VENHA JOGAR BUZIOS

VENHA JOGAR BUZIOS
CONSULTE COM "O CATIÇO" SEU TRANCA RUA. Estamos no bairro Floresta em Belo Horizonte- M.G.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Jagun Orixá Agbará Esé Egi Iroko

Jagun Orixá Agbará Esé Egi Iroko
 
Segundo as lendas e itans, conta-se que Jagun, era Guerreiro dos Exércitos de Obatalá e que foi enviado às Terras de Omolú para lutar pela paz em nome de Oxalá. Por isso, ele é cultuado em algumas nações como “Qualidade de Omolú”, por ter passado vários anos em terras de Omolú. Trata-se de um Orixá Funfun, pois o culto a Jagun nasceu no Ekiti Efon, por esse motivo Jagun é cultuado no Axé Efon como um Orixá separado de Omolú. Antes dele ter ido para as terras de Omolú já existia seu culto no Ekiti, onde era sua terra natal. Assim também conta seus itans que Jagun teve passagem não só nas terras de Omolú, mas também nas terras de Ifé (Terra de Ogun) e Elegibô (Terra de Osayan). Pela ordem do meridilogun, Jagun responde no Odú Ejionilê (oitavo Odu) Odú regido por Oxaguiã, Odú no qual também respondem outros Guerreiros Brancos como Ogunjá e Oxaguiã Ajagunãn. Pela ordem de chegada dos odus, o culto a Jagun nasceu no Odu Okaran.
Os filhos de Jagun, tem aparência jovem, são autoritários, arrogantes, guerreiros, justiceiros, briguentos e agitados, fortes na adversidade, costumam fazer tudo à sua maneira, ouvem conselhos dos outros, mas costumam seguir sua própria vontade…São pessoas trabalhadoras, gostam de tudo rápido, exigem asseio, limpeza; são pessoas impulsivas; pessoas de espírito livre; enjoam de tudo facilmente; são dados a paixões violentas e passageiras, são curiosos, adoram viajar. Possuem grande proteção espiritual, boas amizades e, quase sempre, caminhos abertos. Possuem comportamento delicado, são honestas, dedicadas e atenciosas. Vivem com grandes esperanças, estão sempre apaixonadas, são sonhadoras, sofrem e se desdobram para ajudar e defender os amigos. Quando são repudiados ou sofrem algum tipo de traição podem se tornar extremamente vingativas e amargas. Apesar de serem guerreiras e obstinadas, as pessoas de Jagun, às vezes se isolam preferindo ambientes calmos e tranquilos. A personalidade dos filhos de Jagun é um misto de características de Ogun, Omolú e Oxaguiã.
Jagun, é uma palavra Yorubá, e significa: Guerreiro, Soldado.
Jagun é um Orixá ambicioso, luta para conquistar posição alta sem ver de que maneira…Apesar de ser Orixá Funfun (branco), é considerado e cultuado como Santo de Guerra, “santo quente”, carrega uma lança prateada na mão e um facão ao adaga e muitas das vezes dependendo do caminho de Jagun ele usa até um ofá nas mãos,pois conta se um itan que Oxalá o nomeia como o guerreiro de todas as armas veste-se somente de branco. Usa contas brancas rajadas de preto e dependendo da qualidade, intercalada com contas brancas, gosta também de contas feitas de búzios e marfin. Jágun é Orixá jovem, quase chega ser um menino adolescente de Obatalá .. Ligado a Obatalá (Rei no pano branco ), tem caminhos com Ogunjá, Oxaguiã – Ajagunãn, e Ayrá. Tem caminhos também com Yemanjá e quase todas as Yabás, pois elas acalmam sua fúria. Quem traz Jagun ao barracão é Oxaguiã. Ele é considerado o “protetor” e “guardião” de Oxalufã. Carrega consigo o Odú Ejionilê. Por ser considerado Orixá Funfun (branco) não leva azeite de dendê, e sim azeite doce , banha de ori, adin e as vezes mel e de preferencia a banha de Ori, suas comidas são todas brancas, aceita pipocas feitas na areia, bolas de inhame cozido, bolas de arroz, acaçá, obi funfun (claro), come também do Ebô (canjica) de Oxalá, assim como seus bichos também devem ser todos brancos, por ser ligado ao rei do pano branco (Obatalá ).
Jagun dança com outros Orixás, acompanha na dança; Ogun e principalmente Oxaguiã e Oxalufã. A dança de Jagun é extremamente guerreira, começa com movimentos lentos, dança empunhando sua lança e adaga, seu momento de “êxtase” é quando salta e se sacode todo empunhando a lança de um lado para outro, tamanha é sua fúria guerreira nessa hora. Segundo as lendas, a lança prateada de Jagun, durante as batalhas e guerras, além de ser usada para proteção contra os males e feitiçarias e abrir os caminhos, deixava seus inimigos cegos após serem feridos por ela. Jagun, assim como Ogun, é um grande caçador, e por sinal foi ele quem ensinou seu irmão Oxóssi a caçar. Ele não deixa também de ser um guerreiro, assim é Jagun, um grande guerreiro mas também um grande caçador. E algumas de suas cantigas relatam isso.
