de giz que se chamam SÉSÉ- EFUN. EFUN também significa cal, e cal é ” lime ” em inglês, que também é limo, o chamado Limo da Costa para representar ÒÒSÁÁLÀ acaba sendo confundido devido ao uso errôneo da palavra.
O EFUN simboliza o dia, por isso, quando em pó, seja soprado ou friccionado seco sobre o ORÍ dos Omo ÒRÌSÁ Kon, é utilizado com o objetivo de ampliar, vitalizar, iluminar, clarear, despertar e intensificar. Já o EFUN molhado com água pura ou com o ÈJÈ do ÌGBÍN é utilizado para acalmar, tranquilizar, adormecer, suavizar, abrandar, aliviar, proteger. Por isso que a cabeça do ÌYÀWÓ em reclusão deve permanecer coberta de pó de EFUN no dia, e durante a noite coberta com WÀJÌ com pequenas marcas de EFUN.
Muito usado em ebó elaborados para os ÒRÌSÁ FUNFUN. Este pó é considerado sagrado, traz o equilíbrio, tranquilidade, paz e paciência.
Tipos dos EFUN.
- O EFUN mineral: é um pó retirado do barro, que são encontrados na natureza em várias cores, também chamada de tabatinga.
- O EFUN vegetal: é um pó retirado de frutos: OBÌ, ORÓGBÓ, ARIDAN, PICHURIN, NÓS-MOSCADA e folhas.
A mistura do EFUN mineral e o EFUN vegetal recebe o nome de ATIN e só deve ser preparada pela ÌYÁLÓÒRÌSÀ ou a ÌYÁ EFUN.
- O EFUN animal: é o pó retirado de ossos e cartilagem dos ossos dos animais utilizados em sacrifícios aos ÒRÌSÁ.
Este pó só pode ser feito pelo BÀBÁLÓRÌSÀ ou pelo BÀBÁ EFUN.
Estas cores destes pós representam:
– OSÙN o crepúsculo
– WÀJÌ o anoitecer
– EFUN o amanhecer
Estes pós são originários do Continente Africano, mas os encontramos facilmente aqui no Brasil, não existindo a substituição deles por outros que em nada se equivalem a eles na Veiculação e Transmissão do verdadeiro ÀSE exemplo:
– OSÙN não é o urucum (que também é um pó comum)
– WÀJÌ não é o anil (que é um pó químico)
– EFUN não um giz ( giz feito de pó comum)

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Diferenças entre "Odú e Odun

Diferenças entre "Odú e Odun
 
Odú = é signo de Ifá..Obedece a uma cronologia dentro do sistema de Ifá/Òrúnmílá.
1. OKANRAN-MEJI -
2. EJIOKO-MEJI –
3. ETAOGUNDÁ-MEJI –
4. IOROSSUN-MEJI –
5. OXÊ-MEJI –
6. OBARÁ-MEJI –
7. ODI MEJI –
8. EJONILÊ-MEJI –
9. OSSÁ MEJI -
10. OFUN-MEJI/OGIOFUN –
11. OWARYN-MEJI –
12. EJILOSEBORÁ –
13. EJIOLIGIBAN MEJI –
14. IKÁ MEJI –
15. OGBEOGUNDÁ MEJI –
16. ALÁFIA-ONAN – 
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ÓDÚN:
 
Ódún = quer dizer Ano - Sendo assim, o etmo da palavra designa o tempo de um calendário, aniversários, e comemorações de eventos durante os ciclos específicos. Logo não existe "Odú Ijè" e sim Òdún Ejè - Literalmente sete anos- (Ejè corruptela de "meje" o numero sete) Ainda existem aqueles que para designar quatorze anos, adotaram o termo "Odú Iká" em uma alusão totalmente fora de contexto numérico, e associada a caída do Odu Iká,cuja aparência no Eríndílògun (Jogo de Búzios) corresponde a quatorze búzios abertos e dois fechados..As questões relacionadas aos Odu /Ifá nada tem relação com a contagem dos ciclos iniciáticos.
Sendo assim a saber dentro de uma cronologia,contadas a partir da iniciação:
Òdun Bí - Iawò, relacionado ao verbo nascer
Òdun Kán- Literalmente um ano
Òdún Êji - Dois anos
Òdun Etá ou Metá- Tres anos
Òdún Erin - quatro anos
Òdún Árun - cinco anos
Òdún Éfá - seis anos
Òdún Ejè -Sete anos
Òdún Ejó - oito anos
Òdún Ésan - nove anos
Òdún Éwá - dez anos
Òdún Ókanlá - onze anos
Òdún êjilá - doze anos
Òdún Étalá - treze anos
Òdún Èrínlá- Quatorze anos
Òdún Édogun - quinze anos
Òdún Érindi lógun - dezesseis anos
Òdún Étadilogun - dezesete anos
Òdún Egidilogun - dezoito anos
Òdún Ókandilogun - dezenove anos
Òdún Ôgun - vinte anos
Ódún Okánlélogún -Vinte e um anos
Ódún Ògbón- Designa antiguidade de uma pessoa dentro do culto.

