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sexta-feira, 26 de novembro de 2010
OS PRIMEIROS TERREIROS DE CANDOMBLÉ
A instituição de confrarias religiosas, sob a égide da Igreja Católica, separava as etnias africanas. Os pretos de Angola formavam a Venerável Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora das Portas do Carmo, fundada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Pelourinho. Os daomeanos (gêges) reuniam-se sob a devoção de Nosso Senhor Bom Jesus das Necessidades e Redenção dos Homens Pretos, na Capela do Corpo Santo, na Cidade Baixa. Os nagôs, cuja maioria pertencia à nação Kêto, formavam duas irmandades: uma de mulheres, a de Nossa Senhora da Boa Morte; outra reservada aos homens, a de Nosso Senhor dos Martírios.
Essa separação por etnias completava o que já havia esboçado a instituição dos batuques do século precedente e permitia aos escravos, libertos ou não, assim reagrupados, praticar juntos novamente, em locais situados fora das igrejas, o culto de seus deuses africanos.
Várias mulheres enérgicas e voluntariosas, originárias de Kêto, antigas escravas libertas, pertencentes à Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte da Igreja da Barroquinha, teriam tomado a iniciativa de criar um terreiro de candomblé chamado Iyá Omi Àse Aira Intilè, numa casa situada na Ladeira do Berquo, hoje Rua Visconde de Itaparica, próxima à Igreja da Barroquinha.
As versões sobre o assunto são numerosas e variam bastante quando relatam as diversas peripécias que acompanharam essa realização. Os nomes dessas mulheres são eles mesmos controversos. Duas delas chamadas Iyalussô Danadana e Iyanassô Akalá, segundo uns, e Iyanassô Oká, segundo outros, auxiliadas por um certo Babá Assiká, saudado como Essá Assiká no padê do qual falaremos mais tarde, teriam sido as fundadoras do terreiro de Ase Aira Intilè. Iyalussô Danadana, segundo consta, regressou à África e lá morreu. Iyanassô teria, pelo seu lado viajado a Kêto, acompanhada por Marcelina da Silva. Não se sabe exatamente se esta era sua filha de sangue, ou filha espiritual, isto é, iniciada por ela no culto dos orixás, ou ainda, se se tratava de uma prima sua. As opiniões sobre o assunto são controversas e tornam se objeto de eruditas discussões, estando porém todos de acordo em declarar que seu nome de iniciada era Obatossí.
Marcelina-Obatossí fez-se acompanhar nessa viagem por sua filha Madalena. Após sete anos de permanência em Kêto, o pequeno grupo voltou acrescido de duas crianças que Madalena tivera na África, e grávida de uma terceira, Claudiana, que será por sua vez mãe de Maria Bibiana do Espírito Santo, Mãe Senhora, Oxum Miua, da qual tive a insigne honra de tornar-me filho espiritual.
Ianassô e Obatossí trouxeram de Kêto, além dessas filhas e netas, um africano chamado Bangboxé, que recebeu na Bahia o nome de Rodolfo Martins de Andrade, e, no padê ao qual me referi acima, é saudado como Essá Obitikô.
O terreiro situado, quando de sua fundação, por trás da Barroquinha mudou-se por diversas vezes e, após haver passado pelo Calabar na Baixa de São Lourenço, instalou-se sob o nome de Ilê Iyanassô na Avenida Vasco da Gama, onde ainda hoje se encontra, sendo familiarmente chamado de Casa Branca do Engenho Velho, e no qual Marcelina-Obatossí tornou-se a mãe-de-santo após a morte de Iyanassô.
Verifica-se ligeira divergência na versão dada por Dona Menininha relativa às origens dos terreiros provenientes da Barroquinha. O nome de Iyalussô Danadana não é mencionado. A primeira mãe-de-santo teria sido Iyá Akalá (distinta de Iyanassô), que, tendo regressado à África, aí mesmo veio a falecer. A segunda mãe-de-santo teria sido Iyanassô Oká (e não Akalá).
Não se sabe com precisão a data de todos esses acontecimentos, pois, no início do século XIX, a religião católica era ainda a única autorizada. As reuniões de protestantes eram toleradas só para os estrangeiros; o islamismo, que provocara uma série de revoltas de escravos entre 1808 e 1835, era formalmente proibido e perseguido com extremo rigor; os cultos aos deuses africanos eram ignorados e passavam por práticas supersticiosas. Tais cultos tinham um caráter clandestino e as pessoas que neles tomavam parte eram perseguidas pelas autoridades.
Por volta de 1826, a polícia da Bahia havia, no decorrer de buscas efetuadas com o objetivo de prevenir possíveis levantes de africanos, escravos ou livres, na cidade ou nas redondezas, recolhido atabaques, espanta-moscas e outros objetos que pareciam mais adequados ao candomblé do que a uma sangrenta revolução. Nina Rodrigues refere-se a certo quilombo, existente nas matas do Urubu, em Pirajá, “o qual se mantinha com o auxílio de uma casa de fetiche da vizinhança, chamada a Casa de Candomblé”.
Um artigo do Jornal da Bahia, de 3 de maio de 1855, faz alusão a uma reunião na casa Ilê Iyanassô: “Foram presos e colocados à disposição da polícia Cristovão Francisco Tavares, africano emancipado, Maria salomé, Joana Francisca, Leopoldina Maria da Conceição, Escolástica Maria da Conceição, crioulos livres; os escravos Rodolfo Araújo Sá Barreto, mulato; Melônio, crioulo, e as africanas Maria Tereza, Benedita, Silvana… que estavam no local chamado Engenho Velho, numa reunião que chamavam de candomblé”. É curioso encontrar nesse documento o nome, pouco comum, de Escolástica maria da Conceição, o mesmo com o qual seia batizada, trinta e cinco anos mais tarde, Dona Menininha, a famosa mãe-de-santo do Gantois, cujos pais, a essa época, sem dúvida, frequentavam ou faziam parte do terreiro de Ilê Iyanassô, onde houve essa ação policial.
Com a morte de Marcelina-Obatossí, foi Maria Júlia Figueiredo, Omonike, Iyálódé, também chamada Erelu na sociedade dos geledé, que se tornou a nova mãe-de-santo. Isso provocou serias discussões entre os membros mais antigos do terreiro de Ilê Iyanassô, tendo como consequência a criação de dois novos terreiros, originários do primeiro; Júlia Maria da Conceição Nazaré, cujo orixá era Dàda Báayànì Àjàkú, fundou um terreiro chamado Iyá Omi Àse Ìyámase, no Alto do Gantois, cuja mãe-de-santo atual, e quarta a ocupar este lugar, é Dona Escolástica Maria da Conceição nazaré, “Menininha”, a última das famosas mães-de-santo da antiga geração. Segundo Menininha, Júlia da Conceição Nazaré, fundadora do Terreiro do Gantois, teria sido a irmã-de-santo, e não filha-de-santo, de Marcelina-Obatossí. Uma personagem importante nos meios do candomblé, chamada Babá Adetá Okanledê, consagrada a Oxóssi e originária de Kêto, teria tido um papel importante quando foi criado o Terreiro do Gantois, Iyá Omi Àse Ìyámase.