Conta o itan de Ogi-Ogbé/Okaran que existiam três irmãos: Já, Jágun e Ajagunãn.
Eram três Guerreiros que pertenciam aos exércitos de Obatalá, lutavam e venciam todas as guerras e batalhas em nome de Oxalá e eram os Guardiões deste Orixá. Eram chamados de Guerreiros Brancos, por se vestirem somente com trajes brancos em homenagem a Obatalá. Eram considerados invencíveis, por sua bravura e coragem, nunca perderam uma batalha sequer. Sempre muito unidos, nunca se separavam. Mas um belo dia, os três irmãos guerreiros, foram guerrear contra a cidade de Oxum. Oxun com a grande sabedoria dos poderes de Iyami, foi avisada que seu reino seria atacado. Oxun ficou desesperada e foi até Ifá para saber o que faria. Orumila mandou ela fazer um ebó, sacrificar oito Igbis à Oxalá e com o casco fizesse um pó e soprasse nas terras de Osogbo. Assim Oxun fez, quando os guerreiros chegaram para invadirem as terras, eles ficaram tontos e se perderam um do outro. Aí que Jagun foi para as terras de Omolú, Já para as terras de Ifé Ogun, e Ajagunã para as terras de Oxagyan. Mas mesmo assim, os três irmãos sempre estão juntos, respondem um pelo outro, eles continuam a ser Guerreiros Brancos, ou seja, são considerados Orixás Funfun, e sempre ligados a Obatalá, seus caminhos se cruzam…os três irmãos Guerreiros continuam nas batalhas, sempre guerreando pela Páz.
Deram essa característica guerreira aos seus filhos. É por isso que o culto a Jagun foi assimilado ao de Omolú, sendo que depois disso conta o Itan que ele viveu alguns anos nas terras de Omolú e que lá encontrou uma linda mulher que também não era das terras, mas estava lá por outros motivos, e se apaixonou por ela, tiveram filhos e se amam até hoje, e essa linda mulher era Yewá . Lá, ele se juntou com o Orixá Osayn e passou a ser um grande curandeiro, e em tempos de guerra ele cuidava dos guerreiros feridos com as porções e ervas mágicas que Ossaim o ensinou. Jagun teve uma trajetória muito grande e bonita nas terras de Omolú, mas depois de anos retornou as terras do Ekiti-Efon, onde Oxun era rainha e Osagyan grande guerreiro e protetor do palácio e cidade de Oxun. Conta-se também que Jagun foi às terras de Osogbo, para destruir a cidade e buscar Oxun, pois Oxun tinha sua cidade onde era rainha Ekiti Efon, entao por ordem de Olooke ele fui buscá-la. Depois disso tudo ter acontecido, Jagun viveu anos nas terras de Omolu, Oxagyan trouxe Oxun de volta para Ekiti-Efon, por isso muitos acabaram se equivocando ao falar que foi Oxagyan quem deu as terras de Ekiti para Oxum, mas nao foi isso que aconteceu, ele apenas trouxe Oxun de volta a terra onde ela nasceu e era dona junto com Olooke seu pai. Orixá Olooke vendo o prejuízo que Jagun teve e o tempo que ficou em outras terras, por causa de seu pedido de buscar Oxum, intitulou Jagun Olu (Guerreiro senhor ), para retribuir o tempo que Jagun ficou afastado de sua terra que tanto amava (Ekiti ). Orixá Jagun foi muito confundido com o culto à Omolu e Obaluaye, e foi por esse motivo que muitos de seus fundamentos se perderam, mas graças a Olorum, está sendo resgatado todos os preceitos e orôs..Jagun possui caminhos próprios, como Jagun Odé, Arawe, Agaba e outros….Jagun é um lindo Orixá de grande valor e na verdade seu culto é separado de Obaluaye….
Aqui vamos relacionar alguns caminhos de Jagun …
Jagun Arawê, ligado a Ossayn e Oxaguian
Jagun Igbonan, ligado a Ayrá,Oya e Obá
Jagun Algbá, ligado a Exú, Oxaguian, Oxalufan e Oxun Yeye Ayalá
Jagun Odé, ligado a Odé Inlé, Ogun Jáe todos os caçadores
Jagun Agbá funfun, ligado a Oxalufan, Iyemanjá e Oxun
Jagun Seji Onan ou Ajoji, ligado a Exu e Ogun
Suas folhas: Akoko, algodão, saião, fortuna. folha de obi, folhas de iroko , folhas oguegue e todos folhas de Oxalá…