domingo, 1 de julho de 2018

ARIDAN

Você sabía ?
Aridan, Àrìdan é o nome de uma árvore de origem africana, cultivada no Brasil, que produz frutos com o mesmo nome, seu nome científico é TETREPLEURA.
Fava de Aridan como é chamado no candomblé é um fruto sagrado que entra na maioria dos rituais do candomblé, principalmente nos rituais do ODUN EJÊ, SASANHA, ABÔ e ASSENTAMENTO DE ORISÁS. No sentido de proteger o barracão e os filhos de santo contra os feitiços.
Segundo Verger, este mesmo vegetal tem o mesmo nome na África e um vasto uso nos rituais, principalmente em trabalhos benéficos para combates de bruxaria praticadas pelas feiticeiras(IYÁMI'S).
A fava consiste em um envólucro que protege as sementes e em algumas espécies, são usadas ainda verde como leguminosas, em outros espera-se q amadureçam e sequem para serem trituradas ou delas serem retiradas suas sementes.
Seu uso é exatamente no sentido de proteção, que vai efetuar ao iniciado quando mistirada nos preparos de pó sagrado.
Nos rituais de Orisás, nada se faz sem o uso dessa poderosa fava, que é utilizada desde os tempos remotos, por sacerdotes das diversas regiões da África.
A Aridan é muito conhecida pelo povo do candomblé, por ser talvez a mais sagrada de todas as favas utilizadas. Até mesmo ESÚ leva essa fava em seu assentamento e jamais se faz nada, sem que ela esteja dentro do IGBÁ ORISÁ.
Sua utilização dentro do Candomblé é universal, sendo que todas as nações a utilizam e praticamente da mesma forma. Apenas ressalto que somente um sacerdote devidamente preparado pode utilizar essa ou qualquer outra fava nos rituais litúrgicos.
A Aridan protege desde os IGBÁS, as pessoas e a Casa de candomblé.

ATARÉ

Você sabia ?
O Ataré também conhecido como Pimenta da Costa, Grãos do Paraíso e cujo nome científico é Aframomum melegueta roscoe K. Schum pertence à família Zingiberacea e a mesma do gengibre. Encontrada na região costeira da África, é uma erva perene com porte de uma “mini palmeira” podendo atingir cerca de 1,0 a 1,5m de altura, seus frutos quando secos apresentam uma casca de coloração marrom, as sementinhas de ataré são encontradas dentro do fruto envolvidas por uma película bem fina. O seu cultivo é essencialmente pela sua valiosa semente, que possui uma picância não muito acentuada (tipo o amargo da mostarda), que lhe valeu o nome de "grão do paraíso", indicando seu alto valor como especiaria e na medicina. A semente é usada extensivamente em etno medicina para uma variedade de doenças, possuem ativos para diversas atividades biológicas, especialmente contra inflamações e doenças infecciosas.
Além de propriedades medicinais o Ataré é utilizado em rituais de Candomblé. Seu uso acontece em cerimonias que fazem alusão ao Orixá Exú. Este é utilizado com o significado de limpar o hálito e retirar todas as más intenções que as palavras podem conter. Outra cultura que utiliza o Ataré é a Cultura Iorubá, que o usa como forma de dote, onde o noivo oferta ataré à família da noiva e este significa fecundidade.
Os Grãos do Paraíso ou ataré tem sido a planta nativa favorita para curandeiros africanos, que usam suas sementes para tratar doenças de tosse, dor de dente e para sarampo. Suas sementes são utilizadas na África Ocidental como um remédio para uma variedade de doenças como dor de estômago, diarreia e até mesmo picada de cobra. As sementes do ataré contêm gingeróis e compostos relacionados que podem ser úteis contra as doenças cardiovasculares, diabetes, e inflamações.
O ataré ou pimenta da Costa, é um elemento bastante utilizado em inúmeros rituais do candomblé. Seu simbolismo provém da força que produz ao ser mastigada, e também pelo fato de ela dá força à palavra da pessoa que a mastiga, aumentando o dom de profetização, tanto para coisas positivas quanto para negativas, assim como protege o corpo físico e espiritual da pessoa que a oferece.
É um elemento de predileção de Exu, mas inúmeros outros orixás a aceitam, ela vai em ebós, boris, na produção de atins, nos igbás e em inúmeras outras funções dentro da religião. Costuma-se soprar grãos de ataré mastigados com gim na porta da rua pra despachar e ter voz de comando junto a Exú, assim como se mastigar pimenta da Costa cedo ao acordar sem escovar os dentes, para ser reconhecido por Exu e Orixá.
Alguns chegam até a cuspir no igbá Exu, ataré com gim, fazer seus orikis e seus pedidos com a “força na palavra”.
Quando se acorda pela manhã, sem lavar a boca se esta com seu emi, seu halito, seu cheiro natural. O Orixá e Exú sentem e reconhecem nosso cheiro natural. Esse costume de se levantar e antes de fazer qualquer coisa mascar ataré é um costume que provêm do povo de Ifá.