Eugênia Ana Santos, Aninha Obabiyi, cujo orixá era Xangô, auxiliada por Joaquim Vieira da Silva, Obasanya, um africano vindo do Recife e saudado Essá Oburô, no Padê ao qual já fizemos alusão, fundaram outro terreiro saído do Illé Iavanassô e chamado “Centro Cruz Santa do Axê de Opô Afonjá”, que foi instalado, em 1910, em São Gonçalo do Retiro, depois do Axê ter funcionado provisoriamente no lugar denominado Camarão, no bairro do Rio Vermelho.
Sob o impulso desta grande Mãe de Santo, o novo terreiro rapidamente igualou – e talvez, mesmo, tenha ultrapassado – em reputação os outros candomblés Kétu.
Maria da Purificação Lopz, Tia Bada Olufandeí, sucedeu, em 1938, a Aninha e deixou, em 1941, o encargo do terreiro a Maria Bibiana do Espírito Santo, Mãe Senhora Oxunmiwá, filha espiritual de Aninha Obabiyi.
Pelo jogo complicado das filiações, Senhora era bisneta de Obatossí por laços de sangue e sua neta somente por laços espirituais da iniciação. Em outros termos, Iyanassô Akalá (ou Oká) foi, na geração anterior, ao mesmo tempo, a bisavó e a trisavó de Senhora. As coisas tornaram-se mais complicadas ainda quando Senhora recebeu, em 1952, o título honorífico de Iyanassô, dado pelo Alafin Oyó da Nigéria, por intermédio de uma carta de que tive a honra de ser o portador. Senhora, abolindo o tempo passado, graças a esta distinção, tornou-se espiritualmente a fundadora desta família de terreiros de candomblé da nação de Kétu, na Bahia, confirmando tão elevada posição em 1962, quando foi presidir, seguida de seus Ogans (onde figuravam os colaboradores desta obra, Carybé, Jorge Amado, Waldeloir Rêgo e eu mesmo), o Axexê ou cerimônia mortuária da saudosa, e mais que centenária, Mãe de Santo do Ilê Iyanassô da Casa Branca do Engenho Velho, Maximiana Maria da Conceição, Tia Massi Oinfunké.
Esta dignidade recebida da África por Senhora provocou, diga-se de passagem, comentários e rumores, os “fuxicos”que agitam e apaixonam as pessoas que pertencem a este pequeno mundo, cheio de tradição, onde as questões de etiqueta, de direitos fundamentados sobre o valor dos nascimentos espirituais, de primazias, de gradação nas formas elaboradas de saudações, de prosternações, de ajoelhamentos são observadas, discutidas e criticadas apaixonadamente; neste mundo onde o beija-mão, as curvaturas, as respeitosas inclinações de cabeça, as mãos ligeiramente balançadas em gestos abençoadores representam um papel tão minucioso e docilmente praticado como na Corte do Rei Sol. Os terreiros de candomblé são os últimos lugares onde as regras do bom tom reinam ainda soberanamente.
Após o desaparecimento da saudosa Mãe Senhora, em 1967, duas novas Mães de Santo lhe sucederam à frente do Axê Opô Afonjá. A atual Maria Estella de Azevedo Santos, Odé Kayodê, retornando a tradição de Iyanassô e de Obatossí, foi fazer uma viagem às fontes, na Nigéria e no ex-Daomé.
Após a morte de Senhora, outros terreiros foram criados, originários todos do Axê Opô Afonjá formando uma terceira geração desta família de candomblés que nasceu na Barroquinha. Citemos o Axê Opô Aganju, de Balbino Daniel de Paula, Obaraim, que viajou para África e aí participou das festas para Xangô, com perfeita naturalidade, como se sua família não houvesse deixado aquele país há várias gerações.
Existem numerosos outros terreiros que seguem o ritual Kétu, como o do Illé Mariolajê no Matatu, mais conhecido sob o nome de Alaketu, cuja Mãe de santo atual, Olga de Alaketu, já foi várias vezes à África. Citemos, ainda, o terreiro de Ilé Ogunjá, também no Matatu, do falecido Pai de Santo Procópio Xavier de Souza, Ogunjobí.
Ao lado dos terreiros Nagô-Kétu, há na Bahia os da nação Igexa. O mais digno dentre eles é o de Eduardo Igexa, ou Eduardo Antônio Mangabeira, meio-irmão de Otávio Mangabeira, que foi governador do Estado da Bahia. Durante a década de 50 ele enviou cartas redigidas em perfeito Yorubá a seu distante parente, o Rei de Igexá, que as recebeu de minhas mãos bastante emocionado. Os terreiros Gegê, onde se praticava o culto dos Voduns do Daomé, eram mais raros. O mais conhecido era o do Bogum, da falecida Emiliana Piedade dos Reis, à qual sucedeu a falecida Valentina Maria dos Anjos, Mãe Runhó.
Os cultos Gegê e Nagô se fundiam em terreiros como o de Oxumaré, na Rua Vasco da Gama, dos falecidos Antônio de Oxumaré, Cotinha e Simpliciana.
O ritual dos cultos de origem Bantu era inicialmente diferente das cerimônias Nagôs e Gegês. Misturaram-se, depois, tornando-se bastante próprios. A originalidade destes cultos Bantus é difícil de definir. Não se sabe se os rituais Gegê e Nagô foram ou não influenciados por escravos do Congo e de Angola, já presentes no Brasil em grande quantidade, no final do século XVII. Relações mais constantes estabeleceram-se nos séculos posteriores, entre Bahia e Pernambuco e a Costa dita dos Escravos; a maioria dos cativos desembarcados nestas duas províncias era constituída, então, pelos Gegês e Nagôs (Daomeanos e Yorubás).
Expusemos, em outras obras, as razões comerciais criadas pela presença do fumo na Bahia e em Pernambuco, razões que determinaram a afluência dos Gegês e dos Nagôs a estas duas regiões, a partir do século XVIII, e não às outras partes do Brasil, onde os Congos e Angolas continuaram a ser importados em grande proporção.
A palavra candomblé, que serve para designar, na Bahia, as religiões africanas em geral, parece ser de origem Bantu. É possível que as influências das religiões vindas destas regiões não se restringissem, apenas, ao nome dado às cerimônias, mas tivessem dado aos cultos Gegê e Nagô na Bahia uma forma diferente, em certos detalhes, destas mesmas manifestações na África.
Um estudo em separado do ritual Bantu é tarefa bastante difícil, pois seria necessário fazê-lo em diversos pontos do Brasil, em lugares onde esta influência Gegê-Nagô não se tivesse feito sentir. Na Bahia, temos que nos contentar com a presença de alguns cantos e rítmos de tambores. Seria necessário, também, localizar os termos Bantus ainda conhecidos, termos estes que os participantes de terreiros Bantus têm tendência a exprimir no seu equivalente Nagô, seja por espírito de discriminação, seja para falar numa língua compreensível aos seus interlocutores.
Existem na Bahia o terreiro Congo do falecido Manoel Bernardino da Paixão, o Bate Folha, no bairro de Beiru; o terreiro Angola da falecida Maria Neném do Tumbeuci, também no Beiru, e o de seu Filho de Santo, o falecido Manoel Ciríaco de Jesus, o Tumba Juçara, no Alto do Corrupio, hoje sob a direção da Mãe de Santo Dere.