quarta-feira, 4 de julho de 2018

ORISÁ MUSÓ

ORIXÁ MUSÒ
Explica-se que o homem é o ultimo ato da criação. Deus supremo OLODUMARE modelou o ser humano da matéria viva a lama sagrada que deu origem a criação do mundo levada até a ele no Orun por IKÚ. Com o barro sagrado OLODUMARÊ modela o corpo e lhe insufla o seu sopro divino "IWÁ”; em seguida seu ajudante, AJALÁ modela a cabeça "ORI”; OBATALA os apadrinham com o poder e a força espiritual. ORUMILÁ é quem determina e escolhe o destino a cada um com seu odu pessoal, ou seja, com seu "KARMA" que através dele também são transmitido à personalidade a cada novo ser humano. EXÚ é responsável de proteger o IWÁ (caráter), que irão reger sua vida. LATOPÁ considerada por uns como a verdadeira mãe de exu e por outros como uma personificação própria de exu, de LATOPÁ origem as doenças (ARUN), e todas as moléstias.
MUSO:
É um orixá responsável pela nossa ligação direita com os nossos ancestrais ele é o principio da vitalidade é ligado á bananeira a qual segundo as tradições africanas é local de moradia de todos os antepassados e local preferido de culto a nossa mãe ancestral IYÁ MI AGBÁ. 
É onde após nosso nascimento se enterrava o umbigo do recém nascido. Dai através desse ato do surgimento então a primeira IYAMI nossa mãe feiticeira e logo em seguida do surgimento a IYÁMI ABIAMÔ , que vai reger todo o processo da gravidez e do nascimento das crianças que aqui no Brasil é confundida como OXUM; ela passa a reger não só a gestação, mas também todas as anomalias que dai possam surgir, pelo MUSÓ ABIKU: criança que nasce e morre logo depois.
EMERÊ:
A criança que nasce e morre causando a morte da mãe ou até mesmo do pai.
AJOBÍ:
A criança que nasce com um dedo a mais.
OKÊ:
A criança que nasce com a placenta na cabeça
IGÊ:
A criança que nasce em posição inversa, com os pés na frente
ABAMÍ:
A criança que nasce com aparência de velha, com espírito de uma pessoa falecida antes de sua hora. O espírito que volta nessa criança para cumprir o que faltava completar em vida.
OJÔ:
A criança superdotada
AINON:
A criança que nasce com cordão umbilical enrolado no pescoço
DADÁ:
A criança que nasce com cabelos encaracolados .
Existem também outras anomalias. Por exemplo, toda criança que nasce cercada de seres invisíveis que acompanham. Aos poucos, ela se desliga deles e começa a se Interessar pelas pessoas ao seu redor, por gestos e sons. se a criança não se desligar desses seres, ela continuará brincando e falando com eles, ficará acordada a noite em ao invés de dormir.
Todas essas anomalias se originam no MUSÓ, que faz parte de cada ser humano, porque ninguém nasce perfeito. 
As iyámis, essas entidades extremamente perigosas, vão residir nas árvores e tomar a forma de certos pássaros para que possam se deslocar rapidamente e agir por isso, são chamadas de IYÁ-ELEYÉS as donas dos pássaros, que trabalham tanto para o bem e quanto para o mal.
No odu OGBE-OWORIN , relata que o primeiro homem a ser modelado por OBATALÁ foi LAMURUDU, um guerreiro caçador. Com sua família e seus descendentes, ele fundou uma cidade, IFÉ OWU; mas como já havia outros seres no local, LAMURUDU sentiu-se incomodado e saiu pelo mundo afora. Errante, até chegar a BORNU, no SAARA; foi, em seguida, até o EGITO e depois até MECA, ARÁBIA SAUDITA. Nessa caminhada, os seus seguidores fundaram números povoados. Antes de morrer LAMURUDU aconselhou seu filho ODUDUWÁ a voltar para IFÉ e este assim o fez. Partindo com seu irmão OLOFI ONILÊ e com seus seguidores, para fundar e instalar em IFÉ, cuja população cresceu e prosperou. No odu OGBÉ-MEJI se conta que originalmente o céu (ORUN) não estava separado da terra ( ayê ) a fronteira entre esses dois planos era controlada por um guardião denominado ( ONIGBODÊ ) , mas todos podiam circular livremente entre um e outro. os irunmolês e os humanos iam de um plano a outro e podiam consultar OLODUMARÊ para resolver seus problemas . Durante o afastamento de LAMURUDU, houve uma grande discórdia na terra surgiu uma disputa entre o mestre dos céus, AJALORUN, representante de OLODUMARÊ e um dos seguidores de ODUDUWÁ, AJALAYÊ, o mestre da terra.
AJALORUN queria se apoderar de uma oferenda de rato-do-campo (EMÔ) e AJALAYÊ se opôs a isso. Ofendido, AJALORUN se retirou para o alto do céu, que se elevou ainda mais, separando-se da terra. A chuva deixou de cair; tudo se tornou árido, plantas secaram e os animais morreram. Os habitantes da terra tiveram então que reconhecer a supremacia de AJALORUN, e resolveram enviar o rato de volta para o céu, mas este já estava tão distante, no alto. Somente AKALAMAGBÔ ( o abutre ) poderia cumprir essa tarefa. AKALAMAGBÔ partiu para cumprir sua tarefa que saiu levando a oferenda determinada, sua mãe morreu, mas ninguém se preocupou de enterrá-la. Quando AKALAMAGBÔ voltou ninguém lhe deu a notícia e, por acaso, quando veio de sua missão estava muito faminto, ele encontrou um cadáver e o comeu sem saber que era sua mãe. depois disso a chuva voltou a cair e tudo se normalizou. Mas, em conseqüência o céu ficou separado da terra e os humanos não tiveram mais livre acesso no ORUN. No espaço vazio ficou esú (ONIGBODÊ) que para uns chama-se LATOPÁ. Foi ele o responsável por estabelecer a ligação entre e OLODUMARÊ e os homens, transmitindo os recados determinado por ORUMILÁ. ORUMILÁ teve outro filho,. AMUSU, a quem deu todo o seu conhecimento de IFÁ, Tendo ele de tornado o primeiro BABALAWÔ da terra. Depois de cumprir sua missão OBATALÁ não ficou na terra e retirou-se para o céu a fim de ficar perto de OLODUMARÊ. dizem que LATOPÁ esta ligada também ao final da vida, por ter gerado um EGUN , que vai ser o primeiro desencarnado a estabelecer uma ligação entre os vivos e os ancestrais. Com ele começa o culto dos BABAS-EGUNS, fundado por uma mulher, IYÁ AGBON, outra forma conhecida de OYÁ.
EM TEMPO:
MUSÒ ou EGBÉ
Na Nigéria, cada cidade cultua MUSÒ ou EGBÉ de uma forma. Lá, este culto é muito procurado para curar doenças da alma (loucura, infelicidade, pesadelos...) ou quando a mulher não consegue engravidar.
Segundo o Culto, existem vários EGBÉ no AYÈ: OMI, IGBO, IROKO, ORITÁ, IDE OGDE e outros. Neles também estão os ABIKU, EMERE e ABIRUN.
Toda criança antes de ser gerada pertence a um EGBÉ. Após dois meses e meio, ou três, ou três meses e meio, a vida entra na grávida. Caso a vida não consiga entrar, a grávida aborta. E, quando a pessoa morre, a alma volta para o grupo que pertence.

terça-feira, 3 de julho de 2018

ATINS: Pós Sagrados

ATINS: Pós Sagrados
Wáji

  Tinta azul em forma de pó petrificado de origem vegetal o qual busca a representação do sangue negro, simbolizando a noite e a relação de ancestres ligados à própria escuridão. As partes frescas são contundidas a uma polpa, fermentada, seca e vendida nesta forma, as folhas somente são secadas ao sol e são usadas em um estado quebradiço. Representa o anoitecer. Este pó azul é utilizado em inúmeros rituais do candomblé, principalmente para assentamentos de orixá “Igba Orixá” e na feitura de santo sobre a cabeça do ìyáwó. Símbolo da idealização, transformação, direcionamento com o objetivo de proteger contra todos os males espirituais, materiais e psíquicos, principalmente da negatividade de Ìyámi. O wáji é um elemento muito importante no culto aos Orixás, uma vez que, junto com outros elementos, ajuda a proteger a cabeça dos nossos Ìyáwós contra as Ajés. Segunda a crença africana essas pinturas impediriam que eleyé (ave ligada as Ìyámi) pousasse no ori dos iniciados, pois caso isso ocorresse seria um desastre para vida dessa pessoa.
O wáji representa a cor dundun (preta), o sangue azul que vem das folhas. Existem diversas espécies que podem ser utilizadas para a produção de corantes azuis como a Isatis tinctoria ,Indigofera tinctoria, Philenoptera cyanescens e o Lonchucarpus cyanescens.
Segundo alguns relatos, as duas primeiras não seriam utilizadas para a produção do wáji tradicional, sendo apenas usadas para a confecção do anil (usado para tingir jeans, por exemplo). O verdadeiro wáji seria, portanto, retirado do processo de fermentação das folhas do Lonchucarpus sp. que é conhecido pelo nome de índigo africano ou índigo yorubá.
O processo de fabricação desse corante era complexo e exigia grande perícia, sendo cercado de prescrições e proibições rituais. Era tão importante que os tinteiros iorubas cultuavam até uma divindade específica para essa finalidade, Iyá Mapo. O pano tingido de índigo significava riqueza, abundância e fertilidade. Este pó está relacionado a força espiritual.
OSÙN
É um pó vermelho, extraído do Pterocarpus Erinaceus, árvore Baphia nitida Leguminosae Papilionoideae, normalmente o compramos em pequenas bolas. Utilizado no ritual de Iniciação para a maioria dos ÒRÌSÁ principalmente para as ÌYÁBAS. Porém é interdição para todos os ÒRÌSÁ FUNFUN. O Osùn é utilizado em vários rituais do candomblé, na construção de assentamentos de orixá igba orixá, nas pinturas sagradas da iniciação ketu, principalmente na construção do adosun (um cone que fica no centro da cabeça do iaô) com a função de transmitir o poder espiritual chamado de axé e livra-lo do infortúnio gerado por uma das Iyami-Ajé.
Este pó vermelho traz a vida ao iniciado, simbolizando a cor do ÈJÈ PUPA, ou seja, a vida que renascera para os ÌYÀWÓ.
Existem ebós e banhos onde se faz uso do Osùn, para a sorte, prosperidade, fertilidade, para afastar doenças, recuperação de vida e para o amor. O pó de Osùn é associado ao ÀSE do sangue vermelho dentro do reino vegetal. Este pó representa o crepúsculo.
ÌYÈROSÙN
O pó da Pterocarpus osun que tem a cor amarela é utilizado nos rituais sagrados de Ifá, Orumilá, Oduduwa, e todos os Orixás funfun, muito utilizado para formar os gráficos de odu no Opon Ifá e na preparação do merindilogun. É um pó esbranquiçado natural da arvore ÌRÒSÙN- Eucleptes Franciscana F, através da ação de cupins que produzem o pó ou serragem. Ele é espalhado sobre o OPON- IFÁ, onde o BÀBÁLÁWÓ faz a marcação dos ODÚ e posteriormente, após ritual próprio, esse ÌYÈROSÙN que foi encantando, poderá ter diversas utilidades. É empregado em beberagens, banhos, sabão para banho, em diversas formas para proteção e sorte, podendo ainda dependendo a situação ser espalhado sobre oferendas aos ÒRÌSÁ ou a ÒRÚMÌLÁ. Mas somente terá valor litúrgico se for preparado por um BÀBÁLÁWÓ.
EFUN
É um pó esbranquiçado feito do barro branco encontrado no fundo do rio, foi o primeiro condimento utilizado antes da introdução do sal. É um “giz” branco empregado na pintura Iniciática de todos os ÒRÌSÀ principalmente para os ÒRÌSÁ FUNFUN. Este pó pode ser utilizado também em banhos. EFUN na língua YORÙBÁ quer dizer cal, giz.
No culto a OBÀTÁLÁ- ÒÒSÁÁLÀ na África, o EFUN é representado por bolos redondos de giz que se chamam SÉSÉ- EFUN. EFUN também significa cal, e cal é ” lime ” em inglês, que também é limo, o chamado Limo da Costa para representar ÒÒSÁÁLÀ acaba sendo confundido devido ao uso errôneo da palavra.
O EFUN simboliza o dia, por isso, quando em pó, seja soprado ou friccionado seco sobre o ORÍ dos Omo ÒRÌSÁ Kon, é utilizado com o objetivo de ampliar, vitalizar, iluminar, clarear, despertar e intensificar. Já o EFUN molhado com água pura ou com o ÈJÈ do ÌGBÍN é utilizado para acalmar, tranquilizar, adormecer, suavizar, abrandar, aliviar, proteger. Por isso que a cabeça do ÌYÀWÓ em reclusão deve permanecer coberta de pó de EFUN no dia, e durante a noite coberta com WÀJÌ com pequenas marcas de EFUN.
Muito usado em ebó elaborados para os ÒRÌSÁ FUNFUN. Este pó é considerado sagrado, traz o equilíbrio, tranquilidade, paz e paciência.
Tipos dos EFUN.
- O EFUN mineral: é um pó retirado do barro, que são encontrados na natureza em várias cores, também chamada de tabatinga.
- O EFUN vegetal: é um pó retirado de frutos: OBÌ, ORÓGBÓ, ARIDAN, PICHURIN, NÓS-MOSCADA e folhas.
A mistura do EFUN mineral e o EFUN vegetal recebe o nome de ATIN e só deve ser preparada pela ÌYÁLÓÒRÌSÀ ou a ÌYÁ EFUN.
- O EFUN animal: é o pó retirado de ossos e cartilagem dos ossos dos animais utilizados em sacrifícios aos ÒRÌSÁ.
Este pó só pode ser feito pelo BÀBÁLÓRÌSÀ ou pelo BÀBÁ EFUN.
Estas cores destes pós representam:
– OSÙN o crepúsculo
– WÀJÌ o anoitecer
– EFUN o amanhecer
Estes pós são originários do Continente Africano, mas os encontramos facilmente aqui no Brasil, não existindo a substituição deles por outros que em nada se equivalem a eles na Veiculação e Transmissão do verdadeiro ÀSE exemplo:
– OSÙN não é o urucum (que também é um pó comum)
– WÀJÌ não é o anil (que é um pó químico)
– EFUN não um giz ( giz feito de pó comum)