Destaquemos, finalmente, o caso do falecido Pai de Santo João Alves de Torres, mais conhecido como Joãozinho da Goméa, que deve seu renome ao Caboclo Pedra Preta, e cujo culto, realizado à maneira africana, era dedicado aos ancestrais indígenas, Senhores desta Terra do Brasil. Iniciado no ritual Angola por Jubiabá, Joãozinho for herdeiro de uma Yansã e se orientou, cada vez mais, em direção ao ritual Nagô. Este caso nos parece típico da ascendência exercida pelo ritual Nagô sobre as religiões de etnias diferentes.
Na própria África, as religiões Bantus parecem centradas sobre uma série de devoções aos ancestrais de um grupo familiar reduzido e não sobre o culto de deuses ligados às forças da natureza. É possível que existissem estes tipos de cultos, mas, na Bahia, eles tomaram uma forma bem próxima da concepção Yorubá.
Texto adpatado
Pierre Fatumbi Verger.
Fonte:O Mundo dos Orisás.
Cinema na Praça consolida projeto cultural de terreiro de candomblé

Cada dia que passa o Projeto “Cinema na Praça” se consolida como a melhor opção de lazer e entretenimento cultural da comunidade dos Carilos, no alto da Conquista, em Ilhéus. O projeto que retornou no mês de setembro deste ano a pedido da própria comunidade do terreiro Matamba Tombenci Neto, vai acontecer ate o mês de dezembro, todos os sábados, com duas sessões: uma às 18 horas para a criançada, com distribuição de lanches gratuitos, e outra às 20 horas para os adultos.
De acordo com Marinho Rodrigues, coordenador geral do projeto, dependendo das parcerias para garantir os equipamentos técnicos, o projeto vai continuar durante o verão. Marinho afirma que já esta mantendo contatos para garantir a aquisição dos equipamentos que atualmente vêm sendo disponibilizados pelo Instituto Floresta Viva, através de uma parceria do Terreiro de Matamba Tombenci Neto com o departamento de políticas públicas do Floresta Quilombolas.
“Prova do sucesso foi demonstrada na sessão especial do Dia das Crianças, quando a comunidade participou ativamente de varias atividades e da exibição do filme ‘Tá Dando Onda’”, afirma Marinho. Para o mês de novembro Gal Souza, uma das coordenadoras do projeto, explica que a 2ª Mostra de Vídeos Étnicos Raciais já está sendo montada para acontecer dentro do projeto Cinema na Praça durante todo o mês de novembro, como parte do Novembro Negro, em homenagem ao mês Nacional da Consciência Negra.
fonte> Banhiaonline
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
INAUGURAÇÃO DA ROÇA SÃO MIGUEL ARCANJO EM BELO HORIZONTE

No último dia 25 de setembro, foi inaugurada na cidade de Belo Horizonte, o Asé São Miguel Arcanjo. Casa de orixás, que popularmente é chamada de “Roça”.
A Roça São Miguel é comandada pelo Babalorixá Paulo de Oxossi que é ligado, ou seja, é orientado pela Iyalorixá Débora de Osun do asé Engenho Velho na cidade do Rio de Janeiro e com influência e doutrina do asé Ilê Axé Iya Nassô (Casa Branca).

Dentre os presentes nas festividades, encontramos os pais ogans: Leo e Genin oriundos da Casa Branca, a iya kekere Florzinha e Iya Débora do Rio de Janeiro ,Andréa de Osun e Rogério de Belo Horizonte. Os irmãos de asé da raíz Keto vieram da Bahia e do Rio de Janeiro que abrilhantar ainda mais a inauguração desta Casa de candomblé ,demonstrando o carinho e amizade ao Pai Paulo e seus filhos.
Os filhos de Pai Paulo se sentiram muito felizes com o andamento de tudo que se passou. E o que nos diz e ebome kiron de Jagun. “ É uma alegria ver a família reunida,trabalhando e celebrando o nascimento de uma casa fundamentada e séria com o propósito de ajudar a todos que necessitem”, fala.
Depois do xirê que foi belíssimo,todos tiveram momentos de laser e confraternização com samba, jogo de futebol entre homens e mulheres e para fechar esse dia marcante para todos , um almoço com os irmãos da Bahia e do Rio de Janeiro que logo em seguida, tomaram o ônibus de volta para suas casas .
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Candomblé não é mais religião de negro, é religião de brasileiro”
ENTREVISTA AO JORNAL BAHIA ON LINE:
Integrante da Academia de Letras de Ilhéus e Mestre em Letras Vernáculas, o professor Ruy do Carmo Póvoas, assumiu ainda criança sua afinidade pelas crenças candomblecistas. A partir desta descoberta o também escritor, dedicou sua vida a exaltar a africanidade e publicou livros como “A Linguagem do Candomblé”, “A fala dos Santos” e “Itan dos mais Velhos”.Atualmente dirige o Terreiro Ilê Axé Iêjexá Orixá Olofun, localizado no Bairro Santa Inês em Itabuna, que fundou em 1975 em parceria com seu irmão e onde desempenha a função, com autoridade máxima, de Babalorixá.
Em entrevista exclusiva aos estudantes de Jornalismo Tayara Carvalho, Fábio Carvalho, Renan Júnior e Monique Ribeiro, Ruy abre as portas de seu terreiro para o Jornal Bahia Online e revela o fascínio pelas heranças africanas e pelo candomblé em particular. Confira.
Quando surgiu o seu interesse em particular pelo Candomblé?
Eu sou oriundo de uma família atípica. Meu pai era coronel do cacau, um homem rico, branco, de ascendência européia. E minha mãe era uma negra, mulher de terreiro e empregada doméstica. Minha formação foi dupla. Por parte de pai a formação era católica, inclusive a prática cotidiana de ir a Igreja rezar. E por parte de minha mãe era a frequência a terreiros. Foi na adolescência que eu me identifiquei com as práticas de terreiro e já me entendia como uma pessoa de terreiro.
Você encontrou muita resistência por parte de seus familiares?
Quanto ao preconceito, encontrei resistência dentro da minha própria casa, porque meu pai odiava as coisas do candomblé a tal ponto que quando decidi ir a Salvador estudar o científico, ele se recusou a custear a viagem, alegando que não gastaria seu dinheiro com uma pessoa que vive enfeitada de badulaques desses negros.
“Estudei, me formei, me pós-graduei e me tornei babalorixá. Juntei as duas coisas de meu pai e de minha mãe e elas estão harmonizadas muito bem dentro de mim”.
Poderia nos fazer uma estimativa de quantos terreiros de Candomblé existem hoje em Itabuna?
Nós estamos fazendo um estudo sobre os terreiros no sul da Bahia, em parceria com o Núcleo de Estudos Afro Baiano Regionais (CAUE) da UESC e, segundo o último levantamento existem, cerca de 80 terreiros no município.
O terreiro ILÊ AXÉ IEJEXÁ ORIXÁ OLOFUN, do qual o senhor é o babalorixá (pai de santo), é uma sociedade religiosa de culto afro-brasileiro. Quando foi fundado e quem foi o responsável pela fundação?
Este terreiro foi fundado em 05 de Setembro de 1975 por ordem de Oxalá, que é o patrono da casa. Foi ele quem determinou e eu e meu irmão Reinaldo cumprimos sua vontade criando o espaço para abrigar a herança de Inês Megigan, sacerdotiza da Oxun.