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Diferenças entre "Odú e Odun

Diferenças entre "Odú e Odun
 
Odú = é signo de Ifá..Obedece a uma cronologia dentro do sistema de Ifá/Òrúnmílá.
1. OKANRAN-MEJI -
2. EJIOKO-MEJI –
3. ETAOGUNDÁ-MEJI –
4. IOROSSUN-MEJI –
5. OXÊ-MEJI –
6. OBARÁ-MEJI –
7. ODI MEJI –
8. EJONILÊ-MEJI –
9. OSSÁ MEJI -
10. OFUN-MEJI/OGIOFUN –
11. OWARYN-MEJI –
12. EJILOSEBORÁ –
13. EJIOLIGIBAN MEJI –
14. IKÁ MEJI –
15. OGBEOGUNDÁ MEJI –
16. ALÁFIA-ONAN – 
————————————————-
ÓDÚN:
 
Ódún = quer dizer Ano - Sendo assim, o etmo da palavra designa o tempo de um calendário, aniversários, e comemorações de eventos durante os ciclos específicos. Logo não existe "Odú Ijè" e sim Òdún Ejè - Literalmente sete anos- (Ejè corruptela de "meje" o numero sete) Ainda existem aqueles que para designar quatorze anos, adotaram o termo "Odú Iká" em uma alusão totalmente fora de contexto numérico, e associada a caída do Odu Iká,cuja aparência no Eríndílògun (Jogo de Búzios) corresponde a quatorze búzios abertos e dois fechados..As questões relacionadas aos Odu /Ifá nada tem relação com a contagem dos ciclos iniciáticos.
Sendo assim a saber dentro de uma cronologia,contadas a partir da iniciação:
Òdun Bí - Iawò, relacionado ao verbo nascer
Òdun Kán- Literalmente um ano
Òdún Êji - Dois anos
Òdun Etá ou Metá- Tres anos
Òdún Erin - quatro anos
Òdún Árun - cinco anos
Òdún Éfá - seis anos
Òdún Ejè -Sete anos
Òdún Ejó - oito anos
Òdún Ésan - nove anos
Òdún Éwá - dez anos
Òdún Ókanlá - onze anos
Òdún êjilá - doze anos
Òdún Étalá - treze anos
Òdún Èrínlá- Quatorze anos
Òdún Édogun - quinze anos
Òdún Érindi lógun - dezesseis anos
Òdún Étadilogun - dezesete anos
Òdún Egidilogun - dezoito anos
Òdún Ókandilogun - dezenove anos
Òdún Ôgun - vinte anos
Ódún Okánlélogún -Vinte e um anos
Ódún Ògbón- Designa antiguidade de uma pessoa dentro do culto.

domingo, 1 de julho de 2018

ARIDAN

Você sabía ?
Aridan, Àrìdan é o nome de uma árvore de origem africana, cultivada no Brasil, que produz frutos com o mesmo nome, seu nome científico é TETREPLEURA.
Fava de Aridan como é chamado no candomblé é um fruto sagrado que entra na maioria dos rituais do candomblé, principalmente nos rituais do ODUN EJÊ, SASANHA, ABÔ e ASSENTAMENTO DE ORISÁS. No sentido de proteger o barracão e os filhos de santo contra os feitiços.
Segundo Verger, este mesmo vegetal tem o mesmo nome na África e um vasto uso nos rituais, principalmente em trabalhos benéficos para combates de bruxaria praticadas pelas feiticeiras(IYÁMI'S).
A fava consiste em um envólucro que protege as sementes e em algumas espécies, são usadas ainda verde como leguminosas, em outros espera-se q amadureçam e sequem para serem trituradas ou delas serem retiradas suas sementes.
Seu uso é exatamente no sentido de proteção, que vai efetuar ao iniciado quando mistirada nos preparos de pó sagrado.
Nos rituais de Orisás, nada se faz sem o uso dessa poderosa fava, que é utilizada desde os tempos remotos, por sacerdotes das diversas regiões da África.
A Aridan é muito conhecida pelo povo do candomblé, por ser talvez a mais sagrada de todas as favas utilizadas. Até mesmo ESÚ leva essa fava em seu assentamento e jamais se faz nada, sem que ela esteja dentro do IGBÁ ORISÁ.
Sua utilização dentro do Candomblé é universal, sendo que todas as nações a utilizam e praticamente da mesma forma. Apenas ressalto que somente um sacerdote devidamente preparado pode utilizar essa ou qualquer outra fava nos rituais litúrgicos.
A Aridan protege desde os IGBÁS, as pessoas e a Casa de candomblé.

ATARÉ

Você sabia ?
O Ataré também conhecido como Pimenta da Costa, Grãos do Paraíso e cujo nome científico é Aframomum melegueta roscoe K. Schum pertence à família Zingiberacea e a mesma do gengibre. Encontrada na região costeira da África, é uma erva perene com porte de uma “mini palmeira” podendo atingir cerca de 1,0 a 1,5m de altura, seus frutos quando secos apresentam uma casca de coloração marrom, as sementinhas de ataré são encontradas dentro do fruto envolvidas por uma película bem fina. O seu cultivo é essencialmente pela sua valiosa semente, que possui uma picância não muito acentuada (tipo o amargo da mostarda), que lhe valeu o nome de "grão do paraíso", indicando seu alto valor como especiaria e na medicina. A semente é usada extensivamente em etno medicina para uma variedade de doenças, possuem ativos para diversas atividades biológicas, especialmente contra inflamações e doenças infecciosas.
Além de propriedades medicinais o Ataré é utilizado em rituais de Candomblé. Seu uso acontece em cerimonias que fazem alusão ao Orixá Exú. Este é utilizado com o significado de limpar o hálito e retirar todas as más intenções que as palavras podem conter. Outra cultura que utiliza o Ataré é a Cultura Iorubá, que o usa como forma de dote, onde o noivo oferta ataré à família da noiva e este significa fecundidade.
Os Grãos do Paraíso ou ataré tem sido a planta nativa favorita para curandeiros africanos, que usam suas sementes para tratar doenças de tosse, dor de dente e para sarampo. Suas sementes são utilizadas na África Ocidental como um remédio para uma variedade de doenças como dor de estômago, diarreia e até mesmo picada de cobra. As sementes do ataré contêm gingeróis e compostos relacionados que podem ser úteis contra as doenças cardiovasculares, diabetes, e inflamações.
O ataré ou pimenta da Costa, é um elemento bastante utilizado em inúmeros rituais do candomblé. Seu simbolismo provém da força que produz ao ser mastigada, e também pelo fato de ela dá força à palavra da pessoa que a mastiga, aumentando o dom de profetização, tanto para coisas positivas quanto para negativas, assim como protege o corpo físico e espiritual da pessoa que a oferece.
É um elemento de predileção de Exu, mas inúmeros outros orixás a aceitam, ela vai em ebós, boris, na produção de atins, nos igbás e em inúmeras outras funções dentro da religião. Costuma-se soprar grãos de ataré mastigados com gim na porta da rua pra despachar e ter voz de comando junto a Exú, assim como se mastigar pimenta da Costa cedo ao acordar sem escovar os dentes, para ser reconhecido por Exu e Orixá.
Alguns chegam até a cuspir no igbá Exu, ataré com gim, fazer seus orikis e seus pedidos com a “força na palavra”.
Quando se acorda pela manhã, sem lavar a boca se esta com seu emi, seu halito, seu cheiro natural. O Orixá e Exú sentem e reconhecem nosso cheiro natural. Esse costume de se levantar e antes de fazer qualquer coisa mascar ataré é um costume que provêm do povo de Ifá.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Pèrègún