O que diferencia os terreiros de candomblé na Bahia?
A diferença é quanto à nação, origem. Por exemplo, este terreiro é originário da cultura nagô do povo Iêjexá, há terreiros nagô de origem ketu e há terreiros que não são nagô, são de origem angolana, outros de origem do Congo, a depender das nossas raízes.
Explique aos nossos leitores o significado de Origem Nagô e Nação Iejexá...
Nós somos originados, esse terreiro no caso, dos sudaneses, que abrangia a Nação Nagô, onde hoje está situada a Nigéria, território que antes era habitado por povos diferentes. A nossa etnia é Nagô e a nossa cidade de origem é Ilexá.
Qual o significado do terreiro para os adeptos da religião?
Território, confraria, grupo humano, espaço onde é possível praticar a vida sobre outro paradigma, senão o paradigma ocidental, uma outra interpretação do universo e da vida, nem melhor nem pior, outra.
“Terreiro... uma outra interpretação do universo e da vida, nem melhor nem pior, outra”.
O que leva uma pessoa a procurar um terreiro de candomblé?
Nós humanos somos construídos identitariamente através de nossa origem, família, nossa escola, a sociedade em que vivemos e nós procuramos nisso aí respostas para as nossas dúvidas, anseios, nossas dores, amores. Às vezes esses grupos aos quais pertencemos não nos dão respostas e aí o que fazer? Quando a medicina falha, a psicologia falha e a psiquiatria falha, você vai buscar resposta na religião. Aí os caminhos religiosos em nosso país são multifacetados, aí existe uma oferta de caminhos, o católico, o espírita, o terreiro de candomblé. Isso faz parte da complexidade humana, muitas pessoas são chamadas pela dor.
“Quando a medicina falha, a psicologia falha e a psiquiatria falha, você vai buscar resposta na religião”.
Qual a fonte de renda de um terreiro?
O terreiro é uma instituição religiosa, que no caso específico deste é abrigado por uma instituição civil chamada Associação Santa Cruz Iejexá, que é a mantenedora. Ela capta recursos para manter a casa.
Qual a política (ideologia) do Ilê Axé Iejexá?
Do ponto de vista das relações humanas ele é comunal, ninguém é dono de nada, o patrimônio é coletivo, a vivência é coletiva. As pessoas só têm em sua posse um prato, um caneco e uma esteira. O terreiro é mantido por todos da casa, cada um contribuindo na medida de suas possibilidades.
“Do ponto de vista das relações humanas o terreiro é comunal, ninguém é dono de nada, o patrimônio é coletivo”.
Quanto à organização do terreiro, existe alguma hierarquia que estabeleça classes e determine funções e atribuições específicas para pessoas específicas? Quem designa as funções? E no caso de haver hierarquia como ela se apresenta estruturada, existem cargos inferiores e superiores?
As funções de cada pessoa que participa do terreiro são designadas pelo orixá, bem como a hierarquia das atribuições. Não existem cargos superiores e inferiores. Mas, sim, cargos com mais responsabilidade que outros. Por exemplo, o cargo de babalorixá que é o pai de santo é o cargo que engloba tudo, toda a vida do terreiro, ele tem que supervisionar tudo, os rituais, a manutenção, a organização, a convivência entre as pessoas. Há cargos mais amplos, outros mais restritos.
Quais são essas classes? Elas estão associadas a algum tipo de poder?
As classes são em primeiro lugar o Babalorixá ou Ialorixá. Depois você tem o lugar temente, que seria ou pai pequeno e a mãe pequena. Posteriormente as Equedes, que cuidam dos paramentos, dos orixás quando incorporados; o Axogum, responsável pelo sacrifício e uma série de outros cargos a depender do número de recintos que o terreiro tenha construído.e existem cargos que nunca são ocupados porque o orixá pode não ter encontrado a pessoa adequada para desempenhá-los.
Sabe-se que o candomblé é uma religião que foi trazida ao Brasil pelos escravos africanos e que nos tempos da escravidão era restrita as senzalas. Por isso acredita-se que os seus adeptos sejam ainda hoje em maioria, negros e pessoas de baixo poder aquisitivo. Esta afirmação em uma análise mais abrangente e posteriormente analisando esta “casa” em particular, pode ser ratificada?
Não ratifico porque hoje candomblé não é mais religião de negro, é religião de brasileiro. E aí você tem gene com cara de japonês, chinês, com cara de turco, com cara de índio. Quanto a condição financeira, tem-se a mais variada possível. Há pessoas super carentes e há pessoas abastadas.
“... Candomblé não é mais religião de negro, é religião de brasileiro”.
O preconceito para com os adeptos da religião ainda é uma realidade?
Sem dúvida. Uma realidade flagrante, triste, dolorosa. Profundamente encravada na alma do brasileiro. Nós temos uma cultura preconceituosa. Porém tudo isso é vivenciado com um jeitinho, que olhado de longe parece ser uma maravilha, no carnaval estamos todos nós unidos nas nossas diferenças. Na vida cotidiana estamos todos separados nas nossas igualdades.
“O preconceito é uma realidade profundamente encravada na alma do brasileiro. Nós temos uma cultura preconceituosa”.
Crédito: Tayara Carvalho
fONTE: jORNAL BAHIA
Terreiros de candomblé do Rio podem entrar na lista de patrimônio
Depois da Bahia, o Rio de Janeiro pode ser o segundo estado brasileiro a ter terreiros de candomblé incluídos na lista de patrimônio imaterial histórico nacional. Trinta e dois centros onde a religião afrobrasileira é praticada há mais de 30 anos já foram mapeados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e dois deles já estão em processo de tombamento.
Os resultados do inventário que vem sendo feito pelo Iphan há quatro anos serão apresentados no 1º Fórum dos Terreiros de Candomblé do Rio de Janeiro, que será realizado neste mês na sede da Superintendência do instituto, no centro do Rio.
No evento, serão discutidas ainda as medidas a serem adotadas para a preservação dos terreiros, que, segundo o superintendente do Iphan no Rio, Carlos Fernando Andrade, podem ser de ajuda financeira ou de realização de oficinas.
Andrade explicou que as religiões com matriz africana, como é o caso do candomblé, interessam ao Iphan para deixar registrado na memória do país esse tipo de expressão cultural, desde a manifestação de um orixá, as cantigas, suas comidas e suas formas de dançar. As informações são da Agência Brasil.
Fonte: http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-4/artigo/terreiros-de-candomble-do-rio-podem-entrar-na-lista-de-patrimonio/
Em TEMPO:
Vejam abaixo os primeiros terreiros tombados:
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou o tombamento do Terreiro Olga do Alaketo, ou Ilê Maroiá Láji, situado no bairro de Matatu, em Salvador, e o Registro como Patrimônio Cultural Brasileiro da Viola-de-Cocho e do Ofício da Baiana de Acarajé, em reunião no dia 1º de dezembro passado, em Salvador, na Bahia.