POR:  Pai Ivo de Yemoja
Pèrègún
Pèrègún - O rei que desperta as divindades na Terra
Nome Yorùbá = pèrègún.
Nomes Populares = Nativo, Pau d’água, Dracena, Coqueiro de Vênus.
Nome Científico = Dracaena fragrans.
Pèrègún, que simbolicamente significa alicerce, coluna. Na África, é considerada uma árvore sagrada, uma “divindade”, é de costume vê-la plantada em lugares sagrados para os òrìsà, junto ou próximo aos seus Ojúbo.
PÈRÈGÚN NÍ Í PE IRÚNMOLÈ L’ÁT’ÒDE ÒRUN W’ÁYÉ! (É Pèrègún que chama os espíritos do além para a terra!)
PÈRÈGÚN WÁ LO RÈÉ PE AJÉ TÈMI WÁ L’ÁT’ÒDE ÒRUN!
(Pèrègún, agora vá e chame minhas riquezas do além!)
Nesta preparação encontramos referência a uma folha, conhecida pela maioria de nós: o Pèrègún, cujo nome é a contração do verbo “PÈ”, que significa chamar, com a palavra “EGÚN”, que significa espírito, ancestral, etc. Percebe-se então que esta folha tem a finalidade de “chamar (invocar) espíritos”, e que a própria pronúncia de seu nome já funciona como um ofò!. A sabedoria daqueles nossos ancestrais yorubanos que a elaboraram fez esse trocadilho: se Pèrègún pode chamar espíritos, pode chamar a riqueza!
Em Òsogbo mesmo, encontramos muitos pèrègún plantados próximo ao Ojúbo Òsum (santuário de Oxum), divindade que tem a mesma como uma árvore sagrada dentro do seu culto e suas folhas, completamente essenciais ao mesmo.
Também é utilizado para demarcar onde começa os patrimônios campestres de cada membro de um mesmo clã. A origem desta planta é africana, porém, com a vinda de escravos africanos para o Brasil, na infeliz época do tráfico escravista, esta árvore difundisse em nosso país.
É considerada a planta mais popular dentro das Casas de Candomblé (Culto Afro-brasileiro), possuindo uma utilização bastante variada, essencial e indispensável na composição do Àgbo (banho lustral e litúrgico composto de folhas e outros elementos ritualísticos), banhos, sacudimentos, medicinas, magias e etc. É uma folha que possui a regência de diversos irúnmolè como:
Èsù, Ògún, Òsányìn, Òsóòsì,Obalúayé e principalmente Òsun. 
É uma folha gún (de excitação).
Masculina e ligada ao elemento Terra.Sua principal ligação com Òsum se dá ao fato do acúmulo de água em seu caule. Não sendo a toa um dos nomes populares desta planta, PAU D”ÁGUA. Por isso, é uma planta que mesmo pertencendo ao elemento terra, possui grande ligação ao elemento água.Muitas medicinas são realizadas com o pèrègún, tanto para chamar e obter a sorte (àwúre oríire), quanto para agradar as feiticeiras (ìyónú ìyámi ).
Como folha gún, de excitação, tem o poder de despertar o transe, por isso é a primeira das utilizadas no àgbo ìgbèrè (banho de iniciação).
É a famosa folha do Yawô, com a qual ele sai nas mãos no dia de sua saída de santo. A folha quente que recebe o yawô, que vai na frente abrindo os caminhos do novo Omo-orisá, trazendo força, equilíbrio e mostrando sua descendência e seu começo no asé.
“Pèrègún ní í pe irúnm olè
l’át’òde òrun w’áyé.
É Pèrègún que chama as
divindades do céu para a terra.
Na África, os àmì (assentamentos) Òsun, são colocados muitas vezes sob a copa desta árvore, no Brasil, isso acontece com osàmì Ògún(assentamentos de Ògún). O Pèrègún é também utilizado como cerca viva em torno do assentamento de Ògún em algumas casas de culto.Uma folha de grande utilização nos àgbo (banhos) de sacramento dos objetos litúrgicos de Ògún, Òsóòsì e Òsányìn.
Pèrègún é utilizado medicinalmente em banhos e chás para reumatismo.
Pèrègún alará gigùn o
Pèrègún alará gigùn 
Oba o ni je o roro ókan
Pèrègún alará gigùn 
Pèrègún gba agbára tuntun
Peregum, Você é dono de um corpo excitado. 
Peregum, Dono de um corpo excitado.
O Rei que não deixa ter problema de coração.
Peregum, Dono de um corpo excitado. 
Peregum que dá nova força (revigora).
 
LENDA PÈRÈGÚN:
 
Ifá dissera, quando Pèrègún o procurava pela sorte: “Pèrègún, se você quiser ter sorte, deverá ajudar a humanidade, fazendo um pacto com as Ajé (Yiámi Osorongá), para poder sempre ter e poder emanar sorte, para quem lhe procurar por sua ajuda. 
Foi então, que Pèrègún tinha feito pacto com Aje antes de vir ao mundo, mas não tinha quem o pudesse levar para Àiyé. 
Novamente foi a Ifá, e este dissera: “Pèrègún se você quiser realizar o seu trabalho em Àiyé procure por “Ògún”, pois ele sempre está indo para Àiyé. 
Pèrègún procurou por “Ògún”, mas ele só levaria Pèrègún, se ele dividisse a sua sorte com ele. 
Foi então que Pèrègún tinha aceitado, e por essa razão “Ògún” lhe dissera: “Vou dizer a toda humanidade, que Pèrègún emana a sorte, e quem com ele ficar será agraciado com a mesma”. 
Desde então Pèrègún então foi conhecido, e muito procurado por todos em Àiyé.
“Peregun”, a sorte de nossos opositores ficam a nosso favor.
 