O tombamento de sedes de cultos africanos no Brasil vem sendo feito desde 1986. O primeiro foi o Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, ou Ilê Axé Iyá Nassô Oká, seguido do Ilê Axé Opô Afonjá, em 1999, ambos em Salvador. Em 2002, foi a vez do Terreiro da Casa das Minas Jeje, Querebentam de Zomadonu, de São Luís do Maranhão. Mais uma vez em Salvador, foram tombados em 2002 o Terreiro do Gantois, Ilê Iyá Omin Axé Iyamassé e, em 2003, o Sítio Terreiro do Bate Folha, Manso Banduquenqué. O Terreiro do Alaketo é reconhecido como um dos mais antigos templos afro-brasileiros ainda hoje em atividade no país. Entre os especialistas na área, existe o consenso de que ele forma, ao lado do Terreiro da Casa Branca, do Ilê Axé Opô Afonjá e do Terreiro do Gantois, a matriz que preside e de onde emanam as influências que afetam instituições congêneres, como as casas de candomblé, que se espalharam pela Bahia e por diversas regiões do Brasil.
A solicitação de Registro da Viola-de-Cocho como Patrimônio Cultural Brasileiro foi apresentada ao Iphan pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular e por representantes de grupos praticantes do cururu e do siriri, dos municípios de Corumbá e Ladário, no Mato Grosso do Sul, e de Jangadas, Diamantino, Nobres, Cuiabá, Livramento, Poconé e Rosário d’Oeste, em Mato Grosso. Refere-se, especificamente, à proteção e valorização da Viola-de-Cocho e das expressões musicais, poéticas e coreográficas do cururu e do siriri, todas elas manifestações originais e exclusivas dessa região do país.
O Registro do Ofício da Baiana de Acarajé em Salvador foi pedido pela Associação de Baianas de Acarajé e Mingau do Estado da Bahia, o Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia e o Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Engloba todos os aspectos referentes à atividade: preparação, feitura e comercialização de produtos, em que se destaca o acarajé, além de elementos associados, como a indumentária da baiana, o uso do tabuleiro, a natureza informal do comércio e os locais mais costumeiros de venda.
Fonte: www.iphan,gov.br
Câmara homenageia 100 anos de reinado do Ilê Axé Opô Afonjá
Felipe Amorim/Redação CORREIO
A árvore do Irôco, de tronco redondo e copa espessa, deu as folhas que encheram o chão da Câmara Municipal de Salvador. A árvore ancestral é uma das moradas de Xangô, o dono do Ilê Axé Opô Afonjá, a casa homenageada, que este ano completa 100 anos de fundação, na antiga estrada de São Gonçalo.
Hoje, o Ilê Axé Opô Afonjá possui escola, museu e continua a tradição do matriarcado das cinco ialorixás que fizeram do templo referência nacional para o culto das religiões de matriz africana. Em iorubá, o nome do terreiro quer dizer Casa da Força Sustentada por Xangô. Afonjá é uma das qualidades de Xangô, orixá de mãe Aninha, a Obá Bìyí, ialorixá que começou toda
essa história.
Ontem, uma sessão especial na Câmara homenageou o terreiro centenário. “Fui vereador muitos anos e poucas vezes vi esse salão tão bonito e luminoso. Quando o poder político se abre para reconhecer outros poderes como o religioso, ele se abre para a sociedade”, afirmou o ministro da Cultura, Juca Ferreira. “Essa é uma das três casas matrizes do candomblé no Brasil. Suas sacerdotisas têm pontificado na história da Bahia, até mesmo pelo seu heroísmo e resistência”, diz o vice-prefeito Edvaldo Brito. Em 1976, Brito era secretário de Justiça do governo Roberto Santos, quando foi extinta a obrigação dos terreiros de pagaremtaxas e se cadastrarem na polícia para exercer seus cultos religiosos.

Câmara de Vereadores realiza homenagem ao centenário do Ilê Axé Opô Afonjá
Foto:Jornal Correio Bahia.
Brito se refere às cinco ialorixás que estiveram à frente do terreiro desde a sua fundação: mãe Aninha, mãe Bada, mãe Senhora, mãe Ondina e mãe Stella. O Axé Opô Afonjá, assim como o terreiro do Gantois, é oriundo da Casa Branca, o Ilê Axé Iyá Nassô Oká, terreiro cuja história remonta há 300 anos, quando a comunidade nagô se instalou onde hoje é a Barroquinha. Só depois, o terreiro seria implantado no local onde hoje passa a avenida Vasco da Gama.
Foi na Casa Branca que a quituteira Eugênia Anna dos Santos foi feita filha de santo. O tino de comerciante permitiu a ela juntar dinheiro e arrendar 25 tarefas de terra na Estrada de São Gonçalo, onde, em 1910, fundou o Ilê Axé Opô Afonjá e tornou-se a admirada mãe Aninha.Uma tarefa era a medida de terra usada para o plantio da cana-de-açúcar e, na Bahia, equivalia a cerca de quatro mil metros quadrados.
Agora, como diz mãe Stella de Oxóssi, herdeira religiosa do Axé Opô Afonjá, é “continuar segurando a rédea das coisas, mostrando a veracidade da crença”. Foi mãe Stella que, em 1983, no Congresso Mundial das Religiões Afro, defendeu o abandono do sincretismo. “Ela foi uma voz política importante, que mostrou que o candomblé não precisa se vestir com o manto de outra
religiosidade para se apresentar à sociedade. Como ensina mãe Stella, nada se mantém vivo sem se transformar”, diz a vereadora Olívia Santana (PCdoB).
Tiros em terreiro em Itinga
Três traficantes morreram em uma ação da polícia em Itinga na tarde desta sexta-feira (30), segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Segundo a polícia, os três reagiram à abordagem policial e foram mortos em um tiroteio.
A operação era do Departamento de Narcóticos e da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE) em combate ao tráfico na região. Os traficantes foram flagrados em um terreiro de candomblé, onde aconteceu a troca de tiros. Os três, que também agiam como ladrões na região, foram identificados pelos apelidos de "Tuck", "Caruru" e "Gordo". No local, a polícia apreendeu trÊs armas e uma quantidade não divulgada de drogas.
De acordo com o delegado Daniel Pinheiro, titular da DTE, "Tuck" era responsável por roubos a um banco e a um carro-forte, além de ser procurado também no Rio Grande do Norte. Já "Caruru" era ex-presidiário e tinha sete passagens na polícia por roubos e tráfico de drogas.
Fonte:
http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-1/artigo/traficantes-morrem-em-troca-de-tiros-com-a-policia-em-terreiro-em-itinga/
EM TEMPO:
Daniel Barbosa e Monica Vasku | Redação CORREIO
A insegurança no bairro de Portão, em Lauro de Freitas, já chegou aos templos religiosos. Por volta das 19h30 desta terça-feira (13) o terreiro Ilê Omorodé Axé Orixá N´Lá foi invadido por três homens armados que, inicialmente, renderam o vigilante da casa e duas filhas de santo. Em seguida, segundo informações do pai de santo Augusto César, os bandidos procuraram por ele, chamado pelos invasores de "patrão". Augusto relata que abriu a porta de sua casa e percebeu que havia dois homens armados no pátio.
Os homens então ordenaram que ele saísse, mas o Babalorixá foi tomado por um impulso e fechou a porta, ligando para a polícia e para a irmã em seguida. A partir de então os assaltantes perceberam que tinham pouco tempo para fugir, pois a delegacia do bairro fica próxima ao terreiro. Os três homens deixaram o local levando apenas um celular e também não houve feridos. Minutos depois os policiais já estavam no local. Para os moradores da casa ficou o susto e o medo de um bairro que tem registrado um alto número de ocorrências criminosas.
Ainda segundo o pai de santo, que vive no local há 40 anos e nunca tinha sido assaltado, a origem da violência está nas drogas. "Esses assaltantes, principalmente aqui em Portão, estão roubando para comprar drogas. A cada dia há um ou dois assassinatos aqui", analisa Augusto César.
O Terreiro
O Terreiro Ilê Omorodé Axé Orixá N´Lá, que significa Casa dos Filhos de Oxossi, Força do Orixá dos Altos, funciona há 30 anos em Portão, na Região Metropolitana de Salvador, e é comandado pelo famoso pai de santo Augusto César Lacerda, 61 anos, filho de Mãe Menininha do Gantois, formado em Artes Plásticas e diretor fundador de arte do Araketu.
O Ilê Omorodé Axé Orixá N´Lá é freqüentado pelo cantor Gilberto Gil e por sua esposa, Flora Gil. Há informações que o pai de santo também atende Regina Casé e a cantora Maria Bethânia. A casa é regida por Logun-edé, única divindade hermafrodita do candomblé. Quando está na fase masculina, Logun-edé caça com um arco-e-flecha. Quando está na fase feminina, abana-se sedutoramente com um leque.
Fonte:
http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-2/artigo/bandidos-armados-invadem-terreiro-frequentado-por-famosos-em-portao/
domingo, 23 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Candomblé é religião e um terreiro é um templo
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br
"Formação de Professores e Religiões de Matrizes Africanas: um Diálogo Necessário", livro do sacerdote da religião de matriz africana, professor Erisvaldo Pereira dos Santos, da Universidade Federal de Ouro Preto, preenche uma lacuna, pois a bibliografia na área é escassa e a implementação da lei nº 10.639/03 e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afrobrasileira exigem suporte acadêmico confiável para enfrentar ignorâncias e preconceitos contra as religiões de tradição oral, como as expressas no candomblé das nações ketu, efon, ijexá e xambá, que cultuam orixás; e angola e jeje, que, respectivamente, veneram inquices e voduns. Logo, os candomblés são muitos.
O vocábulo candomblé é de origem bantu: ca = uso, costume + ndomb = negro, preto + lê = lugar, casa, terreiro e/ou pequeno atabaque, significando "lugar de costume dos negros". Candomblé é religião e um terreiro de candomblé é um templo, um local sagrado. Num contexto de recrudescimento de intolerância religiosa, é louvável um livro que aborda a tolerância religiosa como a valorização do sagrado do outro. Um ponto fascinante é a abordagem da oralidade, "uma marca das culturas de raízes africanas", que para Juana Elbein dos Santos, autora de "Os Nàgó e a Morte", é mais que uma pedagogia: "é instrumento a serviço da estrutura dinâmica nagô".
E o autor acrescenta: "Mesmo reconhecendo o valor da importância da oralidade no processo de transmissão dos conteúdos sobre as heranças africanas, assumi o desafio de contribuir mais efetivamente para a formação de professores, através da escrita (...), em prol do respeito, do diálogo e do acolhimento à diversidade religiosa brasileira".
O livro do pai de santo Erisvaldo - Babá Mejeuí, "Erisvaldo d’Ogum", filho da yalorixá Lídia de Oxalá - é significativo para quaisquer comunidades religiosas, pois, como ele diz, "não é possível construir atitudes de respeito e valorização do sagrado do outro sem que se conheça a história, os valores e o sentido inerentes à experiência de sagrado presente na religião. O êxito dessa tarefa está relacionado a dois fatores significativos: o primeiro é uma formação de professores com sólidos embasamentos teóricos e comprometidos com os objetivos de uma educação democrática e republicana, fundada em princípios éticos. O segundo diz respeito ao exercício do ofício das lideranças religiosas, no sentido de contribuir para a construção de convivência respeitosa e pacífica entre adeptos de diferentes crenças". Ah, o livro é da Editora Nandyala Livros e Serviços Ltda, de Belo Horizonte!
Admiradora do patrimônio cultural do povo de santo, sou figurinha fácil nas festas do Ilê Axé Ogunfunmilayo - Casa de Cultura e Tradição Afrobrasileira de Minas Gerais, no Quintas Coloniais, em Contagem. É um deslumbre religioso e gastronômico o Caruru de Cosme e Damião, no dia consagrado a eles, 27 de setembro. Uma festa linda e doce - uma vitrine do sincretismo religioso, como fala Lecticia Cavalcanti: "A devoção nos foi trazida pelo colonizador português, tendo sido a primeira igreja, em honra deles, construída em Igaraçu-PE (1530). Os escravos que aqui vieram, todos da África Ocidental (Angola, Costa do Marfim, Guiné e Congo), mantiveram os rituais religiosos e a fé nos deuses de sua terra distante. Inclusive nos orixás-meninos (ibejis). Mas aprenderam a sincretizar com os santos católicos, cujos cultos lhes eram impostos".
Publicado em: 04.05.2010
FONTE: www.otempo.com.br/otempo/colunas/?IdColunaEdicao=11563
domingo, 9 de maio de 2010
Livro "Dos Yoruba ao Candomble Ketu"
quinta-feira, 29 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
Chico Xavier - O Filme
Chico Xavier é uma adaptação para o cinema que descreve a trajetória do médium Chico Xavier, que viveu 92 anos desta vida terrena desenvolvendo importante atividade mediúnica e filantrópica. Vida conturbada, com lutas e amor. Seus mais de 400 livros psicografados, consolaram os vivos, pregaram a paz e estimularam caridade. Fenômeno? Fraude? Os Espíritos existem? Para os admiradores mais fervorosos, foi um santo. Para os descrentes, no mínimo, um personagem intrigante.”Filme: Besouro

Besouro (Ailton Carmo) foi o maior capoeirista de todos os tempos. Um menino que - ao se identificar com o inseto que ao voar desafia as leis da física - desafia ele mesmo as leis do preconceito e da opressão. Passado no Recôncavo dos anos 20, Besouro é um filme de aventura, paixão, misticismo e coragem. Uma história imortalizada por gerações, que chega aos cinemas com ação e poesia no cenário deslumbrante do Recôncavo Baiano.
CIDADE DAS MULHERES - DOCUMENTÁRIO-
Ruth Landes (1908-1991) foi uma etnóloga estadunidense radicada no Brasil. Formou-se pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Em 1938, ganhou um contrato de pesquisa para estudar as relações raciais no Brasil. Viajou em abril daquele ano para o Rio de Janeiro e seguiu em fins de agosto para a Bahia, o seu objetivo. Na Bahia, conheceu Edison Carneiro, que providenciou o acompanhamento necessário para uma mulher naquela época. Em fevereiro de 1939, foi expulsa da Bahia pela polícia política, em razão da sua implicação com os cultos afro-brasileiros. Ainda demorou-se alguns meses no Rio de Janeiro.Em 1947, publicou o seu livro City of Women (Cidade das Mulheres), obra dirigida a largo público, que toma a forma de um relatório de viagem e dialogo filosófico com Edison Carneiro. Por resumido que seja, com as suas 248 páginas, a obra contém valiosa relação da vida popular e da estrutura de classes e de gêneros na Bahia de então. Ressalta o papel dirigente das mulheres no candomblé, ligando-o, sem contudo nenhuma pesada explicação, à maneira baiana de conceber os papéis e as virtudes respeitivas dos homens e das mulheres.