LENDA DE PÈRÈGÚN 2
 
PÈRÈGÚN, A DONZELA ARROGANTE
Pèrègún era uma bela donzela e filha única de um jovem casal. Com o passar do tempo a donzela cresceu, sendo dotado de uma beleza que atraia a atenção de todos. Era costume da aldeia que os pais procurassem um noivo para suas filhas quando as mesmas atingissem determinada idade. Entretanto a jovem recusava a todos, pois se achava bela demais para casar com qualquer um. Sempre inventava uma desculpa ou defeito para o pretendente.
Diante das sucessivas recusas de sua filha a mãe de Pèrègúnlhe dizia:
“Osàn tó rí gbajúmò ti kò wò, eiye igbó lásán ló maa fi mu! 
(Qualquer laranja madura que não cai em bom momento para servir de comida aos homens acabará sendo devorada pelos pássaros selvagens).
A jovem ouvia o conselho da mãe, irritada, e dizia que só se casaria com um homem que considerasse muito especial. Com o tempo todos da aldeia já conheciam a fama da jovem Pèrègún, a donzela prepotente e arrogante. A notícia se espalhou por outras aldeias e cada vez mais pretendentes se aventuravam para conquistar o coração da bela Pèrègún.
Certo dia apareceu na aldeia um jovem de uma beleza sem igual, com o porte de um príncipe, montado em um garboso cavalo branco. Assim que Pèrègún avistou o desconhecido se apaixonou por sua figura imponente. O jovem informou que vinha de um reino distante e que havia chegado àquela aldeia para se candidatar a mão de Pèrègún. A jovem estava encantada e aceitou o pedido de casamento na hora, sem nem ouvir a opinião de seus pais.
Segundo os costumes iorubanos não se contratava casamento antes de se conhecer a linhagem do pretendente, suas raízes, quem eram seus pais. Por isso os pais de Pèrègún insistiram para que ela desistisse da ideia de se casar com aquele desconhecido. De nada adiantou, a jovem ainda disse: Que se dane a Tradição! Tradição idiota!
Como nenhum argumentou funcionou o casamento foi marcado, porém sem as etapas e cerimônias costumeiras deidana, ou seja, sem trocas de presentes e pagamento de dote por parte dos familiares do noivo à família da noiva.
Após todas as festividades o noivo pediu a permissão dos pais para levar sua noiva para o seu reino, que com muito choro e tristeza lhe foi entregue. Toda a família seguiu em caravana, acompanhando a jovem até os portões de saída da aldeia, momento em que Pérègún e sua mãe começaram a trocar o Tradicional èkún ìyàwo (cantigas de lamentação que a tradição iorubá obriga cada noiva a recitar, recitando na noite do seu casamento, no momento doloroso da despedida de seus familiares.
Essas cantigas representam um diálogo entre a noiva e sua mãe no momento de despedida). A jovem entretanto sequer se lamentou pela separação simbólica de sua família, pelo contrário, respondia de forma arrogante, dizendo que não queria ser importunada por seus pais durante seu casamento.
O diálogo entre mãe e filha seguiu até o terceiro portão que demarcava o final da aldeia. A partir daquele ponto Pèrègún e seu marido seguiriam sozinhos. Os dois cavalgaram pela estrada até ao se afastarem o suficiente da aldeia, seu marido começou a seguir para a floresta.
Após caminharem na floresta por toda a noite os dois chegaram a uma clareira nomeio da floresta, onde seu marido desceu do cavalo. A jovem se alegrou, pensando se tratar de uma pausa para descansar da viagem.
Para a surpresa da jovem, seu marido começou a despir seus trajes finos. Depois disso ele arrancou um de seus braços, jogando-o longe e agradecendo aos gritos: Obrigado por ter me emprestado o braço, estou devolvendo! Da mesma forma o belo rapaz foi se livrando de seu outro braço, pernas, tronco e pescoço. Sempre lançando para a floresta e agradecendo. Pèrègún observou a tudo, petrificada. A única parte que sobrou foi a cabeça, que parecia muito maior que de costume.
A jovem donzela quis fugir, diante daquele espetáculo macabro, mas foi subjugada por seu marido, ou melhor, o que sobrara dele. Aos berros ele dizia:
– Você não disse aos quatro cantos do mundo que só se casaria com um príncipe, pois bem peguei emprestado com meus amigos espíritos das florestas as partes de um corpo e me transformei no seu tão sonhado príncipe. Olhe bem para mim, eu sou um iwín, um espírito da floresta! De agora em diante você será minha esposa e minha escrava, terás que fazer tudo que eu lhe ordenar. Nunca mais verás seus pais ou familiares!
De nada adiantou o choro e as lágrimas de Pèrègún, daquele dia em diante todos que se aventuravam a caminhar pela floresta nas altas horas da noite poderiam cruzar com um iwínsem corpo que arrastava consigo uma bela donzela, que chorava o tempo todo.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Organização de um terreiro de Candomblé


Organização de um terreiro de Candomblé.
Quando participamos de uma comunidade de candomblé , somos direcionados a participar , com toda justiça , dos bônus e ônus de um barracão. 
Um ilê tem uma organização piramidal, ou seja , de cima para baixo , distribuindo funções e tarefas a seus participantes. Trocando de acordo com o entendimento de sua (seu) líder a função na comunidade , com a confiança e também tempo dado às tarefas do barracão. 
Mas o entendimento que é passado na maioria dos casas de orixás no Brasil é que o ilê pertence aos orixás e é cuidado pelos “filhos” ou seja , os abians, yawos, ebomys, ekedes e ogans. 
Como percebemos o (a) líder dessa comunidade somente tem a responsabilidade espiritual para com a comunidade. Não se colocando assim , como dona (dono) daquele egbe.
Pergunto:
Sendo os filhos da comunidade responsáveis pela manutenção de sua comunidade , quais seriam as atribuições de cada um? 
Haveria diferenças dentre eles ? 
Há divisão das tarefas de acordo com o tempo que se faz parte dessa comunidade ? 
Poder aquisitivo interfere nas tarefas e suas participações nessa organização e distribuição de tarefas ?
O cargo e ou posto diferencia do “filho” dos demais daquilo que ele tem que fazer como tarefa ,por exemplo, podem lavar pratos , lavar banheiros , varrer o quintal e ate mesmo , pagar a conta de luz? 
Como seria essa organização justa entre todos ? Ou não existe justiça e tem os que são “da diretoria “, que só participam dos bônus , os novatos , são colocados para ralar e pegar a maioria das tarefas e a vida que segue ?
E a parte espiritual , a religião na prática , de responsabilidade da (do) líder, todos têm direito de aprender os segredos e tudo aquilo que envolve o candomblé , ou isso também é restrito e somente aqueles que interessam é que terão a chance em conhecer os dogmas , ritos e outras funções voltadas ao culto dos orixás ? 
O livro de título “Oráculos em iorubá: Dos búzios ao Obi”, que estamos lendo o autor Marcus Arinos, tem o seguinte comentário sobre a situação de uma casa de asé:
Qual seria sua opiniao ?!
 
"