Contém expressivos detalhes sobre personalidades como Edison Carneiro, Mãe Menininha do Gantois e o povo do Gantois (entre o qual destacam-se o casal Manoel da Silva, o chefe da bateria, e Zézé de Iansã), Martiniano do Bonfim; a mãe-de-santo de candomblé de caboclo Sabina (da Barra); uma descrição de capoeira em festa popular que vêm completar a descrição dada por Edison Carneiro em Negros Bantus (de 1938).
FONTE: http://raizafricana.wordpress.com/2009/05/11/documentario-cidade-das-mulheres-trecho/
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
Festa de Ogun
Desde já agradecemos a presença de todos...
Asé Modupé....
sexta-feira, 19 de março de 2010
Perseguição e desrespeito ainda imperam

É triste amigos,irmãos e simpatizantes ainda presenciarmos cenas e situações como essa que nosso irmão: Vilson Caetano de Sousa Júnior nos relata.
Foto: site de busca.
Enviadas: Sexta-feira, 19 de Março de 2010 10:32:00
Assunto: [discriminacaoracial] SUCOM notifica Terreiro Pilão de Prata
.
Por favor divulguem...
AINDA SOBRE OS TERREIROS E O BARULHO DA CIDADE
Era quinta feira, dia consagrado aos donos do território, Odé, orixás caçadores, quando as 9 horas, um tímido rapaz tocou a campanhia do Ilê Odô Ogê, conhecido como Pilão de Prata, identificando- se como fiscal da Superintendência de Controle e Ordenamento do Solo Urbano do Município de Salvador (SUCOM). Constrangido, sua educação misturava-se com a timidez de está cumprindo a árdua tarefa de notificar aquela comunidade pelo barulho provocado pelos “instrumentos de percussãoâ€, como referiu-se aos atabaques Uma mistura de temor e respeito, várias vezes frisou que não entendia nada, estava ali apenas cumprindo o seu papel de fiscal. Fez algumas perguntas sobre o tipo de instrumentos que a comunidade realizava, quis sentar na escada que dá acesso a uma praça de dentro do terreiro, para não adentrar no recinto sagrado, mas insistir que fossemos para uma sala mais confortável. Lá ele me explicou que a sua visita não tinha
nenhum caráter punitivo, apenas a intenção de averiguar os espaços e instrumentos que levaram um anônimo a denunciar o templo religioso. Logo me apresei e fiz ele ler o texto: O terreiro e o barulho na cidade, publicado no Jornal a Tarde da última sexta-feira. Achei até uma coincidência após tal provocação receber a visita de um representante do órgão que regula dentre outras coisas, sons urbanos, fixa níveis e horários em que é permitido sua emissão e cria licença para utilização sonora. Coincidência ou não, fato é que aquele jovem fiscal estava ali representando a Lei 5354/98. Enquanto seus olhos corriam atentamente no texto, apresentei-lhe uma resumida história daquela roça de candomblé, originada de uma casa de taipa coberta com folhas de zinco no ano de 1963, quando o atual “morro do Cachundé†era apenas uma duna e abaixo havia a lagoa utilizada pelas poucas pessoas para lavar roupas e por alguns terreiros, dentre
eles, o Pilão de Prata para realizar alguns rituais. Lembrei também que tal comunidade terreiro já havia sido tombada pelo Instituto de Patrimônio Artístico Cultural da Bahia em 9 de dezembro de 2004, sem falar nos Decretos Lei Municipal e Estadual que o reconhece como Utilidade Pública. lhe mostramos o nosso Museu, a Biblioteca e a Escola que aguarda a dois anos financiamento para realização de atividades, embora nesse ano foi utilizada para exibir filmes durante o Ciclo litúrgico que foi concluído no dia 14 de março, com recursos do próprio terreiro e ajuda da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia. Nada adiantou, ele tinha que retornar com seu dever cumprido e baseado no Artigo 6 da Lei 5354/98 notificou a comunidade terreiro com o seguinte texto: “O responsável pelo estabelecimento supra-citado fica ciente que a emissão sonora gerada em atividades não residenciais, somente poderá ser efetuada após expedição pelo
órgão competente da Prefeitura do Alvará de autorização para utilização sonora.†Isso me trouxe a lembrança dos tempos terríveis de Pedrito, que nunca saíram da memória do povo de candomblé. Mais uma vez salta os olhos que tais órgãos que deveriam estreitar relações com a cidade seja liderado por dirigentes mal assessorados que no mínimo deveriam saber interpretar a Lei 5354/98 que diz no inciso IV do Capítulo 14 que “não estão sujeitas às proibições referidas nesta Lei o sons produzidos por sinos de igrejas e de templos religiosos desde que sirvam exclusivamente para indicar as horas ou anunciar a realização de atos ou cultos religiosos.†Por que então, dois pesos e duas medidas? Por que uma vez por ano não podemos tocar os nossos clarins e atabaques, tocar nossos foguetes para anunciar a realização de nossos atos e cultos religiosos? O que dizer então das alvoradas festivas de outras denominações religiosas
realizadas as 5 horas, ao raiar do dia? Queremos abrir esta discussão com o Sr. Superintendente. De que o Estado Brasileiro não é laico já sabemos, agora queremos no mínimo exercer a liberdade de culto, direito garantido pela nossa Constituição. Esse fato nos dá a entender na verdade, que os órgãos municipais e estaduais não dialogam entre si, pois esta mesma comunidade está entre os 1068 terreiros mapeados através de um trabalho pioneiro no Brasil, resultado da parceria entre a Prefeitura Municipal de Salvador, através da Secretaria de Reparação (SEMUR) e da Secretaria Municipal de Habitação (SEHAB), o Ministério da Cultura, através da Fundação Cultural Palmares e a Secretaria Especial de Promoção de Políticas para a Igualdade Racial (SEPPIR) em convênio com a Universidade Federal da Bahia através do Centro de Estudos Afro-orientais (CEAO). Porque o catálogo produzido não esta sendo consultado? Se até agora de nada
serviu para o povo de candomblé que até então aguarda o inicio da regularização fundiária e outras ações do poder público, que pelo menos sirva para os órgãos do governo consultar a fim de evitar o constrangimento de nossos sacerdotes que além da função religiosa cumprem também papel de médicos, psicólogos, economistas, sociólogos e outras. Gostaria com este texto de abrir o diálogo com os órgãos envolvidos com estas questões direta ou indiretamente, bem com a sociedade como um todo. A notificação 410703 de 18 de março de 2010 não nos intimida porque é equivocada, na verdade ela nos causa vergonha por estarmos sendo tão mal representados. O que não queremos mais, é assistir a demolição de outras comunidades terreiros, nem a cobrança indevida do IPTU, fato que vem se arrastando já há algum tempo na secretaria da fazenda do Municipio sem nenhuma posição significativa. O fato que aconteceu no terreiro Pilão de Prata
poderia acontecer em qualquer outro. Ou quem sabe já não vem acontecendo? Fato é que o dano psicológico, causado pelo constrangimento e a vergonha de ter um carro da prefeitura e um agente de fiscalização na porta de uma residência é irreparável. De uma coisa temos a certeza: esta luta será travada juntamente com todos os Orixás, Nkices, Caboclos e Guias. Avante!!!
Vilson Caetano de Sousa Júnior é Pós Doutor em Antrolopologia, professor da Escola de Nutrição da UFBA, membro do Conselho de Cultura do Estado da Bahia e Omo Orixá do Ilê Odo Ojê.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Nota de falecimento
foto: site de buscaÉ com muita tristeza que informamos que neste dia 10/03/2010 faleceu o Babalorixá Robson de Oxaguian (Pai Robinho , como era mais conhecido) no Rio de Janeiro. Seu sepultamneto foi às 16:00 horas no cemitério de Irajá também no Rio de Janeiro.
A Homenagem deste video ao Pai Robinho de Oxaguian foi feita pelo Olùkó Vander.
Adupé,meu irmão!
Adupé!
E também, é com imenso pesar que informo o falecimento da Iyalorixá Maria do Bonfim (Iyá Midê), aos 93 anos, do Sítio do Pai Adão. Tia Mãesinha, como era chamada carinhosamente, faleceu na madrugada dessa segunda feira 08/03/2010. Seu funeral foi hoje as 16h30 horas no Cemitério de Santo Amaro aqui em Recife.
Que Oyá a conduza!!
Que Sejam nossos porta vozes no Olorúm para as dificuldades de nosso cotidiano!
Assim foi o Início do Candomblé em Belo Horizonte (M.G.)

RAIMUNDO BISPO MORENO ou RAIMUNDO "CAITUMBA", como era conhecido, filho de "OXALÁ" " ALUFAMBOMIM, era filho de santo de MANEZINHO SANADÓ e neto de Severiano, com raízes no Engenho Velho, todos na Bahia.Em 1946, Caitumba veio de Salvador para Belo Horizonte, ficando na casa de Ildeu Amaro da Silva, o conhecido Odorico, que na época era considerado o melhor terreiro de Umbanda de B. Horizonte e talvez de Minas.
Foto: site de busca
Naquela ocasião a Umbanda tomava grande impulso, com a abertura de vários terreiros, como os de Antonio Camelo, de João Gualberto de D. Carola, do Raimundo Camelo, do Didi, do Geraldo Araujo, do Walter Pimentel, do Nelson Mateus e outros.
Da Geralda Silva, hoje conhecida por YATERÊ, era mãe pequena do terreiro de Odorico onde conheceu Caitumba, este achou que ela precisava fazer obrigação no Santo, ele já com saúde bastante abalada, saiu da casa de Odorico indo para a casa de Yaterê, dando um bori.
Caitumba recomendou a Yaterê, caso seu falecimento, esta fosse a Salvador e procurasse FRANCISCA SANTANA, DAZEBÍ de ABALUAIÊ, ou ainda Chica de Mineiro, como era conhecida, no bairro da Liberdade.
Caitumba faleceu no dia 29 de outubro de 1961 e Yaterê foi a Salvador procurar Daxê casa da qual ele era considerado pai pequeno. Daxê, era filha de Santo de Maria Bernardina de Sena a "YALORIXÁ BOIVÍ feita em cachoeiras por volta de 1920.
Em 1964, Daxê veio de Salvador para a casa de YATERÊ trazendo consigo um filho de santo de nome CARLOS RIBEIRO DA SILVA, "ALOJUCAN" de OXOSSI. Aqui ele foi até a Pampulha assistir a festa de Yemanjá promovida pela Federação Espirita Umbandista e ficou entusiasmado a ponto de pedir a sua mãe Daxé, permissão para permanecer aqui e fixar residência, no que foi autorizado.
Dai, ele construiu a primeira Roça de Candomblé de Keto, no bairro São Benedito em Santa Luzia, naquele mesmo ano.
Este terreiro foi transferido no decorrer dos anos, para vários bairros e hoje se encontra instalado no bairro Aarão Reis, onde Alojucam tem para mais de cento e cinqiienta filhos de santo; portanto este foi o primeiro Candomblé a funcionar legalmente em nossa capital.
Por outro lado, Nelson Mateus de Nogueira tinha um frequentado terreiro de Umbanda no bairro da Concórdia, quando ficou conhecendo Mãe Helena genitora de Domí, da conhecida Roça do Bate Folha em Salvador-BA. e com esta nos idos de 1971, foi catulado cuja digina é NEPAMGÍ e sua casa que era Umbanda passou a praticar o Candomblé Moxicongo, (Angola) no bairro Ermelinda nesta Capital, com inúmeros filhos de santo.
Esta é a segunda Casa de Candomblé a funcionar legalmente em B. Horizonte, mas a primeira em sua Nação.
Portanto,ALOJUCAN no KÊTO e NEPANGI no ANGOLA foram as primeiras Roças de Candomblé em nassa Capital.
Dos anos 46 a 70, Yalorixás, Ogans e Babalorixás contribuiram aqui para o crescimento do Candomblé, o Durval da Darcy Pararace de Cachoeira-BA., Ogans Luis de Cachoeira, o Tidinho conhecido como Aristides de Juremeiro e outros.
Atualmente existem Candomblés com diversas origens, como o do Marco Antônio, o do Simãozinho, netos de Dewandá o Miguel Grosso, já falecido, o do Nozinho de Oxossi, neto de Zezinho Boa Viagem, com quem tirou a mão de vumbí de seu pai Rodolfo de Abaluaiê, o da Cecília Tabaladê, filha de Camarão o Otávio Pedra Preta de Salvador hoje em São Paulo e outros.
Voltando ao Candomblé de Alojucan, o Carlos de Oxossi, com a morte de sua mãe de Santo Daxebí, tirou a mão de vumbi com a Yalorixá LIDIA QUEIROZ DOS ANJOS, filha de Oxalá, cujo orunko é Badaquenum, filha de santo de Ciriaco e mãe Gijal a Aleluia. Isto em Santo Amaro na Bahia.
Dos filhos de santo de Alojucan, são estes os que possuem candomblés funcionado. Eu, Lisboa de Xangô da Concórdia, B. Horizonte, Carlinhos de Oxum em Cipriano, Edson de Xangô Oxeoman em São Paulo, Maira da Leba no Alto dos Pinheiros, Oscar em Gov. Valadares.
Não podemos negar, que o surgimento dos candomblés em B. Horizonte, se deu devido ao progresso e avanço da Umbanda em nosso estado através da sua Federação.
Assim não podemos negar, que foi sem duvida a Umbanda que abriu o espaço para os Candomblés em B.H. nas diferentes nações, Angola, Kêto e Gêge, que a exemplo da Umbanda também tem crescido e precisa criar sua Federação, não para dividir e sim juntos Umbanda e Candomblé caminharem unidos para o fortalecimento das tradições do negro em Minas Gerais e no Brasil.
Eu, Lisboa de Xangô, filho carnal de baianos após com muita honra ter pertencido ao Centro do Didi, do Tidinho.o Aristides Angola, e do Nelson Mateus " acabei sendo catulado no dia 28 de maio de 1970 pelo Alojucan, de quem sou filho de santo e também tenho meu candomblé em funcionamento na Concórdia, em Belo Horizonte.
FONTE:
http://www.umbanda-ja.jex.com.br/candomble/assim+foi+o+inicio+do+candomble+em+belo+horizonte+m+g+





